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Como marcas próprias invadem supermercados e mudam as regras do jogo
Na quarta palestra do palco Varejo & Negócios da Super Rio Expofood (SRE), especialistas destacaram o avanço das marcas próprias como um dos principais diferenciais competitivos do varejo supermercadista. O painel reuniu Antônio Sá, da AMICCI, e Rodrigo Fonseca, diretor de Inovações do Supermarket Alvorada, que apresentaram dados de mercado e cases práticos sobre o tema. Logo na abertura, Antônio Sá contextualizou o cenário global, ressaltando que as marcas próprias já atingiram um alto nível de maturidade em diversos países — movimento que começa a acelerar no Brasil. Segundo ele, atualmente, cerca de um em cada quatro produtos vendidos no mundo pertence a marcas próprias. Na Europa, esse índice é ainda mais expressivo, chegando a aproximadamente 34%, com países como Espanha, Reino Unido e Suíça registrando participação próxima de 50%. O executivo destacou ainda o caso da rede espanhola Mercadona, referência mundial no tema. A empresa possui cerca de 80% de seu portfólio composto por marcas próprias e lidera o mercado em seu país, demonstrando a força desse modelo quando bem estruturado. Na América do Sul, o avanço também é consistente, com países como Colômbia já atingindo cerca de 16% de participação. O Brasil, por sua vez, ainda apresenta números modestos, entre 3% e 4%, o que, na visão de Sá, revela um grande potencial de crescimento. Consumidor impulsiona mudança de comportamento O cenário econômico global, marcado pela inflação recente, tem sido um dos principais motores dessa transformação. De acordo com estudos apresentados durante a palestra, 91% dos consumidores estão buscando preços mais baixos, enquanto quase 80% afirmam trocar de marca com frequência. Esse comportamento abre espaço para as marcas próprias ganharem relevância, especialmente ao oferecerem melhor custo-benefício. “Quando o consumidor não consegue mais comprar sua marca habitual, ele busca alternativas. É nesse momento que a marca própria pode conquistar confiança”, explicou Sá. Outro dado relevante mostra que o consumo de marcas próprias atravessa todas as classes sociais, com maior adesão tanto nas faixas de renda mais baixas quanto nas mais altas — seja por necessidade ou por escolha estratégica de consumo. Confiança e estratégia são determinantes Apesar do crescimento, os especialistas reforçaram que o sucesso das marcas próprias não depende apenas de preço. A confiança do consumidor é fator decisivo. Dados apresentados indicam que 64% dos consumidores já consomem marcas próprias, enquanto 51% consideram esses produtos no momento da compra. No entanto, a adesão está diretamente ligada à credibilidade construída pela marca. Complementando a visão estratégica, Rodrigo Fonseca apresentou o case da marca própria JVG, desenvolvida com foco em identidade e conexão emocional com o consumidor. Com mais de 300 produtos no portfólio, a marca foi estruturada a partir de categorias bem definidas — como casa, pet, ferramentas, alimentos e saúde — cada uma com identidade própria. Segundo Fonseca, o desafio foi transformar uma marca aparentemente simples em algo relevante para o consumidor. “Não basta apenas colocar uma marca própria na prateleira. É preciso construir significado, gerar identificação e criar hábito de consumo”, destacou. O executivo também enfatizou a importância do design de embalagens e da exposição no ponto de venda. As embalagens são pensadas para criar unidade visual na gôndola, aumentando o impacto e facilitando o reconhecimento pelo cliente. Inovação e valor percebido Outro destaque apresentado foi a criação de linhas colecionáveis, como a coleção inspirada no Rio de Janeiro, com produtos que vão de sacolas retornáveis a itens de uso cotidiano. A estratégia busca gerar valor percebido, estimular a recompra e criar conexão emocional com o consumidor — inclusive transformando os itens em souvenirs. A iniciativa teve forte adesão, especialmente entre turistas, reforçando o potencial das marcas próprias não apenas como alternativa econômica, mas também como ferramenta de diferenciação e fidelização. Oportunidade para o varejo supermercadista O painel deixou claro que o Brasil ainda está em estágio inicial quando comparado a mercados mais maduros, mas reúne condições favoráveis para expansão. Com consumidores mais sensíveis a preço e abertos à experimentação, o varejo supermercadista encontra nas marcas próprias uma oportunidade estratégica para aumentar margens, fortalecer a identidade da rede e fidelizar clientes. A mensagem final dos palestrantes foi direta: mais do que tendência, as marcas próprias já são uma realidade consolidada no mundo — e o Brasil começa a trilhar esse mesmo caminho.
