Representantes da Granado e Lupo debatem sobre empresas familiares e como manter o legado vivo

Rio Innovation Week: representantes da Granado e Lupo debatem como marcas centenárias podem continuar relevantes

Painel no Conecta Varejo aborda o fio condutor que une a origem e o futuro de marcas consagradas.

07/08/2026

Conecta
Representantes da Granado e Lupo debatem sobre empresas familiares e como manter o legado vivo

Representantes da Granado e Lupo debatem sobre empresas familiares e como manter o legado vivo

Dando continuidade ao último dia de Rio Innovation Week, o palco Conecta Varejo recebeu o painel "Fio do Tempo" com duas referências de empresas centenárias e adoradas pelos brasileiros: Sissi Freeman, diretora de marketing e vendas da Granado, e Daniela Lupo, conselheira da Lupo e referência em cultura organizacional, legado e transformação.

Durante o bate-papo, mediado por Levindo Santos, senior advisor da G5 Partners, a dupla compartilhou experiências e refletiu como história, memória, cultura e inovação se fortalecem para blindar marcas e organizações ao longo das décadas.

Mesmo com mais de um século de mercado, as duas empresas seguem vivas e relevantes por causa do fio invisível do tempo, que une origem, propósito e futuro. Quer saber mais? Veja a seguir os principais destaques do painel!

A história por trás das marcas

Levindo Santos iniciou a conversa explicando que o tema central do papo é legado. "Família e trabalho são duas das forças mais importantes da vida. A família nos dá valores, identidade. O trabalho nos dá propósito, sustento e estímulo", pontuou, ressaltando que a união de ambas as esferas é poderosa, mas complexa.

Daniela Lupo é membro da quarta geração da Lupo, empresa que vai completar 106 anos e foi fundada por seu bisavô. Ela contou que ele teve dez filhos, deixando muitos sócios e grupos familiares. "Nenhum nunca saiu da empresa. Esse é o valor intangível do amor e da construção do legado", destacou.

Presidente do Conselho de Família e membro do Conselho de Administração da companhia, Daniela contou que atua no centro das decisões, equilibrando desafios com muita honra. A história da Lupo começou quando seu bisavô, Henrique, chegou ao Brasil em 1888, fugindo dos conflitos da unificação italiana. Sem conhecer ninguém, foi parar em Araraquara, no interior paulista, e continuou o ofício do pai como relojeiro.

Para Daniela, o conceito do fio do tempo é central em sua trajetória. "Ele consertava o tempo e, depois, foi tecê-lo. É sempre bom quando olhamos o legado de uma empresa familiar, o fio invisível que conduz uma vida. E ele fez isso muito bem", refletiu, mencionando a responsabilidade de honrar o nome da família e a estrutura de trabalho gerada para tantas pessoas.

Na sequência, Sissi Freeman detalhou a trajetória da Granado, fundada há 156 anos por um imigrante que chegou ao Rio de Janeiro e começou a trabalhar em uma botica na Praça XV, estabelecimento que posteriormente adquiriu.

“A Família Imperial estava aqui, então logo tínhamos o título de farmácia imperial do Brasil”, disse.  Com o apoio de seu irmão farmacêutico, iniciou-se o cultivo de ervas em Teresópolis, dando origem a itens emblemáticos como o polvilho antisséptico e o sabonete de glicerina.

Anos depois, sem herdeiros diretos, o neto do fundador quis garantir a perpetuidade do negócio e chamou o pai de Sissi para encontrar um comprador. Comprada em junho de 1994, semanas antes da chegada do Plano Real, a empresa passou por uma reestruturação profunda. "Tenho um trabalho que eu amo demais. É um privilégio poder trabalhar com algo tão bacana. Mas também é uma responsabilidade muito grande porque os consumidores são muito fiéis e apaixonados", afirmou Sissi, que atua na Granado desde 2004.

Atualização constante e inovação no varejo

Como manter uma história antiga atualizada? O segredo, segundo as executivas, é a sintonia com as tendências e o uso estratégico da tecnologia.

Daniela destacou o sucesso da Lupo Esporte, divisão que mais cresce na companhia justamente por incorporar tecnologia e agregar valor ao produto. "Entender o mundo para fazer com que os produtos continuem desejados e úteis para a nossa geração é um desafio", disse, lembrando que a operação hoje lida com mais de 20 mil produtos e 35 mil pontos de venda. Para dar conta desse volume, a agilidade se tornou palavra de ordem, com o e-commerce integrado direcionando pedidos diretamente para o franqueado mais próximo. "Não podemos nos acomodar", alertou.

Do lado da Granado, Sissi relembrou que, há 32 anos, quando seu pai adquiriu a empresa, muitos pedidos ainda eram feitos pelo correio. "O que o consumidor final vê bastante são as lojas e os produtos, mas também teve um trabalho em termos de logística e automação", destacou.

Além da modernização logística, a marca apostou em uma reformulação completa da identidade visual e na criação de lojas-conceito. "Resolvemos fazer dessa loja um show. Não dava para ser só talco e sabonetes, e não dava para ficar só na mão de alguns compradores de atacado. Com isso, conseguimos diversificar nossas lojas, contar uma história e trazer experiência", pontuou, citando também iniciativas como lojas internacionais e até uma sorveteria temática com fragrâncias da marca.

O futuro e a sucessão familiar

Olhando para frente, Levindo questionou como as líderes projetam o futuro dos negócios. Daniela relembrou momentos críticos em que a empresa precisou se reinventar e projetou os próximos passos: "A sexta geração já está à caminho. É difícil manter a família muito junta, cada um mora em um lugar do mundo. Então, procuramos encontros anuais para tentar se reconhecer. Mesmo que alguns sócios comecem a sair, espero que alguns familiares fiquem para manter isso. É o meu sonho", confessou.

Sissi acrescentou que também tem o desejo da família se manter firme nos negócios, apesar de entender que isso não depende apenas de sua vontade. “Nós criamos os filhos para serem independentes, damos as ferramentas e temos que sonhar que vai dar tudo certo”, comentou. O empreendedorismo, inclusive, já está no DNA da família, com a filha mais velha já tendo criado até mesmo uma marca de perfumes na escola.

Para Sissi, o foco é sempre ser uma boa referência para que as filhas sigam os seus próprios sonhos. “Pelo trabalho, acabo precisando viajar bastante e não consigo estar tão presente em eventos de escola, mas mostro muito para elas que estou presente. Elas entendem, gostam, curtem e sabem que eu faço uma coisa que sou apaixonada”, concluiu.