Eduardo Martins, facilitador da Escola ASSERJ desenvolve o tema

Simon Sinek*, um respeitado estudioso do tema de Liderança, compartilhou recentemente em uma de suas pílulas diárias de sabedoria: “não conquistamos confiança quando oferecemos ajuda, conquistamos confiança quando pedimos ajuda”.

(*) autor do livro “Por quê? Como motivar pessoas e equipes a agir”

Em um mundo extremamente competitivo, marcado por um individualismo que beira o egocentrismo, tal afirmação parece ir contra o senso comum. Sim, pois a dependência em relação ao outro não parece ser fonte de vantagem em nenhum cenário competitivo. Pelo contrário, soa como uma declaração de vulnerabilidade.

A lógica que impera no mercado de trabalho especialmente para quem está iniciando é: “Seja o melhor! Seja completo! Seja insuperável!” E as descrições de vagas de estágio não me deixam mentir. Buscam-se super-heróis! Ou quase isso.

Isto não é uma crítica que faço a processos seletivos de estágio. Eu sou a favor de “barra alta” e, como acabamos de passar por uma Olimpíadas, é bom que o profissional ingressando no mercado de trabalho saiba que está iniciando sua vida de “atleta corporativo”. Muita prática, dedicação, resistência à frustração, superação, espírito competitivo, excelência lhe serão cobrados para avançar na sua carreira, que diferente de uma competição como as Olimpíadas não vai durar dias ou semanas, mas anos de vida. É bom estar preparado ou começar a se preparar!

O meu ponto é sobre a supervalorização da auto-suficiência, do individualismo exacerbado; surge da constatação da falta de colaboração em nosso dia-a-dia porque nos achamos numa constante disputa de ganhador / perdedor.

Se o título deste texto é uma dica valiosa no mundo do trabalho, ele certamente também é no mundo dos esportes. Ou será que existe algum atleta que passou pela Vila Olímpica que não deve nada a ninguém a não ser a seu esforço, talento e dedicação solitários por anos a fio de treinamento? (se alguém souber, ficarei bastante curioso em conhecer a fórmula dele). Alguém o ajudou a chegar lá. Pode ter certeza. Isto porque, nos esportes individuais ou coletivos, ninguém vence sozinho. 

O ser humano tem em seu DNA a necessidade pela vida social, pelo pertencimento. Esta é uma das necessidades descritas na pirâmide de Maslow. O viver em sociedade envolve o “ajudar” e o “pedir ajuda”, sendo que deste último verbo nascem relações de confiança.

Quem pede ajuda, se expõe, torna-se vulnerável, dependente dos outros. Mas, graças a este ato de humildade, dá a oportunidade a outra pessoa de manifestar seus talentos, de aplicar seu conhecimento, de ser útil, de fazer a diferença na vida de quem lhe pediu ajuda.

Pedir ajuda é, em última instância, um ato de amor porque permite que a outra pessoa manifeste a sua essência, entregue o seu melhor, mostre o seu valor.

Por que será que as crianças são tão solícitas quando seus pais lhe pedem ajuda? Porque desta forma mostram o seu valor para aqueles que mais amam, mais admiram e de quem mais querem ser dignas de confiança.

E qual é o valor da confiança no ambiente de trabalho? Ou nas mais diversas arenas esportivas que estamos acompanhando nestes dias? É ela o elemento capaz de trazer o melhor do ser humano à tona, de fazê-lo performar acima das expectativas, de transformar um grupo de indivíduos em um time imbatível, brilhante coletivamente, cujo todo é maior do que a soma das partes.

Ao assistir a partida Brasil x Iraque, fiquei um tanto surpreso com a seleção masculina de futebol saindo de campo sem dar nenhuma palavra com os repórteres. Claramente, o jogo demonstrou que o grupo precisa de ajuda. E por que não pedir por ela, por exemplo, reconhecendo pras pessoas que não jogaram bem mas que seu apoio nas arquibancadas continua sendo fundamental? Qual teria sido a nossa reação a uma resposta sincera e humilde assim? “Contem conosco! Estamos juntos!” acompanhado de um milhão de sugestões porque aqui somos 200 milhões de técnicos de futebol. Pela humildade demonstrada, a relação de confiança se restabeleceria. Afinal, quem não quer ver seu time campeão?

Para conquistar confiança, dê o primeiro passo. Peça ajuda!

Eduardo Martins é coach executivo e facilitador da Escola ASSERJ , segue um breve currículo:

Executivo com 17 anos de atuação em posições de destaque em RH. Sólida experiência em Planejamento de Recursos Humanos (desenho organizacional e remuneração). Atuação como HR Business Partner com participação decisiva no “turnaround” do negócio. Excelente habilidade de gerenciamento de projetos desenvolvida como consultor e posteriormente aperfeiçoada como gestor. Foco em execução com abordagem estratégica. Liderança de equipes multidisciplinares e excelente comunicador. Vivência em três culturas corporativas: Americana, Européia e Brasileira. Experiência de trabalho internacional (2 anos em Nova York). Coach Executivo e Coach de Carreira formado pelo ICI – Integrated Coaching Institute – SP, afiliado a ICF – International Coach Federation.

 

Um comentário

  1. Que espetáculo de texto! Entrei no site para verificar a data da feira em 2017, no entanto recebi um presente para minha vida que foi ler estes textos!!! Sou representante comercial da empresa Portobello cerâmica, e tenho a certeza que meu 2017 será ainda melhor se eu me tornar uma pessoa um pouco mais resiliente!!! Obrigada ASSERJ

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