18/03/2026
Por dentro da asserj
Pressão global, consumidor exigente e IA: o tripé que redefine o varejo supermercadista
A terceira palestra do palco Varejo & Negócios da Super Rio Expofood (SRE) reuniu especialistas para discutir os desafios do varejo supermercadista diante das mudanças no comportamento do consumidor e das pressões do cenário global. O painel foi mediado por Ronald Nossig e contou com as participações de Fábio Acayaba e Carolina Augusto. Durante sua apresentação, Acayaba destacou que o varejo vive um momento de alta complexidade, impulsionado por múltiplos fatores simultâneos. Entre eles, a escassez global de mão de obra, as mudanças demográficas — como a redução do tamanho das famílias — e um consumidor cada vez mais exigente. Outro ponto central é a intensificação da concorrência em um ambiente multicanal. Segundo o executivo, o avanço das plataformas digitais ampliou as possibilidades de compra e elevou o nível de competitividade entre diferentes formatos de varejo. “Hoje, o consumidor resolve sua jornada de compra em diversos canais, muitas vezes sem sair de casa”, afirmou. Acayaba também chamou atenção para novas influências no consumo, como o impacto de medicamentos voltados ao emagrecimento e as mudanças no comportamento da Geração Z, que traz novas expectativas tanto para o consumo quanto para o mercado de trabalho. Para ele, empresas que insistem em modelos tradicionais tendem a enfrentar dificuldades para atrair talentos e se manter relevantes. O executivo abordou ainda o conceito de FOMO (fear of missing out), destacando que o excesso de informações e a velocidade das transformações têm gerado insegurança nas lideranças. “Há uma sensação constante de estar perdendo algo importante, o que aumenta a pressão sobre a tomada de decisão”, disse. Segundo ele, esse cenário representa um “novo normal”, no qual esperar estabilidade deixou de ser uma estratégia viável. Para ilustrar caminhos de adaptação, Acayaba apresentou exemplos internacionais, como a The Home Depot, que reorganizou suas lojas com foco na jornada do cliente e integrou operações físicas e digitais; e a Trader Joe's, que apostou em curadoria de produtos exclusivos e experiência diferenciada como estratégia de posicionamento. Na sequência, Carolina Augusto trouxe uma abordagem voltada à tecnologia e à gestão. Segundo ela, a inteligência artificial deixou de ser uma tendência para se tornar infraestrutura básica nos negócios. “Empresas que não incorporarem IA aos seus processos perderão competitividade”, afirmou, citando discussões recentes da NRF Retail's Big Show. A executiva destacou dois principais gargalos para a adoção da tecnologia: a falta de dados estruturados e a deficiência na formação de lideranças. “Sem dados, não há decisão. E sem liderança preparada, não há execução”, resumiu. Carolina também defendeu que a implementação de IA deve partir da estratégia do negócio e da identificação de gargalos operacionais, antes da escolha de ferramentas tecnológicas. Além disso, reforçou a importância do fator humano nesse processo. “A tecnologia potencializa, mas são as pessoas que geram resultado”, afirmou. Ao encerrar, a executiva ressaltou que, em meio a variáveis externas como inflação, juros elevados e instabilidade global, duas dimensões seguem sob controle das empresas: a qualidade da tomada de decisão e o desenvolvimento das equipes. O painel evidenciou que o varejo supermercadista enfrenta um ambiente desafiador, em que adaptação contínua, agilidade estratégica e integração entre tecnologia e pessoas são fatores determinantes para a sustentabilidade dos negócios.
