
IPCA desacelera em junho e Rio de Janeiro registra uma das menores inflações do país na alimentação

Rio de Janeiro registra queda nos preços dos alimentos em junho, aliviando o bolso das famílias fluminenses
Os preços de alimentos e bebidas perderam força em junho, após meses de altas mais intensas, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tenha registrado alta de 0,16% no sexto mês do ano, o resultado ficou bem abaixo dos 0,58% observados em maio. Apesar da desaceleração, o varejo supermercadista deve manter a atenção voltada para os próximos meses.
No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,64%, abaixo dos 4,72% registrados até maio. Já no acumulado de 2026, o IPCA soma 3,36%.
No Rio de Janeiro, a inflação da Alimentação no Domicílio registrou queda de 0,35% em junho, resultado levemente inferior à média nacional, de -0,39%. O desempenho indica uma redução dos preços dos alimentos após um primeiro semestre marcado por altas, ainda que em ritmo moderado.
Segundo o IBGE, sete dos nove grupos pesquisados apresentaram variação positiva em junho. O maior impacto veio de Habitação, com alta de 0,63%, seguido por Despesas Pessoais (+0,25%), Saúde e cuidados pessoais (+0,23%), Artigos de residência (+0,23%), Comunicação (+0,19%), Transporte (+0,17%) e Vestuário (+0,17%). Educação registrou leve queda de 0,02%. Já Alimentação e Bebidas apresentou a maior retração do mês, com redução de 0,24%.
No segmento de Alimentação no Domicílio, que reúne os produtos comercializados pelos supermercados, o Rio de Janeiro registrou a quinta menor inflação entre todas as unidades da federação pesquisadas em junho, com queda de 0,35%, atrás de Belo Horizonte (MG), com -1,30%, Belém (PA), com -1,23%, Salvador (BA), com -0,94%, e Recife (PE), com -0,63%.
Entre os produtos vendidos nos supermercados fluminenses, as principais altas foram registradas pelo alho (+13,36%), feijão preto (+7,39%), cebola (+7,28%), tomate (+5,63%), cenoura (+5,20%), batata inglesa (+3,89%) e queijo (+2,74%).
Já entre as maiores quedas estão açúcar refinado (-7,48%), café moído (-5,59%), maçã (-5,33%), óleo de soja (-4,53%), batata-doce (-4,40%), laranja pera (-3,73%), alcatra (-3,46%), carne de porco (-3,35%) e azeite de oliva (-2,68%).
Diferentemente dos meses anteriores, Habitação foi o grupo com maior alta, enquanto a queda nos preços de Alimentação e Bebidas foi a principal responsável por conter o IPCA em junho. Entre os itens que mais chamam atenção estão açúcar, café e produtos de hortifrúti, que seguem apresentando oscilações importantes.
Para o presidente da ASSERJ, Fábio Queiróz, o resultado é positivo, mas não elimina os desafios enfrentados pelo setor:
"A desaceleração da inflação dos alimentos é uma boa notícia, principalmente para as famílias. Mas ainda não podemos falar em estabilidade. A cesta de compras continua bastante heterogênea, com produtos registrando quedas importantes enquanto outros seguem pressionando o orçamento do consumidor. Esse cenário exige atenção dos supermercadistas, que precisam acompanhar o mercado de perto para manter o abastecimento, preservar a competitividade e buscar as melhores oportunidades de preço".
Com o resultado de junho, o cenário aponta para um maior equilíbrio dos preços. Ainda assim, a possibilidade de um Super El Niño no segundo semestre e a instabilidade provocada por conflitos internacionais, que continuam pressionando combustíveis e fertilizantes, devem manter o setor em alerta nos próximos meses, já que esses fatores impactam diretamente os custos, a logística e o abastecimento.

