Entenda como funciona o comportamento de compra do consumidor Imagem de header interno

Compras fracionadas e descentralizadas: entenda tendência do consumidor moderno

Estudo da Neogrid em parceria com a Opinion Box detalha a fragmentação da cesta e a busca por conveniência além do preço

30/09/2026

Comportamento do consumidor
Entenda como funciona o comportamento de compra do consumidor

Entenda como funciona o comportamento de compra do consumidor

A forma como o consumidor faz suas compras no supermercado está em constante transformação. Segundo o levantamento "O Novo Carrinho do Brasileiro", realizado pela Neogrid em parceria com a Opinion Box, o momento atual é marcado por um comportamento de consumo mais "fracionado" e dinâmico, exigindo do setor supermercadista um olhar mais atento à jornada do cliente.

Os dados revelam que o comprador atual circula por diferentes canais com facilidade e está muito mais propenso a trocar de marca ou de estabelecimento ao longo da sua jornada. A tradicional compra única mensal perde espaço para uma rotina de abastecimento distribuída e fragmentada ao longo de todo o mês.

Alta frequência e cesta descentralizada

O estudo aponta que mais da metade dos consumidores vai às compras uma ou mais vezes por semana: 22% compram várias vezes por semana, 33% uma vez por semana e 28% enchem o carrinho de duas a três vezes por mês. Apenas 11% realizam o abastecimento em uma única ida mensal.

Mais do que ir com mais frequência aos pontos de venda, a forma como o carrinho é abastecido mudou radicalmente. Uma mesma rotina de consumo é distribuída em ocasiões e canais distintos, dependendo cada vez menos de uma única ida ao supermercado. De acordo com a pesquisa, apenas 23% dos consumidores compram tudo no mesmo lugar. As motivações para essa descentralização variam:

"A pesquisa mostra que 42% dos consumidores dizem comprar em lugares diferentes para economizar e 39% distribuem categorias entre diferentes estabelecimentos. Isso indica que a fragmentação da cesta está relacionada à maneira como o consumidor procura resolver diferentes necessidades dentro da mesma rotina de abastecimento", explica Leandro Murta, CGVO da Neogrid.

O digital como aliado na jornada híbrida

Nesse cenário de fragmentação, as lojas físicas dividem espaço com os canais digitais. O levantamento revela que a maioria dos clientes já adota um modelo híbrido na hora de abastecer o lar.

Enquanto 22% concentram as compras exclusivamente em um único ambiente (seja 100% físico ou 100% digital), 78% combinam lojas físicas e canais digitais em diferentes proporções (20% compram principalmente online, 25% focam nas lojas físicas e 33% transitam de forma equilibrada entre os dois mundos).

Estar atento a esses números é um diferencial competitivo. A omnicanalidade deixou de ser um conceito de futuro e passou a ser o padrão de consumo atual. Por isso, o supermercadista que compreende essa dinâmica consegue abraçar o cliente em todas as etapas da sua jornada de compra.

Por que o consumidor mudou?

Para além dos números, é fundamental compreender a mentalidade por trás dessas escolhas. O relatório aponta que, mesmo com sinais de melhora nos indicadores econômicos, o consumidor brasileiro continua financeiramente cauteloso. Isso não significa que ele está comprando menos, mas sim que está muito mais seletivo e crítico antes de passar o produto no caixa.

"A frequência semanal está ligada à própria natureza do abastecimento doméstico: alimentos, bebidas, itens de higiene e limpeza fazem parte de uma necessidade recorrente. O que chama a atenção na pesquisa é que essa frequência permanece relativamente estável, enquanto a forma de comprar se tornou mais distribuída. O consumidor pode dividir a reposição da casa entre diferentes momentos, estabelecimentos e canais, avaliando novamente preço, conveniência, proximidade e disponibilidade a cada ocasião", explica Leandro Murta.

Segundo o executivo, o preço deixa de agir de forma isolada. Ele divide espaço com uma série de outras exigências que chamam a atenção do cliente moderno.

"O consumidor também considera disponibilidade, conveniência, proximidade, variedade e facilidade de acesso. Por isso, diferentes formatos de varejo podem assumir funções distintas na mesma jornada. Para a indústria e o varejo, essa dinâmica aumenta a importância de entender onde a demanda está acontecendo e quais fatores fazem o shopper escolher um ponto de compra em detrimento de outro", esclarece Leandro Murta.

O custo de não ter o produto na prateleira

Uma das maiores dificuldades do setor supermercadista é a gestão de estoque. Os números recentes mostram que a tolerância do consumidor mudou bastante em relação a isso.

No levantamento de 2024 da Neogrid, diante de um produto indisponível na gôndola, 37% optavam por um item substituto imediato e 33% procuravam o mesmo item em outro estabelecimento.

A nova pesquisa traz uma nova tendência: quando não encontram o produto, 43% dos consumidores o procuram em outra loja, site ou aplicativo, 34% substituem de imediato por outra marca e 23% compram um similar da mesma marca.

Isso significa que, se antes o cliente aceitava resolver o problema dentro da própria loja substituindo o item, hoje ele prefere migrar para a concorrência (seja física ou digital) para garantir exatamente o que deseja.

Para evitar essa evasão, manter um portfólio amplo e um estoque assertivo é essencial. Além disso, a integração real entre os canais físicos e digitais se tornou um fator diferencial.

Quando uma loja física sofre com a ruptura pontual de um produto de alta demanda, a integração multicanal permite que o operador ofereça rapidamente a opção de compra online com retirada na loja ou entrega. Essa sincronia evita que o consumidor saia frustrado e vá para a concorrência, transformando uma potencial perda de venda em uma experiência positiva de atendimento integrado.

"Cada ida à loja representa uma nova oportunidade de captura, mas também uma nova possibilidade de o consumidor mudar de caminho caso encontre alguma barreira. Por isso, ter visibilidade sobre o comportamento de compra e garantir disponibilidade no momento certo ganha importância estratégica", afirma Leandro Murta.