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Sazonalidade de verão cria novas oportunidades no varejo supermercadista

28/01/2026

Comportamento & tendência
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O verão tem se consolidado como um período estratégico para o varejo supermercadista, com impactos diretos sobre o mix de categorias, o comportamento do consumidor e as oportunidades de rentabilidade no ponto de venda. Um novo estudo da Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados para a cadeia de consumo, revela que produtos associados a frescor, conveniência e cuidado apresentaram crescimento de até 175% na presença nos carrinhos, reforçando o potencial da estação para geração de valor além do simples aumento de volume.

A análise comparou o início do verão de 2025 com os meses que antecedem o período e avaliou categorias como alimentos, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, carnes e aves e hortifrúti. O levantamento considerou indicadores de incidência, ticket médio e variação de preços, com base na leitura anual de mais de 1 bilhão de notas fiscais em todo o país.

Os dados mostram avanço consistente em categorias-chave para o varejo supermercadista. Em dezembro, a incidência de alimentos cresceu 2,4%, enquanto as bebidas avançaram 3,3%. As bebidas alcoólicas registraram alta de 5,3%, carnes e aves cresceram 5,1% e o hortifrúti apresentou o melhor desempenho do período, com aumento de 7,2% na presença nos carrinhos.

“O verão cria um ambiente favorável para categorias ligadas ao prazer, à praticidade e ao consumo fora da rotina”, explica Anna Carolina Fercher, líder de Dados Estratégicos da Neogrid. “Para o varejo supermercadista, isso significa uma janela importante para trabalhar sortimento, exposição e estratégias comerciais que maximizem valor por transação, não apenas giro.”

Repelentes combinam necessidade, margem e baixa sensibilidade a preço

Entre as categorias analisadas, os repelentes se destacaram como um dos principais vetores de rentabilidade no período. O produto registrou crescimento de 175% na incidência nos carrinhos, acompanhado por alta de 14,6% no ticket médio. O reajuste de preço foi controlado, em 4,9%, o que contribuiu para preservar margens e ampliar o retorno da categoria.

“Os dados indicam que o repelente deixou de ser um item ocasional e passou a ocupar um espaço de necessidade percebida, associado a cuidado e prevenção”, afirma Fercher. “Esse tipo de consumo reduz a sensibilidade ao preço e abre espaço para uma gestão mais eficiente de margem e exposição no ponto de venda.”

Sorvetes ganham frequência e reforçam papel da conveniência

Clássico da estação, o sorvete apresentou aumento de 33,3% na incidência em dezembro na comparação com os meses anteriores. Apesar da leve queda de 0,5% no ticket médio, que ficou em R$ 28,12, o desempenho indica crescimento da frequência de compra, impulsionado por embalagens menores, formatos individuais e consumo por impulso.

Para o varejo supermercadista, o movimento reforça a importância de posicionamento estratégico da categoria, com foco em conveniência, visibilidade e cross merchandising, ampliando o papel do sorvete como item recorrente no carrinho durante o verão.

Cerveja sinaliza premiumização e maior valor por compra

Entre as bebidas alcoólicas, a cerveja manteve a liderança em relevância, mesmo com retração de 4,7% na incidência. O ticket médio, no entanto, avançou 16%, chegando a R$ 38,45, acompanhado de um aumento de 1% no preço médio do produto.

“O comportamento sugere um consumo mais seletivo, com menor frequência, mas maior valor agregado”, analisa Fercher. “O consumidor prioriza ocasiões específicas e experiências, o que favorece marcas premium, embalagens diferenciadas e estilos especiais. Para o varejo e a indústria, isso reforça a importância de um mix bem calibrado e de uma exposição estratégica para capturar valor mesmo em cenários de menor recorrência.”

Bebidas não alcoólicas e hortifrúti ganham protagonismo no verão

Entre as bebidas não alcoólicas, a água de coco se destacou como uma das principais oportunidades da estação. O produto registrou crescimento de 30,5% na incidência e avanço de 8% no ticket médio, alcançando R$ 16,95, sem pressão relevante de preço. O desempenho indica maior disposição do consumidor em pagar por itens associados à hidratação e ao bem-estar.

