
Pressão global, consumidor exigente e IA: o tripé que redefine o varejo supermercadista

A terceira palestra do palco Varejo & Negócios da Super Rio Expofood (SRE) reuniu especialistas para discutir os desafios do varejo supermercadista diante das mudanças no comportamento do consumidor e das pressões do cenário global. O painel foi mediado por Ronald Nossig e contou com as participações de Fábio Acayaba e Carolina Augusto.
Durante sua apresentação, Acayaba destacou que o varejo vive um momento de alta complexidade, impulsionado por múltiplos fatores simultâneos. Entre eles, a escassez global de mão de obra, as mudanças demográficas — como a redução do tamanho das famílias — e um consumidor cada vez mais exigente.
Outro ponto central é a intensificação da concorrência em um ambiente multicanal. Segundo o executivo, o avanço das plataformas digitais ampliou as possibilidades de compra e elevou o nível de competitividade entre diferentes formatos de varejo. “Hoje, o consumidor resolve sua jornada de compra em diversos canais, muitas vezes sem sair de casa”, afirmou.
Acayaba também chamou atenção para novas influências no consumo, como o impacto de medicamentos voltados ao emagrecimento e as mudanças no comportamento da Geração Z, que traz novas expectativas tanto para o consumo quanto para o mercado de trabalho. Para ele, empresas que insistem em modelos tradicionais tendem a enfrentar dificuldades para atrair talentos e se manter relevantes.
O executivo abordou ainda o conceito de FOMO (fear of missing out), destacando que o excesso de informações e a velocidade das transformações têm gerado insegurança nas lideranças. “Há uma sensação constante de estar perdendo algo importante, o que aumenta a pressão sobre a tomada de decisão”, disse. Segundo ele, esse cenário representa um “novo normal”, no qual esperar estabilidade deixou de ser uma estratégia viável.
Para ilustrar caminhos de adaptação, Acayaba apresentou exemplos internacionais, como a The Home Depot, que reorganizou suas lojas com foco na jornada do cliente e integrou operações físicas e digitais; e a Trader Joe's, que apostou em curadoria de produtos exclusivos e experiência diferenciada como estratégia de posicionamento.
Na sequência, Carolina Augusto trouxe uma abordagem voltada à tecnologia e à gestão. Segundo ela, a inteligência artificial deixou de ser uma tendência para se tornar infraestrutura básica nos negócios. “Empresas que não incorporarem IA aos seus processos perderão competitividade”, afirmou, citando discussões recentes da NRF Retail's Big Show.
A executiva destacou dois principais gargalos para a adoção da tecnologia: a falta de dados estruturados e a deficiência na formação de lideranças. “Sem dados, não há decisão. E sem liderança preparada, não há execução”, resumiu.
Carolina também defendeu que a implementação de IA deve partir da estratégia do negócio e da identificação de gargalos operacionais, antes da escolha de ferramentas tecnológicas. Além disso, reforçou a importância do fator humano nesse processo. “A tecnologia potencializa, mas são as pessoas que geram resultado”, afirmou.
Ao encerrar, a executiva ressaltou que, em meio a variáveis externas como inflação, juros elevados e instabilidade global, duas dimensões seguem sob controle das empresas: a qualidade da tomada de decisão e o desenvolvimento das equipes.
O painel evidenciou que o varejo supermercadista enfrenta um ambiente desafiador, em que adaptação contínua, agilidade estratégica e integração entre tecnologia e pessoas são fatores determinantes para a sustentabilidade dos negócios.
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