
Estabilidade econômica traz cautela e planejamento ao varejo supermercadista; entenda!

A redução da previsão de inflação para 2026 para 3,91%, segundo o Boletim Focus do Banco Central, reforça um cenário de relativa estabilidade econômica no país. A estimativa permanece dentro do intervalo considerado adequado pelo Conselho Monetário Nacional e sinaliza um ambiente menos pressionado para os preços ao consumidor. Para o varejo supermercadista, a perspectiva representa um indicativo positivo, embora o início do ano ainda seja marcado por custos elevados em itens essenciais.
Apesar da leve melhora nas projeções, despesas como energia elétrica e combustíveis continuam pressionando a cadeia de abastecimento, impactando diretamente os custos operacionais das lojas e a logística de distribuição. Esses fatores mantêm a atenção do setor voltada para a gestão de despesas e para a preservação das margens.
Como instrumento de controle da inflação, o Banco Central mantém a taxa básica de juros em patamar elevado, com a Selic atualmente em 15% ao ano. Embora o mercado financeiro projete a possibilidade de queda gradual dos juros ao longo do ano, caso o cenário de estabilidade se confirme, o crédito segue caro no curto prazo, o que exige planejamento financeiro mais rigoroso por parte das empresas.
O ambiente econômico também aponta crescimento moderado. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 é de alta de 1,82%, indicando expansão sem grandes oscilações. Esse ritmo tende a sustentar o consumo, ainda que de forma cautelosa, com consumidores mais atentos a preços, promoções e marcas com melhor relação custo-benefício.
Além dos fatores internos, o cenário internacional adiciona elementos de incerteza que podem influenciar o desempenho das empresas brasileiras. Segundo Pedro Ros, CEO da Referência Capital, medidas como a imposição de tarifas comerciais aumentam a volatilidade e podem afetar setores exportadores.
“A medida eleva o grau de incerteza externa e pode reduzir a competitividade de alguns setores brasileiros no curto prazo, pressionando margens e decisões de investimento. No agregado, o impacto sobre o PIB tende a ser moderado, mas o canal de confiança pode amplificar efeitos setoriais. Em momentos assim, o crédito estruturado costuma avançar por oferecer previsibilidade e soluções sob medida para empresas que precisam ajustar fluxo de caixa e reorganizar passivos.”
Na avaliação de Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, o cenário de maior incerteza reforça a necessidade de planejamento financeiro e de soluções de financiamento mais estruturadas.
“A imposição de tarifas amplia o nível de incerteza externa e pode afetar diretamente empresas exportadoras, pressionando margens e fluxo de caixa. Embora o efeito sobre o PIB brasileiro deva ser moderado no agregado, o impacto setorial pode ser relevante. Nesse cenário, o crédito estruturado tende a ganhar espaço porque oferece alternativas mais flexíveis e customizadas de financiamento, especialmente para empresas que precisam reorganizar capital de giro ou mitigar riscos comerciais.”
Para o varejo supermercadista, o conjunto de fatores aponta um cenário de estabilidade com desafios. Inflação sob controle tende a preservar o poder de compra das famílias, mas custos operacionais ainda elevados e juros altos exigem eficiência na gestão, negociação com fornecedores e atenção ao fluxo de caixa. Ao mesmo tempo, a previsibilidade econômica pode favorecer decisões de investimento mais seguras ao longo do ano, especialmente se o ciclo de queda dos juros se confirmar.

