
2026 coloca a experiência no centro do varejo supermercadista

Os indicadores consolidados de 2025 ajudam a desenhar com mais clareza o cenário que o varejo supermercadista brasileiro deve enfrentar em 2026. Dados do Índice de Ruptura da Neogrid, que mede a falta de produtos nas gôndolas dos supermercados, mostram avanços relevantes na capacidade de planejamento e abastecimento do setor, ainda que desafios estruturais persistam.
Em dezembro de 2025, o índice atingiu 11,4%, registrando alta de 0,2 ponto percentual em relação a novembro. No entanto, no acumulado do ano, a média anual ficou em 12,28%, uma redução de 0,81 p.p. frente a 2024, quando o indicador encerrou em 13,09%. Para Robson Munhoz, Chief Relationship Strategist da Neogrid, o comportamento do indicador ao longo do ano revela um amadurecimento operacional do setor.
“Esse leve aumento da ruptura em dezembro é um movimento esperado, influenciado principalmente pelo ajuste operacional típico do fim do ano, quando parte da indústria reduz o ritmo de produção e entregas”, analisa Munhoz. “Ainda assim, o fechamento de 2025 mostra uma evolução positiva no abastecimento, com uma média anual inferior à de 2024, refletindo um planejamento mais eficiente ao longo do ano.”
É justamente essa leitura dos resultados de 2025 que sustenta uma perspectiva mais previsível para 2026. Segundo o especialista, “Os movimentos observados ao longo de 2025 podem indicar que o varejo supermercadista em 2026 apresente um cenário de maior previsibilidade operacional, ainda que marcado por desafios estruturais no abastecimento. A redução da média anual de ruptura mostra uma evolução consistente na capacidade de planejamento e execução da cadeia”, afirma Munhoz. Ele ressalta que esse avanço é resultado direto de decisões cada vez mais orientadas por dados e de uma coordenação mais eficiente entre indústria, varejo e distribuidores.
Apesar do ganho operacional, o executivo chama atenção para um fator que deve pressionar o setor em 2026: a menor tolerância do consumidor a falhas na experiência de compra. Nesse contexto, a ruptura deixa de ser apenas um indicador logístico e passa a ter peso estratégico.
“O consumidor está menos tolerante a falhas na experiência de compra, o que amplia o impacto estratégico da ruptura. Isso significa que a ausência de um produto deixa de ser apenas um problema operacional e passa a afetar diretamente a fidelização e a percepção de valor de marca”, destaca.
A projeção para 2026, portanto, aponta para um ambiente em que disponibilidade, personalização e experiência caminham de forma indissociável. Dados da pesquisa Consumo e Fidelização no Brasil, realizada pela Neogrid em parceria com o Opinion Box, reforçam essa mudança de lógica: 84% dos brasileiros aceitam a personalização com base no histórico de compras, desde que ela gere valor real.
“Esse número reforça que o uso de dados ultrapassa a competitividade comercial e desempenha um papel central na construção de relevância”, explica Munhoz. Em uma jornada cada vez mais híbrida, na qual o consumidor não diferencia mais canais físicos e digitais, qualquer fricção — seja a ruptura na gôndola ou a indisponibilidade no e-commerce — tende a impactar diretamente a percepção de marca.
Com base nesse cenário, o varejo supermercadista que se destacar em 2026 será aquele capaz de operar de forma preditiva e genuinamente centrada no consumidor. Tendências apontadas pela consultoria WGSN indicam que a integração entre canais, a personalização baseada em dados e o uso intensivo de tecnologia deixam de ser diferenciais e passam a ser condições mínimas para competir.
Outro ponto de atenção para o próximo ano é a evolução dos programas de fidelidade, que tendem a migrar de modelos puramente transacionais para estratégias focadas em vínculo emocional, sustentadas por experiências mais fluidas, conveniência e ganho de tempo. “São atributos pelos quais 41% dos consumidores afirmam estar dispostos a pagar mais, segundo o estudo Consumo e Fidelização no Brasil”, pontua Munhoz.
Assim, os resultados observados em 2025 não apenas explicam o desempenho recente do varejo supermercadista, como também servem de base concreta para projetar 2026: um ano de maior previsibilidade operacional, porém com exigência crescente por excelência na experiência, uso inteligente de dados e redução contínua de rupturas como fator-chave de competitividade.

