flv supermercado

FLV em números: os 97% que sustentam o setor e os 57% que acendem o alerta

22/04/2026

Comportamento & tendência
flv supermercado

O setor de frutas, legumes e verduras (FLV) vem consolidando seu papel como um dos principais motores de atração e rentabilidade no varejo supermercadista. Mais do que uma área operacional, o espaço tem sido tratado como uma verdadeira ferramenta estratégica para aumentar o fluxo de clientes, elevar o ticket médio e fortalecer a percepção de valor dentro das lojas.

Para o especialista em varejo Dimas Dantas, o ponto de partida está na forma como o setor é apresentado ao consumidor. “A primeira função do FLV é atrair o cliente. A segunda é fazer ele comprar mais”, afirma. Segundo ele, a execução faz toda a diferença: “E nada cumpre melhor esse papel do que um FLV montado no formato de banca de feira: exposição aberta, volume alto, cor, iluminação forte e produto fácil de pegar.”

A lógica por trás desse modelo é direta. “O cliente compra FLV pelo olho. Quando ele enxerga abundância, ele entende duas coisas imediatamente: frescor e qualidade, além da percepção de preço baixo”, explica Dimas. De acordo com o especialista, essas percepções combinadas aumentam o tempo de permanência no setor e estimulam a compra de mais itens, inclusive aqueles com maior margem. “É assim que você usa o FLV como gerador de tráfego e de margem ao mesmo tempo: atrai pelo volume e vende pelo layout.”

Essa abordagem reforça a importância de uma execução cuidadosa. Quando o setor apresenta baixa volumetria, iluminação inadequada ou organização pouco atrativa, o impacto negativo nas vendas pode ser significativo, ainda que nem sempre perceptível no dia a dia. “FLV não é apenas exposição de frutas; é uma estratégia comercial para fazer o cliente comprar mais, aumentar o ticket médio e fazer o setor cumprir o papel dele dentro do supermercado”, complementa.

Ao mesmo tempo, o avanço tecnológico começa a redesenhar a gestão da categoria. Para Marco Perlman, cofundador e CEO da Aravita, o setor já atingiu maturidade operacional, mas ainda há espaço para evolução na gestão. “O varejo brasileiro já domina a operação de FLV. O próximo passo é ampliar a qualidade da gestão com ferramentas capazes de acompanhar um ambiente cada vez mais dinâmico”, afirma.

Ele destaca o papel da inteligência artificial como diferencial competitivo. “Ao adotar a inteligência artificial como aliada estratégica, o supermercadista fortalece sua competitividade, suas margens e cria bases mais sólidas para crescer com eficiência, previsibilidade e responsabilidade.”

No ponto de venda, a demanda do consumidor também vem evoluindo. Segundo Marcílio Santos, a busca por praticidade já impacta diretamente o sortimento e a forma de exposição. “O consumidor quer além de um FLV fresco e bonito, deseja praticidade. Na nossa loja, temos uma área que, por exemplo, em que as frutas já estão cortadas”, relata.

Os dados de mercado confirmam a relevância e os desafios do segmento. De acordo com a Food Industry Association, 57% dos consumidores compram produtos frescos em grandes varejistas e hipermercados. Apesar de os supermercados ainda liderarem a preferência, formatos com posicionamento de preços baixos vêm ganhando espaço, impulsionados pela redução do poder de compra.

O estudo “Power of Produce” aponta ainda que o consumo de FLV é cada vez mais fragmentado: os consumidores compram, em média, em dois a três canais diferentes. Esse comportamento reforça a necessidade de diferenciação no ponto físico, especialmente considerando que mais de 97% das vendas de produtos frescos ainda ocorrem nas lojas.

Outro dado relevante é a retração das compras online na categoria. A participação caiu para 37% em 2024, após atingir 64% em 2020. Ainda assim, o canal digital mantém um público fiel, especialmente entre consumidores de maior renda, que apresentam maior frequência de consumo de produtos frescos.