Vendas durante a Copa do Mundo do mundo merecem atenção redobrada dos varejistas

Copa do Mundo enche supermercados, mas pode esconder prejuízo silencioso. E te contamos como!

11/03/2026

Atualidades
Vendas durante a Copa do Mundo do mundo merecem atenção redobrada dos varejistas

A Copa do Mundo costuma impulsionar o movimento no varejo supermercadista, com aumento no fluxo de clientes, campanhas promocionais e crescimento nas vendas de diversas categorias. Apesar do cenário favorável, especialistas alertam que períodos de grande demanda também podem trazer riscos para a operação e para a rentabilidade das empresas.

Dados de consultorias globais de varejo e prevenção de perdas indicam que, durante grandes eventos esportivos, as perdas operacionais e por fraude podem crescer entre 15% e 30%, dependendo do segmento e do canal de vendas. No ambiente digital, o cenário também exige atenção: picos de campanhas sazonais podem elevar as tentativas de fraude em até 40%, principalmente em promoções que utilizam cupons ou cashbacks sem controle adequado.

Para o especialista em prevenção de perdas e governança Anderson Ozawa, um dos principais desafios do varejo nesses períodos é não confundir aumento no faturamento com resultado real do negócio. “Como costumo dizer, venda alta não é sucesso, é só volume e, em períodos de pico, o varejo costuma relaxar exatamente onde não poderia, como em seus controles operacionais, nas regras de desconto, na disciplina de estoque, na governança no PDV e na validação de exceções”, afirma.

Nos supermercados, situações típicas de dias de grande movimento podem favorecer esse cenário. Lojas cheias, filas e clientes com pressa acabam pressionando as equipes a tomar decisões rápidas, como liberar descontos ou autorizar exceções para agilizar o atendimento. “O caixa enche, o time comemora e a diretoria sorri, mas a margem começa a sangrar em silêncio”, alerta Ozawa.

Além das perdas operacionais, o especialista destaca que ambientes de pico também podem facilitar fraudes. No varejo físico, podem ocorrer abusos de descontos manuais, devoluções indevidas e até conluio em horários de maior movimento. Já no digital, problemas como vazamento de cupons, falhas em campanhas promocionais e aumento de chargebacks após o evento também exigem atenção. “Fraude não aparece quando o movimento é baixo, ela aparece justamente e recorrentemente, quando ninguém está olhando direito”, explica.

Para reduzir os riscos para os supermercadistas durante eventos como a Copa do Mundo, o especialista recomenda reforçar a governança e o monitoramento das operações. Entre as medidas estão mapear riscos de perdas e fraudes antes do evento, simular o impacto das promoções na margem e fortalecer as regras de controle no ponto de venda e no e-commerce.

Durante o período de maior movimento, a orientação é que os varejistas acompanhem indicadores de perdas diariamente e ajam com base em dados para corrigir rapidamente possíveis distorções. Após o evento, também é importante avaliar os resultados das campanhas e identificar os custos ocultos gerados pelo aumento repentino de vendas.

Ozawa reforça que o sucesso em períodos de alta demanda depende de equilíbrio entre vendas e controle operacional. “É importante mudar a mentalidade de que pico de venda sem controle não é vitória, é uma sorte temporária e ela não sustenta nenhuma empresa. No varejo, ganhar de verdade é atravessar o pico sem perder governança, margem e lucidez”, conclui.