Cebola e batata inglesa estão entre os itens que registraram alta em abril

Inflação desacelera em abril, mas alta dos alimentos mantém alerta nos supermercados do Rio

Varejo abastecedor fluminense registra alta de 1,30%, com destaque para aumentos em hortifruti, leite e carnes

12/05/2026

Economia
Cebola e batata inglesa estão entre os itens que registraram alta em abril

Após a desaceleração observada em abril, a inflação voltou a registrar alta no Brasil, puxada principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos e bebidas, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de o avanço do IPCA no mês ter sido menor do que o registrado em março, o resultado mantém o sinal de alerta para o orçamento das famílias e para o varejo supermercadista.

No balanço de abril, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil, subiu 0,67%. Apesar da alta, o resultado representa uma desaceleração em relação a março, quando os preços avançaram 0,88%. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice registra elevação de 4,39%.

Já especificamente no varejo supermercadista do Rio de Janeiro, a inflação da alimentação no domicílio teve alta de 1,30% no quarto mês do ano, patamar ligeiramente inferior à média nacional, de 1,64%. O resultado reforça a retomada do avanço dos preços no setor, após quedas registradas em janeiro e fevereiro e do início da recuperação em março.

Grupo de alimentos e bebidas puxa inflação de abril
Segundo o IBGE, todos os nove grupos pesquisados apresentaram variação positiva em abril. O principal responsável por pressionar a inflação no Brasil foi o grupo Alimentação e bebida que subiu 1,34% em abril, com alta acumulada de 3,44% no primeiro quadrimestre de 2026. O segmento é seguido por Saúde e cuidados pessoais (+1,16%), Artigos de residência (+0,65%), Habitação (+0,63%), Comunicação (+0,57%), Vestuário (+0,52), Despesas pessoais (+0,35%), Educação (+0,06%) e Transportes (%0,06%).

No setor de Alimentação no Domicílio, que concentra os alimentos e bebidas vendidos no varejo supermercadista, o Rio de Janeiro registrou a oitava menor inflação entre os entes federativos pesquisados, com alta de 1,30%, a frente somente de Fortaleza (CE) (0,92%) e Salvador (BA) (1,07).

Dos alimentos e bebidas vendidos nos supermercados do Rio, as principais altas de abril foram: cenoura (+25,03%); melão (+14,7%) cebola (+13,85%); leite longa vida (+12,51%); batata inglesa (+9,53%) e acém (+6,72).

Já entre as quedas, se destacam: mamão (-7,04), limão (-5,87%); maçã (-5,13%); tomate (-3,90%); banana d'água (-3,32) e batata-doce (-2,51).

Inflação segue em alta, mas apresenta desaceleração
O valor dos alimentos segue pressionando a inflação, como demonstrado em abril. Mas, apesar de o grupo concentrar parte relevante da alta dos preços no mês, houve desaceleração em relação a março, quando a elevação foi de 0,88%. Entre os principais impactos estão produtos bastante presentes na mesa dos brasileiros, em um cenário marcado pela redução da oferta de alguns itens e pelo aumento dos custos logísticos.

“O avanço dos preços também reflete os impactos do cenário internacional sobre os combustíveis e a cadeia logística. Tensões geopolíticas envolvendo países como Estados Unidos e Irã acabam pressionando o setor de energia e gerando efeitos em toda a cadeia de abastecimento. Diante desse contexto, o supermercadista precisa reforçar o monitoramento do mercado, ampliar o diálogo com fornecedores e buscar alternativas para reduzir impactos operacionais”, destaca o presidente da ASSERJ, Fábio Queiróz.

Além dos alimentos, os reflexos da instabilidade internacional também atingem os fretes de produtos importados e o setor de embalagens, impactados pelo aumento das matérias-primas e pelas dificuldades logísticas. Apesar das especulações sobre possível escassez no mercado, o abastecimento segue normalizado. Ainda assim, supermercadistas já relatam aumento de até 60% no custo das embalagens em alguns casos.