O uso de inovações como potencializador de melhoria de resultados foi debate na manhã desta quarta-feira (5) no palco Conecta Varejo, no Rio Innovation Week

No Rio Innovation Week, especialistas alertam: tecnologia sem estratégia não gera resultado

No palco Conecta Varejo, no Rio Innovation Week, especialistas debateram como a tecnologia, a análise de dados e a inteligência artificial estão redefinindo a competitividade e a eficiência operacional das empresas

05/08/2026

Conecta
O uso de inovações como potencializador de melhoria de resultados foi debate na manhã desta quarta-feira (5) no palco Conecta Varejo, no Rio Innovation Week

O uso de inovações como potencializador de melhoria de resultados foi debate na manhã desta quarta-feira (5) no palco Conecta Varejo, no Rio Innovation Week

Inovar deixou de ser um mero diferencial para se tornar uma questão de sobrevivência no mercado atual. Da automação de processos ao uso estratégico de inteligência artificial, o varejo busca caminhos para reduzir custos, otimizar o abastecimento e proporcionar experiências cada vez mais marcantes ao consumidor.

Essa busca por eficiência foi o tema central do painel "Como o uso de inovações pode melhorar resultados", realizado nesta quarta-feira (5) no Armazém 3 do Pier Mauá, durante a programação do Conecta Varejo da ASSERJ no Rio Innovation Week. Mediado por Ronald Nossig, CEO da Varejo180, o debate reuniu Clarisse Gomes, CEO da 3DLab; Vinicius Pabon, diretor de Inovação da AXIA Energia; e Rafael Ferrari, Monitor Innovation, Tech & AI Consulting Lead Partner da Deloitte.

Para abrir os trabalhos, Ronald Nossig destacou a urgência de olhar para a inovação como pilar estratégico:

"O varejo precisa ser cada vez mais eficiente e gerar resultados. A inovação está na pauta de todos e, com tantas tecnologias chegando para reduzir custos e melhorar a eficiência, nosso objetivo aqui é abrir a mente do empresário: sem inovação, o negócio não tem vida longa", pontuou Ronald Nossig.

Estratégia, pessoas e os desafios da Inteligência Artificial

O sucesso na adoção de novas ferramentas, no entanto, vai muito além da simples compra de software. Exige forte sintonia e alinhamento entre processos, governança e cultura corporativa.

Trazendo insights de um estudo global da Deloitte sobre o mercado de consumo, Rafael Ferrari pontuou que a inteligência artificial aparece como prioridade após as demandas fundamentais de redução de custos e eficiência operacional. Contudo, o especialista alertou para os riscos de uma implementação sem planejamento: cerca de 70% dos projetos baseados em dados de IA enfrentam barreiras e 86% não chegam a alcançar escala.

"Investir em tecnologia não é sobre ferramentas, é sobre gestão de pessoas. É preciso ter estratégia clara, governança e entender exatamente onde colocar o dinheiro, metrificar resultados e manter um processo constante de experimentação", destacou Rafael Ferrari. Ele complementa: "A inovação exige disciplina para gerar resultados. O consumidor está cada vez menos preocupado com a tecnologia que está por trás da entrega, mas sim com a solução das suas dores".

 
A revolução do 3D e a gestão de estoques

Outro grande destaque do painel foi o papel do design e da produção em 3D para solucionar um dos maiores calcanhares de Aquiles do varejo: a gestão de estoques. Clarisse Gomes, CEO da 3DLab, explicou como a tecnologia tem transformado a fabricação e reduzido desperdícios.

"No mundo em que tudo é tão complexo, imagina a possibilidade de produzir localmente o que vamos consumir. A tecnologia 3D já deixou de ser exclusividade de pequenos volumes e ganhou espaço na produção em massa", afirmou Clarisse.

Como exemplo prático, ela citou iniciativas como a da Philips, que disponibiliza arquivos tridimensionais oficiais para que clientes criem peças de reposição de eletroportáteis. "Com a impressão 3D, conseguimos escanear o pé de um cliente em cinco minutos e desenvolver um produto sob medida que demoraria muito mais na manufatura tradicional. Estamos no melhor momento para experimentar, reduzindo pegada de carbono e custos logísticos", completou.

Execução, escala e custos na IA

Representando a AXIA Energia, Vinicius Pabon trouxe uma visão pragmática sobre a implementação de inovação e tecnologia, enfatizando a importância da obsessão por entregar em escala e garantir sinergia entre equipes multidisciplinares.

"Quando damos um problema tecnológico complexo para um time de inovação isolado, ele pode empacar. É preciso orientação, feedback direto do usuário e uma linguagem que favoreça a sinergia entre diferentes mentes", explicou Vinicius.

Pabon também detalhou a matemática por trás dos investimentos em IA generativa: "O custo de desenvolvimento de agentes representa cerca de 15%, enquanto o trabalho com dados consome 50% dos recursos. Implementar IA sem um projeto estruturado gera custos altíssimos apenas para ter algo para apresentar. É preciso teste, custo, resultado e um pipeline claro de investimentos".

Pessoas no centro da transformação

Encerrando o painel, os especialistas reforçaram que a tecnologia é um meio, e não um fim. O fator humano continua sendo o grande diferencial competitivo do varejo.

"Nada do que estamos vivendo hoje será útil se não colocarmos as pessoas como prioridade. A tecnologia melhora resultados, mas jamais podemos esquecer que o atendimento e a essência do negócio dependem de gente", concluiu Ronald Nossig.