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Comportamento & tendência
Estudo comportamental revela que maioria dos carrinhos de compras está aberta à influência no PDV
Uma pesquisa comportamental conduzida com milhares de clientes da Tesco aponta que a maior parte das decisões de compra no supermercado sofre influência ao longo da jornada. O estudo, realizado pela Tesco Media com 7 mil consumidores, revelou que 76% dos itens presentes nos carrinhos são considerados “novos, abandonados ou ocasionais”, e não produtos de consumo habitual. Além disso, sete em cada dez compradores afirmam que a decisão final sobre o que comprar acontece no próprio momento da compra, e uma proporção semelhante diz apreciar a descoberta de novas marcas durante a experiência no supermercado. “O supermercado não é apenas um local onde as decisões são concluídas, mas onde elas são formadas”, afirma Stacy Gratz, diretora de vendas e marketing da Tesco Media. As conclusões do levantamento — realizado em parceria com a consultoria independente MTM — contrariam a crença de que os consumidores entram no supermercado com uma lista fechada e decisões já tomadas, destaca Gratz. “Em vez disso, a pesquisa mostra que os compradores são curiosos, interessados em descobrir novos produtos e abertos à inspiração ao longo de toda a jornada de compra”, completa. O estudo identificou sete diferentes “mentalidades de compra”, sendo que 51% dos consumidores transitam entre um comportamento funcional e outro emocional durante a experiência. As principais fontes de inspiração incluem redes sociais, familiares e amigos, e-mails de varejistas, navegação no site da Tesco e estímulos presentes nas lojas físicas. Mais da metade dos consumidores descobre novos produtos antes mesmo de iniciar a compra, enquanto uma parcela semelhante faz essas descobertas durante o percurso pelo supermercado. Segundo a Tesco Media, “momentos reais de mentalidade de compra” foram analisados em jornadas realizadas tanto em lojas físicas quanto em canais online, abrangendo categorias como mercearia, compras por impulso, cerveja, vinho e destilados, além de saúde e beleza. O supermercado, assim como outros grandes players do setor, tem intensificado seus investimentos em mídia de varejo nos últimos anos. A empresa vem expandindo rapidamente sua rede de telas digitais nas lojas e lançou anúncios baseados em localização em dispositivos de autoatendimento. No fim do ano passado, a Tesco Media anunciou o Tesco Media Creative Studio, iniciativa voltada à criação ágil de anúncios em conformidade com as normas, em diferentes formatos e com o uso de inteligência artificial generativa. A rede também passou a monitorar a reação dos consumidores aos painéis de publicidade digital por meio de captação de imagens nas lojas. De acordo com dados divulgados pela WARC Media, o investimento global em publicidade no varejo deve alcançar US$ 196,7 bilhões em 2026, superando o investimento combinado em TV linear e conectada já no próximo ano. Em 2019, a mídia de varejo representava pouco mais de um quarto do mercado total de TV. Além de atrair marcas de alimentos e bebidas, os supermercados também vêm ampliando o foco para empresas não alimentícias. Um estudo da Tesco aponta que 78% dos consumidores estão abertos à publicidade contextualizada de marcas não endêmicas, que não têm produtos à venda na loja, como serviços financeiros, entretenimento, turismo e saúde.
12 de January, 2026
Comportamento & tendência
Autenticidade, cultura e IA: os aprendizados que estão redesenhando a liderança no varejo, diz Fátima Merlin
Em um cenário de transformação acelerada, no qual tecnologia, comportamento do consumidor e cultura se cruzam o tempo todo, a liderança no varejo passa menos pela busca da perfeição e mais pela capacidade de ser real, rápida e relevante. Para Fátima Merlin, CEO da Connect Shopper e consultora de varejo, marcas que entendem esse novo jogo conseguem construir valor de forma muito mais consistente. “Autenticidade escala mais do que a perfeição. O que funciona é o que é real”, afirma. Segundo ela, campanhas excessivamente polidas perdem espaço para narrativas humanas, capazes de gerar conexão genuína. Nesse contexto, emoção passa a ser um ativo estratégico. “Uma emoção bem construída gera mais retorno do que um grande orçamento financeiro”, destaca. Outro ponto central é a leitura do tempo cultural. Para Fátima, velocidade não significa pressa, mas sensibilidade. “Velocidade cultural importa. O chamado fast advertising não é sobre fazer rápido, e sim sobre agir no timing certo, dentro do contexto cultural.” Errar, inclusive, faz parte do processo. “Fracasso é parte do caminho. O importante é errar rápido, aprender e seguir em frente.” Essa lógica se reflete diretamente na construção de marcas fortes. “Marcas que criam pertencimento são defendidas pelas pessoas. Quando o consumidor se sente visto, ele vira porta-voz”, afirma. Em um ambiente em que redes sociais e plataformas ampliam vozes, o impacto se multiplica. “Hoje, todo mundo é mídia”, resume. E completa: “Experiência não é apenas fricção zero. Ser frictionless é ser fácil, humano e honesto.” Quando o tema é transformação digital, Fátima Merlin reforça que a inteligência artificial não pode ser tratada como um projeto isolado ou apenas tecnológico. “Transformação em IA é transformação do negócio”, afirma, destacando que o sucesso depende de bases sólidas. Para ela, dados estruturados são indispensáveis, já que “os dados são o combustível da IA”, mas não suficientes por si só. A consultora alerta que sem uma cultura organizacional aberta à experimentação e à inovação, a tecnologia não escala. “Cultura é o fator crítico de sucesso”, ressalta. Além disso, Fátima destaca que a adoção da IA exige responsabilidade. “IA responsável é inegociável. Governança, ética e confiança precisam estar no centro das decisões.” Por fim, ela chama atenção para o papel das parcerias estratégicas nesse processo. “Escolher parceiros certos importa muito. Eles precisam projetar sua marca, proteger seus dados e compartilhar sua visão de longo prazo.” Para o varejo supermercadista, os aprendizados reforçam que tecnologia, emoção e cultura não competem entre si — elas se complementam. Liderar, hoje, é equilibrar dados e sensibilidade humana, inovação e propósito, velocidade e consciência.
