festa junina

Tradição lidera, saudabilidade ganha espaço na cesta junina

17/04/2026

Comportamento & tendência
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A Festa Junina mantém seu posto como uma das principais datas sazonais do varejo supermercadista brasileiro, sustentada por tradição, memória afetiva e forte apelo de compras, mas começa a refletir mudanças no comportamento do consumidor, com a saudabilidade ganhando espaço de forma complementar.

Dados da Scanntech mostram que, em 2025, a cesta de produtos típicos juninos apresentou crescimento constante ao longo das semanas de junho e julho, com exceção da última semana de junho. O destaque ficou para julho, que registrou o maior avanço, atingindo 15,5% de participação no total de vendas na quarta semana da celebração, enquanto, na média do período, a cesta representou 14,3% do faturamento do varejo supermercadista.

A composição do consumo reforça o protagonismo dos itens tradicionais, com alimentos doces e ingredientes liderando com 43,3% de participação em valor, seguidos por bebidas, com 32,2%, e alimentos salgados e ingredientes, com 24,4%. Apesar disso, não houve crescimento expressivo em volume em relação a 2024, indicando que o aumento do faturamento foi impulsionado principalmente pela elevação de preços, especialmente na cesta de bebidas, que ganhou maior relevância dentro da sazonalidade.

Segundo Willian Freitas, diretor-administrativo da Dacolônia, o comportamento do consumidor durante o período segue fortemente ligado à tradição. “Os produtos mais procurados continuam muito conectados à Festa Junina, especialmente aqueles que fazem parte do imaginário do consumidor brasileiro. Dentro do nosso portfólio, destacamos principalmente as paçocas, doces e snacks à base de amendoim, além do amendoim em diferentes formatos, que têm forte identificação com a data e alta saída nesse período”, afirma.

Nesse cenário, a saudabilidade aparece como uma tendência em evolução, sem romper com o perfil tradicional da data. “A saudabilidade deve chegar, mas de forma complementar ao consumo tradicional. A Festa Junina é muito ligada à memória afetiva, ao sabor e à experiência, e isso continua sendo o principal motor de consumo.

Por outro lado, existe uma evolução clara no comportamento do consumidor, que hoje está mais atento à composição dos alimentos e busca equilíbrio no dia a dia”, explica o executivo. De acordo com ele, esse movimento abre espaço para produtos com ingredientes mais naturais, melhor perfil nutricional e propostas mais equilibradas, sem substituir os itens clássicos.

“A tradição segue sendo o principal driver de consumo e isso não deve mudar. O que muda é o perfil do consumidor, que busca aproveitar esses momentos com mais consciência. Para a indústria, o desafio é equilibrar esses dois mundos: manter o sabor, a identidade e a experiência da festa, ao mesmo tempo em que se desenvolvem produtos que atendam a essa nova demanda por equilíbrio”, conclui.