
IPCA de agosto tem maior deflação em quatro anos, e alimentos recuam nos supermercados do Rio

Segundo dados do IPCA, agosto teve queda no preço de diversas categorias de alimentos no Rio de Janeiro
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou, em agosto de 2026, a maior deflação mensal desde agosto de 2022. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve queda de 0,32%. O resultado do oitavo mês do ano reverte a alta de 0,07% observada em julho, representando uma desaceleração de 0,39 ponto percentual no índice geral.
No acumulado de 2026, a inflação está em 3,11%. Já nos 12 meses até agosto, a alta é de 4,22%, abaixo dos 4,44% registrados até julho. A deflação geral do mês foi puxada especialmente pelo grupo de Habitação, que apresentou queda de 1,87% influenciada principalmente pela redução nas tarifas de energia elétrica residencial.
No varejo supermercadista do Rio de Janeiro, o segmento de Alimentação no Domicílio registrou queda de 0,43%, enquanto a média nacional foi de -0,61%. Os números reforçam o movimento de retração nos preços dos alimentos observado nos últimos meses, especialmente em produtos favorecidos pelo aumento da oferta.
Habitação puxa deflação em agosto
De acordo com o IBGE, quatro dos nove grupos pesquisados apresentaram deflação em agosto. Apesar de cinco registrarem aumento, as quedas nos demais grupos foram suficientes para diminuir o índice geral. O maior destaque ficou com Habitação, que recuou 1,87%, seguido por Transportes (-0,86%), Alimentação e bebidas (-0,34%) e Comunicação (-0,09%).
Entre as altas, a maior ocorreu em Despesas pessoais (1,30%), seguida por Artigos de residência (0,64%), Educação (0,47%), Saúde e cuidados pessoais (0,23%) e Vestuário (0,12%).
No segmento de Alimentação no Domicílio, responsável pelos produtos vendidos nos supermercados, o Rio de Janeiro apresentou a oitava menor variação entre as unidades da Federação pesquisadas em agosto, com queda de -0,43%, ficando à frente de Porto Alegre (-0,40%) e Fortaleza (-0,26%).
Batata, cebola e tomate lideram quedas nos alimentos
Entre os produtos comercializados nos supermercados fluminenses, as principais altas foram registradas no frango inteiro (4,74%), frutas (2,38%), alcatra (2,05%), leite longa vida (1,77%), carne de porco (1,59%), alface (0,99%), arroz (0,98%), macarrão (0,90%) e açúcar refinado (0,09%).
Por outro lado, os maiores recuos foram observados na batata-inglesa (-23,65%), cebola (-15,30%), tubérculos, raízes e legumes (-14,75%), couve-flor (-10,89%), tomate (-8,37%), cenoura (-7,59%), ovo de galinha (-2,19%), café moído (-1,68%), feijão preto (-1,48%), sal (-0,69%) e patinho (-0,63%).
A queda nos preços de algumas hortaliças está relacionada, principalmente, ao aumento da oferta proporcionado pela safra de inverno.
Clima pode trazer novas oscilações ao abastecimento
Apesar do alívio recente nos preços dos alimentos, o cenário para os próximos meses exige atenção do setor supermercadista. Com a transição entre os ciclos de produção e a mudança das condições climáticas ao longo da primavera, os preços de frutas, legumes e verduras podem voltar a apresentar oscilações.
Eventos climáticos podem afetar a produção e o abastecimento de determinadas regiões, o que pede maior monitoramento. O cenário reforça a importância de acompanhar a oferta e as condições de produção para antecipar possíveis impactos sobre os preços.
“O momento atual de deflação favorece o poder de compra e pode estimular o consumo nas lojas. No entanto, o mercado de hortifrúti é altamente volátil e reage rápido às transições de estação e aos períodos de seca. O supermercadista deve focar, desde já, na diversificação do mix de produtos. Garantir uma cadeia de suprimentos ampla e boas parcerias comerciais é importante para minimizar os impactos e evitar que imprevistos no caminho cheguem aos preços da gôndola”, destaca o presidente da ALAS e da ASSERJ, Fábio Queiróz.