O hortifrúti, por sua vez, apresentou a maior alta de incidência entre as categorias analisadas, reforçando a busca por alimentos mais leves e refrescantes. Para o varejo supermercadista, a categoria se consolida como um pilar estratégico não apenas de fluxo, mas também de construção de imagem, fidelização e diferenciação.

Execução no PDV e dados orientam decisões estratégicas

Além do sortimento, a pesquisa destaca o papel da execução no ponto de venda como fator decisivo para capturar rentabilidade no verão. Embalagens atrativas, comunicação visual alinhada à estação e formatos práticos contribuem para elevar o tíquete médio e estimular compras por impulso.

“Categorias sazonais exigem leitura constante de dados para ajustar exposição, preços e abastecimento”, destaca Fercher. “A análise em tempo real permite antecipar a demanda, evitar rupturas e potencializar resultados em um período altamente competitivo.”

Para o varejo supermercadista, o estudo da Neogrid reforça que o verão não deve ser tratado apenas como um pico de vendas, mas como uma oportunidade estratégica para trabalhar margem, mix e experiência do consumidor de forma integrada e orientada por dados.

Segundo Fercher, o desempenho reflete uma mudança na percepção do consumidor. “O repelente deixa de ser visto apenas como um item ocasional e passa a ocupar um espaço de necessidade, ligado à prevenção e ao cuidado, especialmente em um contexto de maior atenção a questões sanitárias, como a dengue”, explica.

Sorvetes ganham frequência, mesmo com tíquete menor

Símbolo tradicional do verão, o sorvete também apresentou crescimento relevante, com alta de 33,3% na incidência em dezembro em relação aos meses anteriores. O tíquete médio da categoria teve leve retração de 0,5%, chegando a R$ 28,12, o que indica um aumento da frequência de compra, especialmente de embalagens menores e formatos individuais.

O movimento aponta para um consumo mais imediato e recorrente, impulsionado por conveniência e acessibilidade, sem perda de relevância da categoria no dia a dia do consumidor.

Bebidas refletem lazer, hidratação e consumo mais seletivo

Entre as bebidas alcoólicas, a cerveja manteve a liderança como principal escolha dos consumidores no período. Apesar da queda de 4,7% na incidência, o tíquete médio avançou 16%, alcançando R$ 38,45, acompanhado de um aumento de 1% no preço. Para a Neogrid, o comportamento indica um movimento de premiumização.

“O consumidor está comprando cerveja com menor frequência, mas optando por produtos de maior valor agregado”, analisa Fercher. “Isso sugere um consumo mais seletivo e ocasional, associado a momentos específicos de lazer e socialização. No verão, há espaço para pequenos luxos acessíveis, com foco em experiência e qualidade.”

Já entre as bebidas não alcoólicas, a água de coco se destacou como um dos principais símbolos da estação. O produto registrou crescimento de 30,5% na incidência e avanço de 8% no tíquete médio, chegando a R$ 16,95, sem variações relevantes de preço. O desempenho reforça a valorização de produtos ligados à hidratação, saúde e bem-estar.

Categorias de frescor ganham protagonismo no ponto de venda

Além do volume vendido, o estudo aponta que categorias associadas a frescor, leveza e praticidade apresentam maior potencial de rentabilidade no verão. Hortifrúti e bebidas não alcoólicas avançam tanto em incidência quanto em tíquete médio, sem pressão significativa de preços, o que indica maior disposição do consumidor em pagar por esses itens.

Do ponto de vista da execução no ponto de venda, fatores como embalagens atrativas, comunicação visual alinhada à estação e formatos práticos ou individuais contribuem para capturar mais valor por transação, estimulando compras por impulso e elevando o retorno, não apenas o giro.

Planejamento orientado por dados é diferencial competitivo

Para o varejo supermercadista, os dados reforçam a importância de planejamento e leitura atenta do comportamento do consumidor ao longo do verão. Categorias ligadas a frescor, conveniência, lazer e cuidado pessoal tendem a ganhar protagonismo e exigem atenção especial em sortimento, exposição e abastecimento.

“Nesse cenário, a análise de dados em tempo real se torna um diferencial estratégico para antecipar a demanda, evitar rupturas e capturar de forma mais eficiente o potencial de consumo típico da estação”, conclui Fercher.