
IPCA-15 desacelera em julho com queda nos preços dos alimentos; veja os impactos para os supermercados

Em julho, as principais quedas entre os itens de Alimentação no Domicílio foram nos preços do tomate, batata e café
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, registrou alta de 0,06% em julho, segundo dados divulgados nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou 0,35 ponto percentual abaixo da taxa de junho (0,41%) e veio abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,22%.
Em 2026, o IPCA-15 contabiliza alta de 3,51%. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,52%, abaixo dos 4,80% registrados no período imediatamente anterior.
Para o varejo supermercadista, o resultado sinaliza um ambiente de inflação mais controlada, especialmente pela redução dos preços dos alimentos. Ainda assim, especialistas recomendam cautela. Apesar do alívio observado neste levantamento, parte da desaceleração está ligada a fatores sazonais e oscilações de oferta, o que não garante uma tendência permanente de queda dos preços nos próximos meses.
Energia elétrica pressiona inflação
Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, Habitação apresentou a maior variação e o maior impacto sobre o índice, com alta de 0,97% no mês.
O principal responsável pelo avanço foi o aumento de 3,03% na energia elétrica residencial, reflexo da adoção da bandeira tarifária amarela e de reajustes em estados como Rio de Janeiro (4,88%), Curitiba (12,85%), Porto Alegre (5,05%), São Paulo (2,65%) e Belo Horizonte (1,37%).
Alimentos registram queda e aliviam orçamento das famílias
Na direção oposta, o grupo Alimentação e Bebidas, que havia sido um dos principais responsáveis pela inflação no mês anterior, apresentou retração de 0,66% em julho.
O movimento foi impulsionado principalmente pela queda de 1,14% na Alimentação no Domicílio, contribuindo para aliviar, ainda que de forma pontual, o orçamento das famílias.
Entre os produtos que mais recuaram estão o tomate (-19,95%), a batata-inglesa (-10,03%) e o café moído (-3,13%), cenário que também pode abrir espaço para ajustes nas estratégias promocionais e no sortimento das redes supermercadistas.
Em entrevista à ASSERJ, o economista Leonardo de Castro Lima, gerente da LCA Consultoria Econômica, explicou os fatores que contribuíram para a redução dos preços.
“A explicação para a queda do tomate e da batata-inglesa é semelhante. São produtos com ciclo produtivo curto, capacidade limitada de armazenamento e oferta bastante sensível ao clima e ao calendário das colheitas. Por isso, mesmo pequenas alterações na quantidade que chega aos atacadistas podem provocar variações relevantes de preço”, afirmou.
Segundo o economista, a intensificação da safra de inverno aumentou a disponibilidade de tomate no mercado.
“O clima mais seco reduz perdas e favorece a produtividade, ampliando a oferta. No caso da batata, o avanço da colheita também aumentou a quantidade disponível. Quanto ao café moído, provavelmente há um repasse defasado das quedas anteriores do café em grão. Como os preços vêm apresentando forte oscilação, o resultado capturado pelo IPCA-15 pode ser temporário.”
Nem todos os alimentos ficaram mais baratos
Apesar das quedas registradas em alguns produtos, outros itens seguiram em alta. Os principais aumentos foram registrados pela cebola (7,10%) e pelo pão francês (0,65%), movimento que pode influenciar o comportamento do consumidor e estimular substituições entre categorias.
De acordo com Leonardo, a redução dos preços de parte dos alimentos também pode alterar a dinâmica das vendas nos supermercados.
“Para os supermercadistas, a leitura é um pouco diferente. A queda do preço médio pode desacelerar o faturamento nominal, ainda que o volume vendido aumente. Ao liberar parte da renda das famílias, preços menores podem favorecer a compra de maiores quantidades ou o consumo de outros produtos.”
“O efeito sobre as margens dependerá da velocidade e da intensidade com que a redução dos custos de aquisição é repassada ao consumidor. Se o custo do supermercado cair mais ou mais rapidamente do que o preço nas gôndolas, pode haver ganho de margem. Caso a concorrência acelere o repasse ao consumidor, esse efeito tende a ser menor”, explicou.
Embora o cenário seja positivo para o consumidor, o economista destaca que os supermercadistas devem acompanhar atentamente a evolução dos custos de reposição. A velocidade com que as reduções chegam às gôndolas continuará sendo determinante para preservar margens e definir estratégias comerciais ao longo dos próximos meses.

