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NR-1 coloca saúde mental no centro e acende alerta jurídico no varejo supermercadista
O terceiro dia do palco Varejo & Negócios da Super Rio Expofood (SRE) teve continuidade com a palestra “Da Norma à Cultura: O Desafio da NR-1 nas Operações de Varejo”, ministrada pela advogada trabalhista Dra. Bárbara Ferrari. A especialista trouxe um panorama prático sobre as mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) e alertou: a fiscalização mais efetiva começa a partir de 26 de maio. Segundo ela, a atualização da NR-1, que historicamente tratava de riscos físicos, químicos e biológicos, passou a incorporar os riscos psicossociais como elemento central das relações de trabalho. “Não é uma norma que surgiu do nada. Ela responde a um aumento consistente de adoecimentos mentais ligados ao trabalho ao longo dos últimos anos”, destacou. Dados apresentados pela especialista mostram a dimensão do problema. Em 2012, cerca de 213 mil afastamentos estavam relacionados a doenças mentais. Após a pandemia de Covid-19, os números cresceram significativamente, chegando a mais de 470 mil casos em 2024 e ultrapassando 520 mil afastamentos em 2025. Transtornos de ansiedade (65%), depressão (58%) e burnout (35%) lideram as ocorrências. Além disso, mais de 12 milhões de dias de trabalho foram perdidos em 2022 por questões ligadas à saúde mental, evidenciando o impacto direto tanto para empresas quanto para o sistema previdenciário. Da obrigação legal à mudança cultural Bárbara Ferrari reforçou que o principal erro das empresas ao lidarem com a nova NR-1 é tratá-la apenas como uma exigência documental. “Não basta incluir o risco psicossocial no PGR. O Ministério do Trabalho exige ação: identificar, monitorar e, principalmente, mitigar esses riscos”, afirmou. Nesse contexto, a implementação da norma exige integração entre diferentes áreas, como Recursos Humanos, jurídico e operações. Para a especialista, o RH assume papel estratégico: “Hoje, o RH é parte da gestão do negócio. Sem ele, não há mudança de cultura — e sem cultura, a NR-1 não funciona”. Impactos jurídicos e financeiros O descumprimento da norma pode gerar consequências relevantes. Embora multas administrativas possam partir de cerca de R$ 20 mil, o maior risco está nas ações coletivas e individuais. “Indenizações por danos morais, pensões vitalícias e ações civis públicas podem alcançar valores milionários”, alertou. Outro ponto crítico é o impacto no Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que pode elevar a carga tributária das empresas conforme o número de afastamentos registrados. Além disso, a reputação corporativa também entra em jogo, dificultando a atração e retenção de talentos. O que são os riscos psicossociais Entre os principais riscos psicossociais no ambiente de trabalho, a especialista destacou: Assédio moral, sexual e político Relações interpessoais deterioradas Falta de clareza nas funções Lideranças despreparadas Jornadas excessivas e metas abusivas Eventos traumáticos no ambiente de trabalho No varejo supermercadista, fatores como contato direto com o público, tarefas repetitivas, falhas na gestão de escalas e deficiência na comunicação agravam esse cenário. Caminhos para a implementação Para atender às exigências da NR-1, Ferrari sugere um conjunto de ações práticas: Diagnóstico do ambiente organizacional Aplicação de questionários anônimos validados Realização de grupos focais com մասնissionais especializados Monitoramento de indicadores como absenteísmo Criação de políticas institucionais claras Implantação de canais seguros de denúncia Treinamento contínuo de lideranças “Sem treinamento de liderança, não existe NR-1 efetiva. A comunicação dentro das empresas precisa ser clara, respeitosa e alinhada à cultura organizacional”, enfatizou. Mais do que norma, estratégia de negócio Encerrando a apresentação, a especialista destacou que a NR-1 deve ser vista como uma oportunidade estratégica. “Não se trata apenas de cumprir uma obrigação legal. É sobre garantir a saúde do trabalhador e, consequentemente, a sustentabilidade do negócio”, concluiu. A palestra reforçou que, em um cenário de crescente atenção à saúde mental, o varejo supermercadista precisará ir além do cumprimento formal da legislação e investir, de fato, em ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos.