18/03/2026
Por dentro da asserj
Checkout RH destaca saída para falta de mão de obra no varejo
A segunda palestra do palco Varejo & Negócios da Super Rio Expofood (SRE) trouxe à tona um dos maiores desafios atuais do setor: a formação e retenção de mão de obra. Com o tema “Formação e Desenvolvimento de Pessoal em Supermercados”, a apresentação foi conduzida por Rose Pavan, da Checkout RH, com participação de Pedro Santos, executivo da empresa. Logo no início, Rose destacou que a dificuldade de contratação deixou de ser pontual e se tornou uma realidade generalizada no setor supermercadista. Segundo ela, o problema já não está apenas na qualificação, mas na própria disponibilidade de profissionais. “O RH abre vaga, poucas pessoas aparecem. Quando aparecem, muitas não têm experiência. A loja contrata, treina, investe tempo, e em poucas semanas essas pessoas já foram embora. Esse é o cenário que todo supermercadista está vivendo hoje”, afirmou. De acordo com a especialista, o desafio evoluiu ao longo dos anos. Se antes a escassez era concentrada em funções específicas, como padeiros, açougueiros e confeiteiros, hoje atinge praticamente todas as áreas. “Antigamente, a dificuldade era de mão de obra qualificada. Hoje, é de mão de obra. Está cada vez mais difícil encontrar pessoas que queiram trabalhar e enxerguem uma carreira no varejo”, explicou. Nesse contexto, Rose reforçou o papel social dos supermercados como porta de entrada para o primeiro emprego, especialmente entre os jovens. No entanto, ela alertou que o modelo tradicional de contratação precisa ser repensado. “Talvez estejamos fazendo a pergunta errada. Em vez de buscar o candidato perfeito, será que não é melhor formar esse profissional dentro da loja?”, provocou. A alta rotatividade também foi apontada como um dos principais entraves do setor. Segundo ela, o supermercado acaba funcionando como um “trampolim”, o que gera custos constantes com recrutamento, treinamento e desligamento, além da perda do conhecimento adquirido. Como alternativa, a especialista apresentou o programa de estágio como estratégia para desenvolver talentos desde o início e aumentar a retenção. Diferente de outras modalidades, o modelo permite preparar jovens ainda em formação para atuar diretamente nas operações da loja. Na sequência, Pedro Santos, executivo da Checkout RH, destaca saída para falta de mão de obra no varejo detalhou como funciona a aplicação prática do programa dentro dos supermercados. Ele explicou que os estagiários podem atuar de forma polivalente, transitando entre diferentes setores. “O estagiário pode atuar no atendimento, reposição, operação de caixa, empacotamento, conferência de validade, entre outras atividades. Isso traz uma flexibilidade muito grande para a operação”, destacou. Segundo ele, essa característica é especialmente vantajosa em áreas como o caixa, onde há variação de fluxo ao longo do dia. “Se a loja está tranquila, ele pode apoiar em outras funções. Se o movimento aumenta, ele retorna para o caixa. Isso otimiza a operação”, afirmou. Pedro também ressaltou que o programa inclui acompanhamento contínuo, avaliações de desempenho e integração entre teoria e prática, garantindo que o jovem desenvolva habilidades alinhadas às necessidades do negócio. “O objetivo é que, quando o supermercado decidir efetivar esse profissional, ele já esteja preparado e adaptado à cultura da empresa”, explicou. A palestra evidenciou que, diante de um cenário de escassez de mão de obra e alta rotatividade, investir na formação interna deixou de ser uma opção e passou a ser uma estratégia essencial para a sustentabilidade do setor.
