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Desenrola vai destravar o consumo no varejo supermercadista?

05/05/2026

Economia
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O elevado nível de endividamento das famílias brasileiras segue como um dos principais freios para o consumo no varejo supermercadista. Dados da Scanntech apontam que esse cenário tem provocado uma mudança no comportamento do consumidor, marcada pela chamada “primarização” do consumo, quando itens essenciais passam a dominar o carrinho de compras, além da redução no volume de unidades vendidas.

Diante desse contexto, o Governo Federal anunciou, na manhã desta segunda-feira (4), uma nova fase do programa Desenrola Brasil, com o objetivo de facilitar a renegociação de dívidas e estimular a recuperação do poder de compra da população. A adesão será realizada por meio de plataformas digitais, e os consumidores poderão utilizar até 20% do saldo do FGTS para quitar débitos, ampliando o alcance da iniciativa.

A expectativa é que a medida tenha reflexos diretos no varejo supermercadista, considerado um termômetro do consumo das famílias. Para o professor Ricardo Teixeira, o setor deve ser um dos principais beneficiados com a retomada gradual da capacidade financeira dos consumidores.

“À medida que o consumidor endividado consegue reduzir ou até eliminar suas dívidas, há uma tendência natural de retomada do consumo. Esse recurso que antes era destinado ao pagamento de débitos passa a ser direcionado para despesas do dia a dia, especialmente com alimentação e itens básicos comercializados pelos supermercados”, avalia.

Na mesma linha, o economista Mauro Rochlin reforça que o alívio financeiro pode destravar o consumo no curto e médio prazo. “Havendo redução no endividamento, e, consequentemente, no gasto com juros, aumenta a renda disponível para consumo”, afirma.

O especialista destaca ainda que, embora o impacto não seja imediato, a melhora no equilíbrio financeiro das famílias pode contribuir para uma recomposição do mix de compras ao longo dos próximos meses, com possível retomada de categorias que vinham perdendo espaço.

Vale ressaltar que dados do Banco Central do Brasil revelam que, atualmente, 130 milhões de brasileiros estão endividados. Já o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil, publicado em março pela Serasa, mostra que 59,33% da população do estado do Rio de Janeiro está impactada pelo problema.