
O que o IPCA-15 de janeiro revela sobre os preços dos alimentos?

O IPCA-15, prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,20% em janeiro, segundo dados divulgados pelo IBGE, resultado ligeiramente abaixo das projeções do mercado. No acumulado de 12 meses, o índice atingiu 4,50%, permanecendo acima da meta central de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), mas ainda dentro do intervalo de tolerância.
Para o varejo supermercadista, o dado reforça um cenário de inflação resistente, marcado por pressões pontuais em categorias estratégicas e por um consumidor cada vez mais atento aos preços. A leitura do indicador exige cautela, já que pequenas variações mensais podem gerar impactos relevantes na formação de preços e na dinâmica do consumo nas lojas.
O grupo Alimentação e bebidas, de maior peso no índice e diretamente ligado ao desempenho do setor, acelerou de 0,13% em dezembro para 0,31% em janeiro. O avanço foi puxado principalmente por itens in natura e proteínas, categorias mais voláteis e com impacto imediato no carrinho de compras.
Entre os destaques de alta no período estão o tomate, com avanço de 16,28%, a batata-inglesa, com 12,74%, as frutas, com 1,65%, e as carnes, com 1,32%. Esses movimentos tendem a pressionar o ticket médio e influenciar decisões de substituição por parte do consumidor.
Por outro lado, alguns produtos relevantes da cesta básica registraram queda de preços, como o leite longa vida (-7,93%), o arroz (-2,02%) e o café moído (-1,22%), contribuindo para um alívio pontual no orçamento das famílias e abrindo espaço para ajustes táticos no sortimento e nas ações promocionais.
Segundo André Braz, coordenador de Índices de Preços do FGV IBRE, três vetores foram decisivos para moldar esse resultado. “O comportamento do câmbio, os desdobramentos do comércio internacional e o desempenho do setor agropecuário”, revela.