18/03/2026
Por dentro da asserj
O segredo por trás do retail media que está impulsionando o varejo
A programação do segundo dia do palco Varejo & Negócios da Super Rio Expofood (SRE) começou com uma discussão estratégica sobre o avanço do retail media e seus impactos no comportamento de consumo. Com o tema “Retail Media: O Varejo Virou o Novo Dono da Audiência?”, a palestra reuniu André Dias, do Supermarket, e Domênico Filho, da Nielsen, que trouxeram análises sobre o novo papel do varejo na disputa pela atenção do consumidor. Logo na abertura, Domênico Filho destacou que o cenário atual é marcado por um consumidor mais complexo, menos fiel e cada vez mais difícil de engajar. Segundo ele, fatores econômicos ajudam a explicar esse comportamento. “Hoje, o consumidor brasileiro está mais multicanal, menos fiel às marcas e aos formatos de loja. Ele busca alternativas para continuar consumindo em um cenário de maior pressão econômica”, afirmou. De acordo com o especialista, apesar de indicadores positivos como a queda do desemprego e aumento da renda, o consumo segue desacelerado. O alto nível de endividamento da população — que atinge cerca de 78% dos brasileiros —, somado a taxas de juros elevadas, limita o poder de compra e muda as prioridades de consumo. Outro ponto levantado foi a presença de “concorrentes invisíveis” do varejo, que também disputam o orçamento das famílias. Entre eles, Domênico citou o crescimento das apostas online. “Hoje, 27% dos lares brasileiros têm pelo menos uma pessoa que realiza apostas. E entre 10% e 15% dessas pessoas já deixaram de comprar itens, inclusive alimentos, por conta disso”, explicou. Além disso, ele alertou para novas tendências que devem impactar o setor, como o uso crescente de medicamentos emagrecedores. “Já temos cerca de 5% dos lares brasileiros utilizando esse tipo de produto, o que deve alterar o padrão de consumo e a demanda por determinadas categorias”, disse. Diante desse cenário, o comportamento de compra também mudou. O consumidor, que antes visitava em média três canais, hoje transita por até nove antes de concluir uma compra. E a decisão no ponto de venda é cada vez mais rápida: cerca de 38 segundos diante da gôndola. “Se ele não compra na sua loja, ele vai procurar em outras. Isso exige uma execução impecável, com produto disponível, preço adequado e exposição eficiente”, reforçou. Nesse contexto, o retail media surge como uma das principais apostas do varejo para ampliar receitas e fortalecer a relação com o consumidor. Domênico explicou que a estratégia vai além da comunicação tradicional no ponto de venda. “Retail media é quando você utiliza os dados da sua audiência para direcionar mensagens personalizadas. Não é apenas colocar uma comunicação na loja, mas falar com o consumidor certo, no momento certo”, destacou. Segundo ele, o movimento já ganha força globalmente. Nos Estados Unidos, o investimento em mídia dentro do varejo já supera o da televisão e deve crescer ainda mais nos próximos anos. No Brasil, o mercado também avança rapidamente, tendo triplicado em três anos e ultrapassado a marca de 1 bilhão de dólares em investimentos. Na sequência, André Dias trouxe uma visão prática sobre como transformar esse potencial em receita. Ele destacou que um dos principais desafios do setor ainda é precificar corretamente os ativos de mídia disponíveis nas lojas. “Muitos varejistas ainda não sabem quanto vale uma fachada, uma tela ou uma ação dentro da loja. E, além disso, têm dificuldade em comprovar o retorno para a indústria”, afirmou. Para ele, o varejo precisa assumir seu papel como veículo de mídia e explorar de forma integrada todos os pontos de contato com o consumidor, da fachada ao ambiente interno e ao digital. “Se o cliente é impactado na fachada, dentro da loja e também no digital, a chance de conversão aumenta muito. O varejo tem um ativo poderoso nas mãos, mas precisa usar dados para transformar isso em valor”, explicou. André também chamou atenção para a importância de mensuração e transparência nos resultados, como forma de atrair mais investimentos da indústria. “Alguém sempre precisa prestar conta. Quando você entrega dados claros de desempenho, a confiança aumenta e o investimento também”, disse. Ao apresentar cases práticos, ele mostrou como ações integradas de retail media podem gerar resultados expressivos, com aumento significativo de vendas e milhões de impactos junto ao consumidor. A palestra reforçou que, diante de um consumidor mais exigente e disperso, o varejo precisa evoluir de um espaço de vendas para um verdadeiro canal de mídia capaz de gerar receita, dados e conexão direta com o público.
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