
O futuro já chegou: Chris Rynning mostra como a IA é decisiva para o varejo supermercadista

A Convenção das Américas, realizada dentro da 36ª SRE – Super Rio Expofood, abriu o segundo dia de programação com um debate sobre inovação, tecnologia e os impactos da Inteligência Artificial no comportamento do consumidor e na experiência do cliente, tema cada vez mais estratégico para o varejo supermercadista. Reconhecida como o maior evento B2B do setor nas Américas, a SRE reúne lideranças empresariais, especialistas e autoridades para discutir tendências que já estão transformando a forma como empresas se relacionam com seus clientes.
No painel “O Motor da Inovação: Como a Inteligência Artificial Acelera a Experiência do Cliente”, Chris Rynning, sócio-gerente da AMYP Ventures, family office da Piëch/Porsche, mostrou que a IA já influencia profundamente o consumo, a comunicação e as decisões das pessoas, impactando diretamente o varejo e a forma como as empresas constroem a jornada do cliente. Para ele, grande parte da experiência digital atual é mediada por algoritmos que aprendem a manter a atenção do usuário, criando um ambiente altamente personalizado, mas também cada vez mais dependente de estímulos.
“O algoritmo que aprende a manter a sua atenção é IA, que foi criada justamente com esse intuito. É uma corrida pela dopamina, e isso mudou a sociedade, os negócios e o varejo para sempre (...) o algoritmo sabe no que você está interessado. Com isso, é possível alimentar consumidores com mensagens específicas. Isso se chama viés de confirmação e pode nos polarizar como sociedade”, declarou Rynning.
De forma didática, o especialista apontou que esses sistemas são capazes de entender preferências individuais e direcionar conteúdos, ofertas e mensagens de forma extremamente precisa — algo que pode ser positivo para a experiência do cliente quando usado com responsabilidade, mas perigoso quando guiado apenas por interesses comerciais. Ao abordar a chamada “economia da atenção”, Rynning explicou como as marcas passaram a disputar espaço na rotina das pessoas, citando uma frase do padrinho da IA, Charlie Munger: “Me mostre os incentivos e eu lhe direi o resultado”.
“O algoritmo foi construído para maximizar o lucro, mantendo você ali por mais tempo (...) o CEO da Netflix disse que o maior concorrente deles é o sono, porque, se você está dormindo, não está assistindo. Isso é justamente a economia da atenção”, disse Chris Rynning.
Rynning alertou que a nova fase da Inteligência Artificial não se limita mais à disputa pela atenção e passou a avançar para relações cada vez mais próximas entre pessoas e máquinas, o que pode mudar a forma como consumidores tomam decisões e interagem com marcas: “O segundo contato entre a humanidade e as máquinas não é só pela atenção, mas pela amizade e parceria. Muitas pessoas já confiam mais na IA do que em outras pessoas”.
Durante o painel, o executivo da Porsche afirmou que essa mudança pode transformar profundamente o relacionamento entre empresas e consumidores, tornando a experiência mais eficiente, mas também mais sensível a manipulações, se não houver limites claros. Ele chamou a atenção para o crescimento acelerado de conteúdos produzidos por IA, o que pode afetar a confiança do público e a credibilidade das informações.
“Estamos entrando em um momento em que mais conteúdo é criado por máquinas do que por humanos. Talvez grande parte do que você vê hoje já seja produzida por sistemas autônomos”, disse ao público. “Vocês vão voltar às suas casas e falar de IA — talvez seja empolgante —, mas as pessoas mais inteligentes do mundo, que estão trabalhando com sistemas de IA, estão correndo o mais rápido possível. Se perguntar a elas qual a chance de a IA causar a extinção da humanidade, 50% dos engenheiros dizem que há de 15% a 20% de possibilidade de os sistemas como conhecemos erradicarem a humanidade. Isso não é zero, nem 50%, mas um percentual muito alto. É como pegar um avião com 15% a 20% de chance de cair. Você nunca subiria nesse avião, então por que estamos simplesmente correndo rumo a essa supremacia da IA?”, questionou.
Outro ponto abordado foi o impacto da IA no mercado de trabalho e na própria estrutura das empresas, tema que preocupa lideranças do mundo todo e que também afeta o varejo, especialmente em áreas operacionais e de atendimento. Rynning disse que menos jovens graduados estão sendo contratados em sua empresa e que muitas funções podem desaparecer rapidamente — algo que deve ser debatido com seriedade.
Apesar do cenário, Rynning ressaltou que a tecnologia também pode trazer avanços importantes, inclusive para o setor supermercadista, com melhoria de processos, redução de fraudes e personalização de ofertas, tornando a experiência do cliente mais eficiente. “Precisamos das máquinas para lutar contra outras máquinas, detectar fraudes, deepfakes e proteger pessoas e empresas. A tecnologia pode ajudar muito, mas precisa de limites humanos”, enfatizou.
Ao final, o palestrante comparou o momento atual ao chamado “momento Oppenheimer”, em alusão ao criador da bomba atômica, em que a sociedade precisa decidir como usar uma tecnologia poderosa antes que ela avance sem controle: “Somos a geração que vai decidir qual futuro vamos ter. Não podemos chegar daqui a alguns anos achando que poderíamos ter feito mais. Temos que fazer agora”.
Rynning encerrou sua apresentação incentivando empresários e lideranças a participarem ativamente do debate sobre regulamentação, ética e uso responsável da Inteligência Artificial, especialmente em setores que lidam diretamente com o consumidor, como o varejo.
Com debates voltados à inovação, gestão e transformação digital, a 36ª SRE – Super Rio Expofood segue reforçando o papel do evento como espaço estratégico para discutir o futuro do varejo e as novas formas de construir experiências cada vez mais relevantes para o cliente, até a noite desta quinta-feira (19). Confira a programação AQUI!
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