19 de March, 2026
Por dentro da ASSERJ
Como FIDCs ganham espaço e transformam área financeira em motor de lucro no varejo
O terceiro dia do palco Varejo & Negócios da Super Rio Expofood (SRE) trouxe à tona um tema estratégico para o futuro das empresas: a gestão financeira como alavanca de competitividade. Em palestra com o tema “Estrutura Financeira Importa: o papel do braço financeiro e dos FIDCs proprietários na sustentabilidade e competitividade das empresas”, Tiago Martinelli, coordenador de Novos Negócios da Catálise, apresentou como grandes grupos têm transformado a área financeira em um verdadeiro motor de geração de valor. Segundo o especialista, empresas que estruturam um braço financeiro próprio conseguem capturar margens que, tradicionalmente, seriam destinadas a bancos e instituições financeiras. “Quando uma empresa vende a prazo ou negocia com fornecedores, ela já está realizando uma atividade financeira. O que muda agora é que, com estruturas como os FIDCs proprietários, ela passa a internalizar esses ganhos”, explicou. Martinelli destacou que os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) têm ganhado espaço no Brasil por permitirem que empresas financiem suas próprias operações com mais eficiência e menor custo. “Hoje, as empresas não precisam mais montar um banco ou uma financeira. Com fundos estruturados, é possível criar uma operação robusta, com gestão especializada e maior competitividade”, afirmou. O executivo também ressaltou o impacto direto na saúde financeira das companhias, especialmente aquelas enquadradas no regime de lucro real. Ao transformar parte das receitas em despesas financeiras — por meio da antecipação de recebíveis dentro do próprio grupo — as empresas conseguem reduzir a base de tributação. “Não se trata apenas de economia fiscal, mas de inteligência financeira. É uma forma de preservar caixa, aumentar a rentabilidade e reinvestir no negócio”, pontuou Tiago Martinelli. Outro ponto abordado foi o potencial dos FIDCs para financiar toda a cadeia produtiva, desde clientes até fornecedores e colaboradores. “A empresa passa a ter autonomia para gerir crédito, antecipar pagamentos, financiar estoques e até oferecer crédito consignado aos funcionários. É uma mudança de mentalidade: o negócio deixa de depender exclusivamente dos bancos e assume o controle da sua própria estrutura financeira”, disse o especialista. De acordo com Martinelli, o avanço desse modelo já é visível no mercado. Grandes empresas brasileiras e multinacionais têm adotado estruturas semelhantes para otimizar resultados e ganhar escala. “Estamos falando de uma indústria que já se aproxima de R$ 1 trilhão no Brasil. É uma transformação silenciosa, mas extremamente relevante para a competitividade das empresas”, destacou. Por fim, o especialista reforçou que a implementação desse tipo de estrutura exige governança, tecnologia e integração de sistemas, mas pode ser decisiva para o crescimento sustentável das companhias. “As empresas que entenderem o papel estratégico da área financeira sairão na frente. Não é mais só sobre vender mais, mas sobre ganhar melhor”, concluiu Tiago Martinelli.
19 de March, 2026
Por dentro da ASSERJ
Rodada de Negociação do Prezunic movimenta terceiro dia da SRE; veja os principais momentos
O terceiro dia da SRE Super Rio Expofood 2026 começou em ritmo acelerado com a realização da Rodada de Negociação do Prezunic, reunindo colaboradores da rede e parceiros da indústria em um ambiente marcado por integração e novidades para o ano, apresentadas pelo diretor geral do Prezunic e SPID, Gerson Estevam, e pela diretora comercial, Patrícia Rotelli. Na ocasião, eles destacaram o compromisso da empresa com inovação, crescimento sustentável e fortalecimento das relações com a indústria. O evento tem como objetivo fortalecer o relacionamento com os parceiros e abrir espaço para oportunidades de negócios. Durante o encontro, o presidente da ASSERJ e da ALAS, Fábio Queiróz, reforçou a importância da colaboração entre varejo supermercadista e indústria, destacando o papel estratégico do uso de dados e da confiança mútua. Segundo ele, o futuro do setor passa por um CRM integrado e pelo compartilhamento responsável de informações. “A confiança recíproca é uma das chaves para ganhar esse jogo”, afirmou, ao alertar também para a importância da proteção de dados e do uso consciente da LGPD. Queiróz ainda chamou atenção para as mudanças no comportamento do consumidor, impulsionadas pelo avanço do digital e por fatores sazonais, como eventos e calendário comercial. Ele destacou que a loja física precisa evoluir para se tornar um espaço de experiência, onde o cliente escolha estar, e não apenas vá por necessidade. Dados apresentados durante o encontro apontam que 42% da nova geração já realiza compras online no setor de forma geral, o que reforça a necessidade de adaptação do varejo, com lojas mais estratégicas e integradas a novas dinâmicas de consumo. Outro ponto enfatizado por Fábio foi a importância de práticas mais estruturadas na relação entre indústria e varejo, como o fortalecimento de JBP (Joint Business Plan) e JVC (Joint Value Creation), com foco em geração de valor e não apenas em preço. “O preço é indissociável do varejo, mas é o valor que cada vez mais ganha esse jogo”, destacou o executivo. A Rodada de Negócios também contou com a premiação de indústrias parceiras, reconhecendo empresas que se destacaram na construção de resultados junto à rede. Representantes do setor reforçaram a relevância do Prezunic como parceiro estratégico no mercado do Rio de Janeiro. Pedro Henrique Cerqueira, gerente de vendas da Nestlé, destacou o papel da rede como uma bandeira inovadora. “Saímos daqui com a cota fechada e com a certeza de bons negócios”, afirmou. Já Claudinei Lopes, da Marquespan, ressaltou a relação histórica com o Prezunic, que acompanha a trajetória da empresa no estado há mais de uma década. “É uma parceria consolidada e de grande importância para o nosso crescimento”, disse. Para Florivaldo Júnior, diretor comercial da BRF, a parceria com o Prezunic fortalece a presença das marcas no mercado fluminense. “Associar marcas como Sadia, Perdigão e Qualy a parceiros fortes como o Prezunic é fundamental para o nosso desempenho na região”, destacou. Outro parceriro presente foi Henrique Macedo, supervisor de Marketing da Coca-Cola Andina. Segundo ele, a parceria com o Prezunic se consolida pela forma estruturada e integrada de atuação entre as áreas de mídia e comercial, o que potencializa os resultados. “A nossa experiência tem sido muito positiva. É uma relação que vem impulsionando não só os resultados da nossa indústria, mas de toda a categoria de bebidas”, afirmou. A abertura do terceiro dia da SRE com a Rodada de Negócios do Prezunic reforça o papel do evento como um ambiente estratégico para geração de oportunidades, fortalecimento de relações comerciais e construção conjunta de soluções para os desafios do varejo supermercadista.
