
Parcerias com influenciadores ganham força como estratégia no varejo supermercadista

À medida que o varejo supermercadista busca novas formas de se conectar com a Geração Z, as parcerias com influenciadores digitais surgem como uma estratégia cada vez mais relevante para conquistar atenção, engajamento e, principalmente, fidelidade. Em um cenário em que as redes sociais deixaram de ser apenas canais de comunicação para se tornarem verdadeiros ambientes de descoberta e compra, especialistas apontam que os criadores de conteúdo podem ser a ponte entre os supermercados e um público jovem que valoriza autenticidade e identificação.
A Geração Z já representa uma fatia significativa do consumo e tende a ampliar ainda mais seu impacto nos próximos anos. Em 2024, esse grupo concentrava um poder de compra estimado em US$ 984 bilhões, segundo dados da Kantar Retail IQ. Trata-se de consumidores altamente conectados, que utilizam as redes sociais não apenas para entretenimento, mas também para descobrir marcas, produtos e experiências.
Esse comportamento é confirmado por pesquisas de mercado. De acordo com a Inmar Intelligence, quase 60% dos consumidores descobrem novos produtos por meio das redes sociais, tornando esses canais o principal motor do chamado comércio social. Além disso, 78% afirmam que a reputação de uma marca nas redes sociais é um fator muito importante no momento da decisão de compra. Ainda assim, apesar de estarem presentes em plataformas populares como Instagram e TikTok, muitos supermercados enfrentam dificuldades para manter uma presença consistente e realmente engajadora.
Uma análise de grandes redes do setor mostra que, embora os perfis publiquem com frequência, o desempenho das postagens é irregular, com variações significativas de curtidas, visualizações e interações. Em geral, o conteúdo se concentra na apresentação de produtos, receitas e dicas culinárias, muitas vezes inspiradas no estilo dos próprios influenciadores. No entanto, quando esse material parte diretamente da marca, tende a ser percebido como publicidade tradicional, o que limita seu alcance e impacto.
Para Ranjana Choudhry, vice-presidente sênior de mídia e plataformas de dados da Inmar Intelligence, a solução passa por “deixar que os influenciadores assumam a liderança” no marketing digital do varejo supermercadista. Em vez de tentar se comportar como criadores de conteúdo, os supermercados podem se beneficiar ao colaborar com quem já construiu comunidades engajadas e relações de confiança com seus seguidores.
Essa tendência vem ganhando força no marketing como um todo. Dados da Sprout Social indicam que 59% dos profissionais da área planejam ampliar parcerias com influenciadores em relação a anos anteriores, com destaque para marcas B2C, como as do varejo supermercadista, que costumam realizar um volume maior desse tipo de colaboração. Sorteios, patrocínios, avaliações de produtos e criação de conteúdo conjunto estão entre os formatos mais utilizados.
O diferencial dos influenciadores está na capacidade de unir entretenimento e jornada de compra em interações mais significativas e orientadas à descoberta. Segundo a Inmar, mais de 80% dos consumidores já compraram produtos com base em recomendações de criadores de conteúdo. O dado chama ainda mais atenção ao revelar que 80% afirmam que comprariam algo indicado por um criador, independentemente do tamanho de sua audiência, reforçando a força dos chamados microinfluenciadores.
Além disso, os influenciadores oferecem maior flexibilidade em um ambiente digital em constante mudança. Episódios recentes, como a instabilidade temporária do TikTok, mostraram que o alcance das marcas pode ser rapidamente impactado por fatores externos. Já os criadores tendem a manter sua audiência fiel, que os acompanha em diferentes plataformas, levando consigo a atenção — e o poder de compra para onde forem.
Outro ponto central é a autenticidade. De acordo com a Inmar, 73% dos consumidores confiam nos criadores de conteúdo tanto quanto ou até mais do que em anúncios tradicionais. Para potencializar esse fator e medir resultados com mais precisão, os supermercados podem recorrer às redes de mídia de varejo, ampliando o conteúdo dos influenciadores em seus próprios canais digitais e conectando engajamento a desempenho de vendas.
Esse modelo permite identificar quais parcerias realmente geram impacto, facilitando a escolha de influenciadores cujas audiências estejam alinhadas ao perfil de clientes da rede. Sem esse tipo de tecnologia, o varejo seria obrigado a trabalhar com suposições, sem clareza sobre o retorno das ações.
Ainda de acordo com Choudhry, o comportamento do consumidor jovem é claro: “Eles não seguem a marca do varejista, eles seguem o criador. E, se o criador os direciona para um varejista específico, é para lá que eles irão”. Para o varejo supermercadista, entender essa dinâmica pode ser decisivo para ganhar relevância em um mercado cada vez mais disputado e orientado pela influência digital.
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