
Reforma tributária deve elevar custos no curto prazo e exigir adaptação do setor?

A reforma tributária e seus impactos diretos sobre o setor de alimentação fora do lar e o varejo supermercadista estiveram no centro dos debates no Palco Varejo & Negócios da SRE Super Rio Expofood 2026, realizada no Riocentro. A palestra reuniu especialistas para discutir os efeitos práticos das mudanças no sistema de impostos, especialmente sobre preços, custos e competitividade.
O encontro foi mediado por Bruno Kazuheiro, consultor de relações institucionais da Abrasel, e contou com a participação de Marcelo Balassiano, subsecretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação da Prefeitura do Rio, e Gledon Santos, diretor geral da Aativo Advisory.
Logo no início, ao responder sobre o impacto da reforma no custo de vida e nos preços, Gledon Santos foi direto: trata-se de uma “pergunta de um milhão de dólares”. Segundo ele, no cenário macroeconômico, a tendência é de aumento de custos para o consumidor.
“O que se espera é uma repressificação. À medida que o governo combate a informalidade e a sonegação, parte desses custos que antes não apareciam passam a ser incorporados aos preços”, explicou. Ele ponderou que, embora nem toda sonegação esteja refletida nos valores finais, a maior formalização tende a pressionar o custo geral da economia.
Apesar desse cenário, o subsecretário destacou que o impacto pode variar conforme o segmento. No caso de bares e restaurantes, por exemplo, há previsão de redução de 40% na base de cálculo para itens preparados, o que pode amenizar efeitos diretos. “Se o empresário fizer o dever de casa, o impacto sobre o produto principal tende a ser menor”, afirmou.
Por outro lado, ele alertou para o efeito indireto da reforma ao longo da cadeia produtiva. “Não é só o alimento. Existe toda uma rede logística e de serviços que compõe o custo. Quando esses elos ficam mais caros, isso inevitavelmente chega ao consumidor final”, disse.
Ao abordar a promessa de simplificação do sistema tributário, Balassiano reconheceu que os efeitos ainda são incertos e dependem de diferentes cenários. Ele citou, por exemplo, a realidade de estados com incentivos fiscais, onde empresas podem enfrentar aumento de carga tributária. “Para quem já tem benefício, a tendência pode ser de elevação. Já em outros casos, pode haver até alguma redução, dependendo da estrutura da empresa e das relações comerciais”, analisou.
Na mesma linha, Gledon Santos destacou que o período de transição até 2033 deve ser marcado por maior complexidade. Segundo ele, a convivência entre o modelo atual e o novo sistema — com tributos como IBS e CBS — exigirá ainda mais organização por parte das empresas.
“Vamos viver um cenário duplo, com duas lógicas tributárias funcionando ao mesmo tempo. Isso aumenta a burocracia no curto prazo, não tem como evitar”, afirmou. Ainda assim, ele se mostrou otimista em relação ao longo prazo: “A partir de 2033, a tendência é de simplificação. Mas é importante deixar claro: simplificar não significa, necessariamente, reduzir a carga tributária”.
Gledon também ressaltou que a reforma abre espaço para oportunidades competitivas, especialmente para empresas que se prepararem melhor. “Quem fizer um bom mapeamento de fornecedores, entender sua cadeia e se adaptar mais rápido pode sair na frente. A mudança é para todos, mas nem todos vão reagir da mesma forma”, disse.
Outro ponto de atenção destacado foi o impacto sobre empresas optantes pelo Simples Nacional, especialmente aquelas que operam no modelo B2B. Segundo o especialista, a possibilidade de optar pela apuração de novos tributos pode influenciar diretamente na geração de créditos para clientes, afetando a competitividade desses negócios.
Além disso, ele alertou para o limite de faturamento do regime, que pode pressionar empresas ao longo do tempo. “Com a inflação, muitas empresas ultrapassam os limites não porque cresceram, mas porque repassaram custos. Se esses tetos não forem atualizados, o cenário tende a ficar mais desafiador”, explicou.
A discussão reforçou que, embora a reforma tributária traga avanços estruturais, o setor de alimentação fora do lar e o varejo supermercadista precisarão de planejamento e adaptação para lidar com seus efeitos — especialmente no curto e médio prazo.
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