
Copa do Mundo impulsiona consumo nos supermercados: vendas cresceram 21,3% com o Brasil em campo

Itens mais vendidos nos supermercados brasileiros em dia de jogo da Seleção
Encerrada a Copa do Mundo de 2026, os supermercados começam a avaliar os resultados das ações realizadas durante o torneio e como elas refletiram no comportamento de compra dos consumidores. Ao longo dos 39 dias de competição, com a participação de 48 seleções, o varejo abastecedor aproveitou as diferentes ocasiões de consumo criadas pelos jogos para impulsionar as vendas. Passado o Mundial, os números ajudam a explicar quais estratégias funcionaram e como a presença da Seleção Brasileira em campo influenciou o desempenho das categorias.
Os dados confirmam um importante movimento. O levantamento da Scanntech mostra que o consumo no varejo abastecedor cresceu significativamente em dias de jogos do Brasil. Na fase de grupos, o avanço foi de 12,1%. No consolidado da campanha, o volume de vendas ficou 21,3% acima do registrado nos mesmos dias da semana em 2025 e 2026.
"A explicação está nos jogos decisivos: a cada fase superada, a torcida se animava e se preparava mais para acompanhar a Seleção", afirma o diretor de Inteligência de Mercado da Scanntech, Felipe Passareli.
Os dados mostram uma evolução consistente ao longo da campanha. Contra o Japão, pela segunda fase, o consumo aumentou 20,6%. Já no jogo das oitavas de final, no dia 5 de julho, que culminou na eliminação do Brasil para a Noruega (2 a 1), o avanço chegou a 35,1%, refletindo a expectativa vivenciada pela torcida por uma classificação. O resultado comprova que o consumo foi avançando de forma consistente a cada etapa vencida pela Seleção, algo que vinha sendo indicado desde 2022.
Por outro lado, nos dias em que o Brasil não jogou, o crescimento foi bem mais moderado, de 5,8%. Isso reforça que a presença da Seleção foi o principal motor das vendas durante o torneio.
O que mudou no carrinho de compras com o Brasil em campo?
O hábito de beliscar durante as partidas ganhou ainda mais força. Os snacks lideraram o desempenho, com alta de 241% nos dias de jogos do Brasil, contra 7,9% nas demais datas. Entre os destaques, o amendoim avançou 85% (ante 20,5%), o milho para pipoca cresceu 68,5% (24,6%), a pipoca pronta aumentou 64,4% (14,2%) e o mix de nuts registrou alta de 26,9%, enquanto, nos demais dias, o crescimento foi de apenas 1,7%.
A busca por praticidade também impulsionou os congelados. Os salgados congelados cresceram 58,6% durante as partidas da Seleção, frente a 13% nas demais datas, enquanto a batata congelada avançou 56,1%, contra 22,8%.
Churrasco ganha protagonismo nos jogos da Seleção
O churrasco permaneceu como uma das principais ocasiões de consumo da Copa, especialmente quando o Brasil entrava em campo. O maior destaque foi o pão de alho, que disparou 125,5% nas vendas, enquanto permaneceu praticamente estável (1,2%) nos demais dias do torneio.
A linguiça também apresentou desempenho superior, com alta de 21,6%, frente a 6,7%. Já o bovino in natura cresceu 13,1%, acima dos 9,5% registrados nas demais datas.
"Fica claro que o preparo mais especial era reservado aos dias em que a torcida se voltava para a Seleção Brasileira", observa Felipe Passareli.
Bebidas acompanham o ritmo da torcida
As bebidas também tiveram desempenho muito superior nos jogos da Seleção. A cerveja liderou o segmento, com crescimento de 38,8%, enquanto, nas demais datas, houve retração de 3,3%. O consumo de gelo aumentou 57,3%, ante queda de 17,8%. Já as bebidas alcoólicas prontas (misturas alcoólicas) avançaram 66,2%, frente a 6,5%.
O licor registrou alta de 44,5% (ante 17,3%) e o refrigerante cresceu 17,8%, um resultado superior aos 3,1% observados nos dias sem jogos do Brasil.
Consumidor decidiu a compra em cima da hora
Outro comportamento identificado foi a preferência pelas compras de última hora. Na véspera das partidas da Seleção, as vendas cresceram 8%. Já no próprio dia do jogo, o avanço chegou a 21,3%, indicando que boa parte dos consumidores deixou para abastecer a casa pouco antes do apito inicial. Os dados reforçam o papel do futebol como um dos principais catalisadores de consumo para o varejo abastecedor brasileiro.
"Com o Brasil em campo, o país transforma cada jogo em um evento de consumo e, a julgar pela curva crescente desta edição, o apetite da torcida aumenta à medida que a Seleção avança", conclui Felipe Passareli.

