
Cofres inteligentes ganham espaço no varejo para otimizar a gestão de cédulas

Acompanhando as tendências globais e até indo além, o Brasil passou por transformações nos métodos de pagamento nos últimos anos. Além do Pix, as carteiras digitais fizeram com que o dinheiro físico perdesse espaço, principalmente no cotidiano dos mais jovens que preferem as facilidades tecnológicas. Contudo, longe dos holofotes, as cédulas continuam circulando, inclusive em grande escala, gerando desafios para o varejo abastecedor. Embora possa haver a percepção de que "ninguém mais usa dinheiro", estabelecimentos como supermercados, atacadistas e lojas de conveniência operam com volumes diários consideráveis.
De acordo com dados do Banco Central, o dinheiro em circulação no Brasil ultrapassou os R$ 349 bilhões somente em cédulas e moedas em 2025. Já o Banco Mundial aponta que 38% das compras no varejo brasileiro ainda são feitas em espécie, índice que pode ultrapassar 60% em regiões periféricas e no interior. Para Haiton Santos, diretor comercial da Sesami, empresa que oferece soluções para segurança, operações de automação em PDV, melhoria de produtividade e gestão no segmento bancário e varejista, o problema não é o uso do dinheiro vivo, mas como ele é gerido.
O especialista avalia que lidar diariamente com grandes quantidades de dinheiro acabam levando muitas empresas a lidar com problemas considerados evitáveis, como perdas financeiras, divergências de caixa, risco de segurança, custos elevados com transportes de valores, erros humanos e interrupções operacionais. Haiton Santos aponta que o valor gasto somente para controlar dinheiro em espécie pode consumir até 20% do montante movimentado.
Neste cenário, os supermercadistas e outros representantes do varejo passam a aderir soluções de automação e gestão de numerário capazes de reduzir riscos e aumentar a eficiência operacional das empresas. “Por isso, contar com a ajuda da tecnologia é essencial. Muitas empresas ainda tratam a gestão de numerário de forma manual, vulnerável e pouco estratégica. Isso gera perdas silenciosas todos os dias”, disse o especialista à ASSERJ.
O executivo aponta que apesar do crescimento dos pagamentos digitais, os desafios relacionados ao numerário ainda fazem parte da rotina das empresas. Contudo, há uma mudança de comportamento do setor: somente no último ano, a demanda por cofres inteligentes cresceu cerca de 20%, mostrando que os varejistas estão buscando modernizar sua segurança e rastreabilidade financeira.
“O Pix certamente revolucionou a experiência de pagamento do consumidor, mas o varejo ainda movimenta numerário diariamente e precisa administrar tudo isso com eficiência, segurança e rastreabilidade”, explica Santos.
O varejo brasileiro registrou R$ 36,5 bilhões em perdas no ano passado, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Prevenção e Perdas (Abrappe) e KPMG. A Sesami aponta que as perdas no manuseio e transporte de dinheiro representam de 0,3% a 0,7% do faturamento anual do varejo. Assim, uma empresa que fatura R$ 1 bilhão por ano pode acumular até R$ 7 milhões em prejuízo.
Um dos modelos da marca, o D2 possui capacidade de depósito manual e um slot antipesca para proteger os valores. Com capacidade para 2,5 mil cédulas, o cofre inteligente também realiza registros em tempo real, gerenciamento remoto e oferece a possibilidade de inserir várias moedas em um mesmo depósito.
“Quando existe excesso de processos manuais, aumentam os erros, o tempo de conferência, as divergências de caixa e até os riscos de segurança. A tecnologia permite automatizar esse fluxo, reduzir perdas e dar mais inteligência operacional para o varejista”, destaca Haiton Santos.
Em um momento em que o varejo supermercadista busca aumentar a eficiência, reduzir custos operacionais e melhorar a experiência do consumidor sem comprometer a rentabilidade, ignorar desafios operacionais pode custar caro. Nesse contexto, mecanismos de segurança, como os cofres inteligentes, contribuem para uma gestão mais eficiente e segura, com potencial para impactar positivamente o faturamento dos negócios.
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