
Mudanças de temperatura impactam vendas no setor de bebidas nos supermercados

Entenda como a mudança de temperatura pode influenciar as vendas nos supermercados
O mês de setembro começou atípico no Rio de Janeiro, com chuvas e termômetros abaixo da média. No entanto, a perspectiva de intensificação do fenômeno El Niño para o restante do segundo semestre, com ondas de calor e períodos alternados de chuva intensa e seca, acende um alerta para o varejo supermercadista. As oscilações climáticas impactam diretamente o setor, influenciando desde o custo e a disponibilidade de produtos agrícolas até o comportamento de compra do consumidor, que altera seus hábitos conforme o clima.
Para entender como as mudanças climáticas influenciam a categoria de bebidas, a Scanntech - empresa líder em inteligência de dados para o varejo e a indústria de bens de consumo de alto giro - cruzou sua base de dados (com leitura de 85% do varejo de alimentos nacional) com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), analisando o período de janeiro de 2022 a março de 2026.
O estudo concluiu que a cada 1ºC de aumento na temperatura, o volume de vendas de bebidas sensíveis ao clima cresce 4,1%. O impacto escala conforme a intensidade da variação. Um aumento de 3ºC, por exemplo, gera um salto de aproximadamente 12,8% no volume dessas categorias. O estudo aponta ainda que o efeito de cada grau adicional permanece positivo em toda a faixa analisada, ganhando ainda mais força nas proximidades dos 30ºC.
O que entra e o que sai do carrinho?
Antecipar a previsão do tempo deixou de ser um mero hábito de checar se é preciso levar guarda-chuva ou casaco. Para o supermercadista, tornou-se uma ferramenta estratégica de gestão de estoque e mix de produtos.
Em dias mais quentes, as categorias voltadas à hidratação e refresco disparam. De acordo com a Scanntech, a Água é líder de consumo, com aumento de +5,7% no volume. Em seguida vem Isotônico (+5,4%) e Cerveja (+5,0%). Veja o ranking:
-
Água: +5,7%
-
Isotônico: +5,4%
-
Cerveja: +5,0%
-
Gelo: +4,9%
-
Energético: +3,8%
-
Chá Pronto: +3,4%
-
Suco: +3,3%
-
Água de Coco: +3,1%
-
Refrigerante: +2,9%
Por outro lado, as bebidas tradicionalmente associadas a dias frios perdem espaço. Vinho e Conhaque lideram as retrações, ambos com queda de 3,2%, seguidos por Tequila (-2,4%) e Licor (-1,1%). Destilados como Cachaça, Whisky e Vodka, também registram tendência de baixa.
Temperatura x calendário
Gerenciar categorias com base no clima exige compreender que o comportamento do consumidor não é ditado por um único fator. O consumo de bebidas resulta de uma sobreposição entre o calendário sazonal e a meteorologia.
"Férias, festas de fim de ano e o ritmo próprio do verão criam ocasiões de consumo que independem do termômetro, enquanto a temperatura age sobre a necessidade imediata de hidratação e refresco. Os dois efeitos convivem no mesmo período do ano, e é justamente por isso que precisam ser medidos separadamente", aponta Felipe Passarelli, head de inteligência de mercado da Scanntech.
Outro ponto de atenção revelado pelo estudo é o recorte regional. Embora o Sul apresente a maior associação entre temperatura e consumo, isso está relacionado à maior amplitude térmica dos estados, ou seja, à maior variação de temperatura ao longo do ano - e não a uma resposta maior do consumo a cada grau adicional. Na prática, a sensibilidade à temperatura é semelhante entre os estados; o que muda é a exposição de cada região às oscilações do termômetro.
Como o supermercado deve se preparar?
Com a projeção de um El Niño forte para os próximos meses, os supermercadistas ganham um incentivo a mais para olhar para o planejamento estratégico sob uma nova ótica. Tratar a previsão do tempo como dado estatístico e não como mero acaso é o que separa a reação tardia de quem se destaca no setor. Em entrevista à ASSERJ, Felipe Passarelli destaca por que é tão importante estar atento aos dados.
"Para o supermercado, o valor desse tipo de leitura é transformar clima em variável de planejamento. Saber que cada grau adicional move 4,1% do volume das categorias sensíveis permite ajustar pedido, abastecimento e exposição antes do calor chegar. E o movimento não é homogêneo: água, isotônico, cerveja e gelo respondem mais rápido ao calor, enquanto vinho e destilados têm seu pico em outras ocasiões e em outros momentos do ano. Com a previsão de um El Niño de intensidade elevada no segundo semestre, entender esse comportamento categoria a categoria ajuda o varejo a calibrar mix, espaço e promoção para a demanda de cada período", esclarece o especialista.
Estudar e planejar todo esse cuidado operacional antes que a onda de calor se instale de vez garante não apenas a satisfação do cliente na jornada de compra, como também protege o faturamento na categoria de bebidas.
Notícias relacionadas
-
Comportamento do consumidor
-
Comportamento do consumidor
Compras fracionadas e descentralizadas: entenda tendência do consumidor moderno
-
Comportamento do consumidor
Vendas nos supermercados do RJ crescem no 1º fim de semana do Rock in Rio impulsionadas por público que assiste de casa
-
Comportamento do consumidor
Copa do Mundo continua nos supermercados: como incentivar as vendas após a eliminação do Brasil