19 de March, 2026
Por dentro da ASSERJ
Anvisa suspende lotes de fórmula infantil Aptamil após identificação de toxina
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da comercialização, distribuição e uso de três lotes da fórmula infantil Aptamil Premium 1 (800g), após a identificação de uma toxina no produto. A decisão consta na Resolução-RE nº 1.056, publicada no Diário Oficial da União. A medida foi adotada após a própria fabricante, a Danone, comunicar o recolhimento voluntário dos lotes, motivado pela detecção da substância cereulida no produto já preparado (na forma líquida). Lotes afetados A suspensão vale para os seguintes lotes da fórmula Aptamil Premium 1: Lote 2026.09.09 (fabricação em 10/03/2025) Lote 2026.10.03 (fabricação em 03/04/2025) Lote 2026.09.07 (fabricação em 08/03/2025) De acordo com o consultor técnico de Alimento Seguro, Flávio Graça, a cereulida — toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus — é resistente ao calor e pode causar intoxicações graves. “Sua presença em alimentos destinados a lactentes representa alto risco, devido à vulnerabilidade desse grupo”, explica. O especialista destaca ainda que a identificação precoce permite a retirada dos produtos contaminados do mercado, prevenindo possíveis surtos. “Além disso, reforça a necessidade de rigor no controle sanitário e na vigilância de alimentos infantis”, afirma. Ele orienta que os estabelecimentos devem providenciar a retirada imediata dos lotes das áreas de venda e registrar a ação para fins de comprovação junto aos órgãos reguladores. Procurada pela ASSERJ, a Danone informou: “A Danone jamais compromete a segurança dos alimentos e a saúde dos bebês. Todas as nossas fórmulas são fabricadas sob padrões rigorosos de qualidade e passam por mais de 500 controles antes de chegar ao mercado. Considerando e acompanhando atentamente as recentes evoluções internacionais relacionadas à detecção da presença da substância rara conhecida como cereulida em um ingrediente usado em fórmulas infantis, e mantendo desde janeiro de 2026 um diálogo contínuo e transparente com a autoridade sanitária brasileira (Anvisa), fomos comunicados nos últimos dias sobre a atualização de uma nova avaliação conduzida pela agência. Antecipando-nos a esse cenário, a Danone reafirma seu compromisso inegociável com os mais elevados padrões regulatórios, de segurança e de qualidade dos alimentos e decidiu, de forma proativa e preventiva, realizar a retirada voluntária de um número limitado de três lotes, exclusivamente do produto Aptamil Premium 1 (800g), no mercado brasileiro, em linha com a evolução das regulamentações que abrangem o portfólio local e também o portfólio global da companhia. Essa ação envolve lotes com datas de fabricação em 08/03/2025, 10/03/2025 e 03/04/2025, produtos exclusivamente vendidos em 2025, para os quais nossos controles internos indicam que já foram majoritariamente consumidos. Seguimos colaborando integralmente com a autoridade sanitária, como temos feito de forma constante nos últimos meses, e reforçamos que todos os demais lotes de Aptamil e demais produtos do portfólio nacional da Danone não fazem parte dessa medida preventiva e regulatória, permanecendo totalmente seguros para o consumo. Queremos tranquilizar pais, mães e profissionais de saúde: nossas fórmulas continuam atendendo plenamente à legislação brasileira vigente e aos mais altos padrões de qualidade. Sabemos que essas medidas, mesmo que preventivas e cautelosas, podem gerar dúvidas; por isso, nossa equipe de atendimento ao consumidor está disponível para prestar todo o suporte pelos seguintes canais: E-mail: dac@danone.com Telefone e WhatsApp: 0800 701 7561. Horário de atendimento: segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, exceto feriados. Casos envolvendo saúde: atendimento 24 horas, incluindo fins de semana e feriados.” Vale destacar que a ASSERJ orienta os supermercadistas a verificarem imediatamente seus estoques, retirarem os lotes afetados da área de venda e registrarem formalmente o processo de recolhimento, conforme exigido pelos órgãos reguladores, garantindo a segurança dos consumidores. Vamos, juntos, garantir a segurança dos nossos consumidores.
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