Escola ASSERJ promove curso obrigatório de manipulação de alimentos

Escola ASSERJ e IVISA-Rio capacitam profissionais em higiene e manipulação de alimentos

Em curso realizado nesta quinta-feira (13), Flávio Graça, especialista da ASSERJ, abordou normas sanitárias e boas práticas essenciais para o setor

13/08/2026

Por dentro da ASSERJ
Escola ASSERJ promove curso obrigatório de manipulação de alimentos

Escola ASSERJ promove curso obrigatório de manipulação de alimentos

A Escola ASSERJ, em parceria com a IVISA-Rio, realizou nesta quinta-feira (13) o curso "Noções Básicas de Higiene e Boas Práticas de Manipulação de Alimentos em Serviços de Alimentação", ministrado pelo especialista em Alimento Seguro da ASSERJ, Flávio Graça. O objetivo da capacitação é garantir que os participantes conheçam os principais riscos à biossegurança em serviços de alimentação, compreendam os procedimentos essenciais na manipulação de itens e saibam como aplicar as boas práticas no dia a dia profissional.

O treinamento foi direcionado aos manipuladores de alimentos - profissionais que atuam na produção, coleta, transporte, preparo e distribuição. Durante o encontro, o especialista apresentou os principais riscos de contaminação, explicou as normas de higiene necessárias para o setor e destacou a importância do cumprimento da legislação vigente. Ao final da aula, os participantes realizaram uma avaliação para a obtenção do certificado.

O curso é obrigatório, de acordo com a Lei nº 1.662/91, para todos aqueles que trabalham diretamente com gêneros alimentícios, seja em supermercados, lanchonetes, restaurantes ou em qualquer outro tipo de estabelecimento.

Importância das boas práticas

Flávio Graça explicou aos participantes que as boas práticas são medidas fundamentais que devem ser adotadas por todos os serviços de alimentação. "É um conjunto de normas que, aplicadas, reduzem os riscos sanitários. Para que todos sigam as boas práticas, elas tiveram que virar lei", comentou.

Esses cuidados reduzem a contaminação dos alimentos e evitam a ocorrência das Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DTHA). Atualmente, existem mais de 250 tipos dessas condições no mundo, e a estimativa é de que 77 milhões de pessoas sofram com elas anualmente.

O especialista alertou ainda que a contaminação pode acontecer através de muitos agentes. No caso dos físicos, alguns exemplos incluem presença de adornos, fios de cabelo, cílios, esmalte, pedaços de vidro ou plástico, palha de aço e até fragmentos de insetos. Já os agentes químicos são os famosos inseticidas e produtos de limpeza inadequados. Por fim, os agentes biológicos englobam bactérias, vírus, fungos e parasitas.

Para completar, Flávio apontou atitudes diárias que contribuem para a contaminação: o contato direto das mãos com a comida, a circulação de ar externo, o uso de ventiladores na área de manipulação, lixeiras abertas e a presença de animais no espaço. Ele lembrou que os agentes contaminantes encontram as condições ideais para se proliferar em ambientes ricos em nutrientes, úmidos e na temperatura ideal. "Se estiver na temperatura que a bactéria gosta, você terá um grande problema", ressaltou, destacando a importância de ter cuidado no armazenamento dos alimentos.

Boas práticas na prática

Flávio Graça ajudou os participantes a identificarem o que torna um ambiente seguro. "Quando falamos de ambientes, não é só a área de manipulação. Temos que falar também de vestiários, banheiros, lavatórios para mãos. Tudo isso junto é o que favorece a higiene da pessoa e da mercadoria, garantindo que o trabalho flua de uma maneira adequada", afirmou.

O especialista apontou também que "bagunça anda junto com falta de higiene". Por isso, a conservação, a organização e a limpeza são cuidados primordiais. Outro ponto essencial é a iluminação adequada, que permite enxergar detalhes como a sujeira ou o corte da carne, com o cuidado de posicionar as lâmpadas de forma a evitar acidentes.

A higienização da caixa d'água a cada 6 meses, a utilização de gelo filtrado, o uso de telas de proteção nas janelas e a vedação correta dos ralos sãos mais itens da lista de exigências para manter um ambiente seguro.

Atitudes do manipulador de alimentos

É papel do manipulador avisar sempre que estiver doente (mesmo que seja um simples resfriado ou apenas um corte na mão), zelar pela qualidade dos produtos, usar os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e participar de treinamentos contínuos. Além disso, é obrigatório o uso de vestimenta adequada, com avental impermeável, calçados fechados e toucas.

Durante o curso, o especialista reforçou que a lavagem correta das mãos é um dos hábitos mais importantes. Para exemplificar, relembrou que, durante a pandemia, houve uma queda brusca nos níveis de doenças associadas à contaminação por alimentos, justamente pelo aumento da frequência de higienização com água, sabão e álcool em gel.

Segundo ele, o processo no ambiente profissional é mais complexo do que no cotidiano. "Quando eu lavo as mãos? Antes e depois de preparar os alimentos, quando trocar de um alimento para outro, tocar no lixo ou em dinheiro, quando for no banheiro ou mexer na limpeza", explicou, detalhando o passo a passo correto para o procedimento.

Informações do setor e resultados do curso

Em meio ao crescimento da busca por alimentação saudável, Flávio Graça também aproveitou para manter os participantes informados e explicou as classificações dos alimentos: in natura, processados, 'coadjuvantes' (óleos, gorduras, sal e açúcar) e ultraprocessados. Compreender essas diferenças ajuda a manuseá-los corretamente e a identificar quais produtos oferecem maior risco à saúde.

"Deem preferência aos in natura e, em segundo lugar, aos processados. Comecem a cortar os alimentos ultraprocessados da lista de vocês", aconselhou.

Ao final da capacitação, os participantes saíram habilitados para promover um ambiente de trabalho mais seguro e eficiente, tanto para os consumidores quanto para si mesmos. Para o analista de RH da ASSERJ, Gabriel Scafuto, o curso trouxe uma visão profissional e assertiva sobre o tema:

"Foi uma experiência enriquecedora atuar em conjunto ao Flávio Graça no curso de Noções Básicas de Higiene e Boas Práticas de Manipulação de Alimentos. Proporcionou um conteúdo técnico e objetivo, contribuindo para o fortalecimento dos conhecimentos e das boas práticas na manipulação de alimentos", concluiu Scafuto.