Homem e mulher brindam segurando cada um uma garrafa long neck de cerveja sem álcool

Nova era das bebidas: cerveja sem álcool ganha espaço nos carrinhos de compras

Dados da Neogrid apontam aumento nas vendas da categoria em 2026

30/06/2026

Comportamento & tendência
Homem e mulher brindam segurando cada um uma garrafa long neck de cerveja sem álcool

Antes considerada um produto de nicho ou para consumo por restrição, a cerveja sem álcool é atualmente uma categoria em forte crescimento no Brasil. Impulsionada por transformações profundas nos hábitos de consumo, a bebida ganha relevância estratégica para a indústria e os supermercados, movimentando o setor em um momento em que o segmento de cervejas tradicionais registra queda nos volumes.

A Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados que desenvolve soluções para a gestão da cadeia de consumo, realizou um levantamento sobre esse cenário no Brasil. Segundo o estudo, a categoria saltou de 2,5% do volume total de cervejas consumidas no país em 2024 para 3,9% em 2026 - um crescimento de 1,4 ponto percentual em apenas dois anos.

Os números registrados nos PDVs também confirmam a tendência. De acordo com os dados da Neogrid, a incidência da categoria nos carrinhos de compras era de 4,44% em 2024. Em 2026, já chegou a 5,6%. Consequentemente, houve um aumento expressivo no ticket médio, que passou de R$ 26,41 para R$ 31,94. Para completar, a média de itens por compra subiu de 4,6 para 5,5 unidades.

Esses indicadores ganham ainda mais relevância quando consideramos que o Brasil já ocupa o posto de segundo maior mercado mundial de cerveja sem álcool, segundo dados da World Brewing Alliance (WBA).

O que impulsiona o consumo de cerveja sem álcool?

A maior busca pela cerveja zero álcool está diretamente atrelada ao novo perfil do consumidor, que está mais focado em saudabilidade, bem-estar e qualidade. Atualmente, a bebida rompe a barreira do consumo por restrições externas (como medicamentos ou direção) e passa a integrar uma variedade muito maior de ocasiões cotidianas.

Marcelo Alves, gerente executivo de dados da Neogrid, explica para a ASSERJ que a bebida vem ganhando espaço na categoria como um todo: "Os dados da Neogrid mostram que a cerveja sem álcool está deixando de ser uma opção restrita a ocasiões específicas e passando a fazer parte da rotina de consumo do brasileiro. Esse movimento acompanha uma mudança de comportamento, com consumidores buscando alternativas que ofereçam mais flexibilidade para diferentes momentos do dia, sem abrir mão da experiência da categoria", afirma.

O especialista destaca ainda que a inovação da indústria dentro da categoria também impulsiona o interesse por parte do cliente. "A evolução da qualidade dos produtos e a ampliação da oferta no varejo contribuem para tornar esse nicho cada vez mais relevante", analisa Alves.

O futuro do mercado: menos álcool e mais estratégia

A ascensão do consumo de cerveja zero álcool preenche o espaço causado pela retração no consumo de bebidas alcoólicas tradicionais. É o que aponta uma pesquisa do Ipsos-Ipec encomendada pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA). 64% dos adultos afirmaram não consumir bebidas alcoólicas em 2025, contra 55% em 2023. Entre os jovens de 25 a 34 anos, a diferença é ainda maior: o índice de não consumidores saltou de 47% para 61%, um aumento de 14%.

Esses números, associados ao aumento no consumo de cerveja sem álcool, mostram que estamos em uma nova era de comportamento do consumidor. Esse é um excelente momento para investir na categoria de bebidas com zero teor alcoólico. "Os indicadores atuais apontam para um ambiente favorável à continuidade da expansão da categoria, embora a velocidade desse crescimento dependa da evolução dos hábitos de consumo e das estratégias da indústria e do varejo. Na Neogrid, observamos um aumento consistente da presença da cerveja sem álcool nos carrinhos de compra, além da elevação do ticket médio e da quantidade de itens adquiridos - sinais de que o segmento vem consolidando sua relevância", analisa Marcelo Alves.

Ele reforça que, a partir dos dados apresentados, o supermercadista pode começar um planejamento eficiente para acompanhar essa transformação, evitando rupturas e aproveitando o potencial de crescimento desse mercado. O supermercado que entende o que o consumidor atual busca consegue sair na frente.

"Para a indústria e o varejo, esse cenário revela a importância de acompanhar essas mudanças de forma contínua, garantindo um planejamento de sortimento e abastecimento capaz de atender uma demanda que vem ganhando espaço de maneira consistente", diz Alves.