
Anvisa comunica recolhimento de lote de água mineral Crystal após identificação de bactéria

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) comunicou nesta quarta-feira, 3 de junho, o recolhimento voluntário que gerou a suspensão da comercialização, distribuição e uso de um lote da água mineral natural sem gás da marca Crystal após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras do produto. A medida se aplica exclusivamente ao Lote P 200126, fabricado pela Mineração Bom Jesus Ltda., em Luziânia (GO). A empresa integra o Sistema Coca-Cola, responsável pela marca Crystal.
Segundo informações encaminhadas à Anvisa, o lote é composto por aproximadamente 374,4 mil garrafas de 500 ml, distribuídas para o Distrito Federal e municípios dos estados de Goiás, Tocantins e São Paulo.
De acordo com a agência reguladora, a investigação teve início após uma coleta de rotina realizada pela Vigilância Sanitária do Distrito Federal. A presença da bactéria foi identificada em análise laboratorial e posteriormente confirmada por contraprova, resultando na emissão do Laudo de Análise Fiscal Definitivo nº 76.CP.0/2026. Após a confirmação, o lote foi interditado e o caso comunicado à Anvisa, que, ao ser inteirada, determinou o recolhimento dos produtos e a suspensão de sua comercialização.
A empresa informou à Agência que iniciou imediatamente o processo de recolhimento junto aos distribuidores, que já está sendo finalizado, e estima que cerca de 99,2% das unidades não estejam mais disponíveis para venda ao consumidor.
"A detecção de Pseudomonas aeruginosa em água mineral indica possível falha no processo de captação, envase, higienização ou armazenamento do produto. Trata-se de um microrganismo oportunista, capaz de formar biofilmes e persistir em ambientes úmidos, aumentando o risco à saúde de consumidores imunocomprometidos. Sua presença compromete a qualidade microbiológica da água e exige investigação imediata da origem da contaminação", destaca Flávio Graça, consultor de Alimento Seguro da ASSERJ.
Ainda segundo o especialista, "o potencial risco à saúde está relacionado à possibilidade de causar infecções oportunistas, especialmente em indivíduos com sistema imunológico debilitado, como pacientes hospitalizados, idosos e pessoas com doenças crônicas. Entre as infecções associadas estão infecções respiratórias, urinárias, cutâneas e, em casos mais graves, septicemia. Apesar do rastreio do produto indicar que o lote afetado não veio para o Estado do Rio de Janeiro, comerciantes devem estar atentos a fim de retirar o produto caso seja identificado", aponta Flávio Graça.
Como identificar o lote afetado
Os estabelecimentos devem verificar a presença das seguintes informações na embalagem:
- Lote: P 200126
- Identificação impressa: LZ1 VAL 200127 3 P 200126
- Validade: 20/01/2027
Distribuição do lote
Segundo a empresa, as unidades foram destinadas para:
- Distrito Federal: 230.443 garrafas;
- Goiás: 66.768 garrafas;
- São Paulo: 75.750 garrafas;
- Tocantins: 1.439 garrafas.
A Anvisa informou que, até o momento, as evidências apontam que a ocorrência está restrita ao lote alvo da medida sanitária. Segundo a Agência, o lote foi distribuído apenas para as localidades apontadas. O rastreamento realizado até o momento indica que o lote afetado não foi destinado ao Estado do Rio de Janeiro, porém, a ASSERJ orienta os associados a verificarem seus estoques e interromperem imediatamente a comercialização caso identifiquem unidades pertencentes ao lote informado, já que por meio de distribuidoras, o produto pode ter chegado ao RJ.
O caso segue sendo acompanhado pelos órgãos de vigilância sanitária e pela agência reguladora. À ASSERJ, a empresa declarou que desde a notificação, emitida em janeiro, foram realizadas análises em mais de 300 amostras no processo e nos produtos, todas com resultados negativos para quaisquer microrganismos indicadores de contaminação. Ainda segundo o comunicado, não há indicação de que esse lote ainda esteja disponível no mercado devido ao seu alto giro.
Consumidores e supermercadistas que eventualmente possuam unidades do lote P 200126 (leia-se na embalagem LZ1 VAL 200127 3 P 200126) devem entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) para orientações sobre substituição ou reembolso por meio dos contatos 0800 061 5000 ou contato@brasal.com.br.
Confira o posicionamento da Mineração Bom Jesus (MBJ) enviado à ASSERJ:
"Reforçamos nosso compromisso permanente com elevados padrões de qualidade e segurança, reconhecidos internacionalmente, e seguimos cooperando de forma técnica, responsável e transparente com as autoridades competentes.
Os consumidores podem manter a confiança no consumo dos produtos da marca, enquanto a empresa avança nas avaliações necessárias para o completo esclarecimento do caso junto aos órgãos reguladores. Reiteramos, por fim, que a marca Crystal é produzida a partir de diferentes fontes de água mineral em todo o território nacional, de acordo com o engarrafador responsável em cada região, todas devidamente licenciadas e fiscalizadas pelos órgãos competentes.
Ressaltamos que esta medida se refere exclusivamente ao lote mencionado, envasado pela Mineração Bom Jesus (MBJ), não havendo qualquer relação com outros lotes ou produtos da marca Crystal. A unidade fabril permanece operando normalmente e cumprindo rigorosamente os mais elevados padrões de qualidade e segurança, com processos certificados, monitoramento contínuo e total conformidade com a legislação vigente."
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