
Anvisa mantém suspensão de produtos da Ypê e cobra plano de recolhimento

A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu por unanimidade, nesta sexta-feira (15), manter a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de linhas de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da Ypê com numeração final 1.
Durante a reunião, os diretores avaliaram que as medidas adotadas pela empresa até o momento foram insuficientes para afastar os riscos sanitários identificados pela fiscalização. Nos votos, os integrantes da diretoria citaram um “histórico recorrente de contaminação microbiológica” e apontaram falhas nos processos de controle de qualidade e fabricação.
Apesar de manter a suspensão dos produtos, a Anvisa decidiu retirar a obrigatoriedade de recolhimento imediato dos lotes. Com isso, a empresa deverá apresentar um plano de ação baseado em análise de risco para conduzir o recolhimento dos produtos, permitindo o acompanhamento técnico da agência e eventual liberação gradual dos lotes.
O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, afirmou que o caso não envolve um episódio isolado. “Não se trata de um problema isolado, mas de um conjunto de evidências técnicas que indicam falhas no controle do processo de fabricação”, declarou.
A medida atinge todos os lotes de detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes com numeração final 1. A suspensão foi adotada após uma avaliação técnica conduzida pela Anvisa em conjunto com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, a partir de inspeção realizada com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e a Vigilância Sanitária de Amparo (SP), onde está localizada a unidade da Química Amparo, fabricante da marca.
Segundo a agência, a fiscalização identificou descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade. A Anvisa também informou ter identificado a bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca.
Ainda de acordo com a agência, os problemas comprometem o cumprimento das Boas Práticas de Fabricação de saneantes e representam risco de contaminação microbiológica dos produtos.
Após a publicação da resolução de suspensão, a empresa apresentou recurso administrativo com pedido de efeito suspensivo, o que interrompeu temporariamente as obrigações impostas pela Anvisa até a deliberação final da Diretoria Colegiada.
Em nota divulgada no último dia 8 de maio, a agência informou que mantinha a avaliação técnica de risco e orientou os consumidores a não utilizarem os produtos atingidos pela medida. A Anvisa também destacou que cabe à empresa orientar os consumidores sobre os procedimentos de troca, devolução ou ressarcimento por meio do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).
Vale reforçar que a ASSERJ orienta os supermercadistas a verificarem imediatamente seus estoques, retirarem o produto da área de venda e registrarem formalmente o processo de recolhimento, conforme exigido pelos órgãos reguladores, garantindo a segurança dos consumidores. O cumprimento rigoroso dessas medidas é fundamental para preservar a saúde pública e a confiança no varejo supermercadista.
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