
Dia do Brigadeiro: com indústria e supermercados, pequenos empreendedores transformam doces em fonte de renda

Presente na memória afetiva dos brasileiros, o Dia do Brigadeiro é celebrado em 10 de setembro
Presente em festas de aniversário, celebrações e na memória afetiva de diferentes gerações, o brigadeiro deixou de ser apenas um doce tradicional para também se tornar uma porta de entrada para o empreendedorismo. No Dia do Brigadeiro, celebrado em 10 de setembro, a história da receita ganha um novo capítulo: para muitos pequenos empreendedores, produzir doces é uma forma de gerar renda e construir o próprio negócio, e o supermercado está no centro dessa rotina.
De acordo com o Sebrae, para mais de 70% dos microempreendedores individuais (MEIs), a atividade do próprio negócio é a única fonte de sustento. Mesmo entre aqueles que conciliam o empreendedorismo com outras formas de renda, em 94% dos casos, a própria empresa continua sendo o principal canal de recursos. Nesse cenário, supermercados e atacarejos têm participação essencial, já que são importantes pontos de abastecimento para doceiros e confeiteiros.
Doce vira negócio para quem começa por conta própria
Uma pesquisa realizada pela Harald ajuda a dimensionar esse perfil: 77% dos profissionais atuam de forma independente, sem funcionários ou equipe. Para quem trabalha sozinho, a possibilidade de produzir em pequena escala, adaptar receitas e atender diferentes ocasiões faz do brigadeiro uma alternativa acessível para começar.
A atividade pode crescer junto com a demanda, passando das primeiras encomendas para vendas por canais digitais, eventos e até negócios especializados. A versatilidade da receita contribui para esse movimento. Criado em 1945, no Rio de Janeiro, o brigadeiro recebeu o nome em homenagem ao candidato à Presidência da República na época, o militar Eduardo Gomes, que tinha o posto de mesmo nome. Desde então, ganhou novos formatos, apresentações e sabores.
“O que temos observado é um movimento contínuo de pessoas que enxergam na confeitaria uma oportunidade concreta de negócio. O brigadeiro tem uma característica especialmente interessante porque combina reconhecimento imediato do consumidor com espaço para criatividade e diferenciação”, destaca Jonatas Fróes, gerente de comunicação da Harald, uma das principais indústrias de chocolate para transformação e referência no mercado especializado, detentora de marcas reconhecidas pelos confeiteiros, como Unique, Melken, Inovare, TOP e Confeiteiro.
Variedade que conquista diferentes públicos
Atualmente, o brigadeiro vai muito além da versão tradicional, preparada com leite condensado, manteiga, chocolate ao leite e granulado. Enrolado, de colher, modelado ou recheado, o doce ganhou uma infinidade de possibilidades, como as versões com leite em pó ou chocolate branco, os chamados gourmet, preparados com chocolates mais nobres e confeitos diferenciados, e sabores de frutas, como morango (bicho-de-pé), maracujá, limão e coco (beijinho).
Também há espaço para combinações como paçoca, churros, pistache e café. Essa diversidade permite que pequenos produtores adaptem o cardápio ao público, à ocasião e ao orçamento de cada encomenda.
Para Jonatas Fróes, da Harald, o crescimento desse mercado vem acompanhado de uma profissionalização dos negócios. O executivo destaca que mercado está cada vez mais profissional, "e isso exige entender não apenas o produto, mas também os desafios de quem empreende". Na avaliação do executivo, existe uma busca crescente por praticidade e diferenciação. Neste cenário, "a indústria tem um papel importante ao ajudar esses profissionais a transformar criatividade em oportunidade de negócio".
Supermercado entra na rotina de quem produz para vender
Se a receita começa na cozinha, a operação do pequeno negócio depende de uma rotina de abastecimento. Assim, os produtos necessários precisam estar disponíveis, muitas vezes em diferentes quantidades e marcas. É nesse ponto que o supermercado ganha relevância para quem transforma doces em fonte de renda.
A experiência dos Supermercados Adonai mostra como essa relação pode ir além da simples oferta de produtos. Em entrevista à ASSERJ, a diretora de Marketing Juliana Terra destaca a presença frequente de confeiteiros e doceiros nas lojas da rede e a importância de oferecer um mix adequado às necessidades desse público.
"A gente recebe muitos confeiteiros e doceiros nas nossas lojas, e faz questão de ter o mix completo pra esse público. Chocolate, leite condensado, chantilly, embalagem, tudo em variedade de marca e gramatura. Quem produz pra vender precisa de preço bom e encontrar tudo no mesmo lugar, e o Adonai entrega isso nas 14 unidades", aponta a gestora.
Para quem trabalha por encomenda, encontrar diferentes insumos no mesmo local pode representar mais praticidade no dia a dia e facilitar a reposição conforme os pedidos aumentam. No Adonai, essa relação é complementada pelo Clube dos Comerciantes, serviço voltado a empreendedores que compram para revender ou utilizar na produção.
"Criamos o Clube dos Comerciantes, voltado justamente pra quem compra no Adonai pra revender ou produzir. A gente enxerga esse cliente como parceiro. Quando o confeiteiro cresce, ele compra mais, volta mais, e todo mundo sai ganhando. É isso que a gente quer: ser parte do crescimento de quem faz acontecer nos bairros e nas comunidades onde estamos", enfatiza Juliana Terra.
Uma relação que movimenta a economia local
A proximidade entre indústria, supermercados e pequenos produtores de doces revela uma relação que vai além do abastecimento. Para quem começa a empreender, o brigadeiro pode ser o primeiro produto de um negócio que tende a se expandir. E, ao longo desse caminho, as três pontas ajudam a sustentar uma cadeia que começa na escolha dos ingredientes e chega à mesa do consumidor.
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