12 de January, 2026
Comportamento & tendência
Fiscalização sanitária: 6 passos para preparar sua loja para uma inspeção
No varejo supermercadista, a fiscalização da Vigilância Sanitária não deve ser encarada como um evento pontual ou excepcional. Ao contrário: ela é o reflexo direto de uma rotina bem estruturada de segurança sanitária, baseada em automonitoramento, padronização de processos e prevenção contínua de riscos. Em um mercado cada vez mais atento à qualidade, à segurança e à procedência dos alimentos, estar preparado para uma inspeção é também uma estratégia de proteção da marca, do negócio e da confiança do consumidor. Segundo Flávio Graça, consultor técnico de Segurança Alimentar da ASSERJ, um dos erros mais comuns dos estabelecimentos é adotar uma postura reativa, agindo apenas quando a fiscalização é iminente ou após a identificação de falhas. “O foco deve estar no dia a dia da operação. Não adianta tentar ‘arrumar a casa’ na véspera — ou pior, depois que o problema já causou prejuízos. Os processos precisam funcionar corretamente todos os dias”, destaca. A seguir, o consultor elenca os principais pontos estratégicos para uma preparação eficaz e sustentável: 1 - Manutenção contínua das instalações Flávio Graça alerta que as demandas de manutenção precisam ser tratadas de forma contínua e sistemática. Segundo ele, pequenos problemas negligenciados tendem a se acumular e se transformar em intervenções estruturais mais complexas. Pisos danificados, tomadas sem espelho, revestimentos descascados, infiltrações e pinturas comprometidas favorecem o acúmulo de sujidades, dificultam a higienização e ampliam o risco sanitário. "Esse cenário dialoga com a chamada Teoria das Janelas Quebradas, segundo a qual sinais visíveis de descuido transmitem a percepção de abandono, estimulando a perda de disciplina operacional. A correção imediata de pequenas falhas fortalece a cultura de cuidado, organização e responsabilidade diária — algo que também é observado pelo fiscal no momento da inspeção", explica. 2 - Clareza e padronização dos processos O especialista lembra ainda que com um turnover que pode variar entre 35% e 45% no setor supermercadista, a formalização dos processos é indispensável. Para ele, Procedimentos Operacionais Padronizados (POPs) devem estar claros, acessíveis e atualizados, contemplando, no mínimo: ⦁ Recebimento e conferência de mercadorias ⦁ Armazenamento e controle de estoque ⦁ Higienização de equipamentos, instalações e utensílios ⦁ Higiene e conduta dos colaboradores ⦁ Controle de temperaturas "Além disso, ambientes devidamente sinalizados e rotinas de monitoramento diário garantem uniformidade, rastreabilidade e maior segurança operacional", diz Flávio Graça. 3 - Capacitação e treinamento contínuos Graça destaca ainda que não é razoável exigir conformidade de colaboradores que não foram capacitados. De acordo com ele, embora o afastamento temporário da operação para treinamentos possa parecer uma perda de produtividade, o retorno em eficiência, engajamento e redução de riscos compensa amplamente o investimento. "Funcionários que compreendem o porquê dos procedimentos tendem a agir com mais responsabilidade. O ideal é que a capacitação ocorra já na admissão ou durante o período de experiência, com avaliação formal como critério de permanência na função", acrescenta. 4 - Registro e controle interno das não conformidades O consultor pondera ainda que o registro sistemático de inadequações é uma ferramenta estratégica de gestão da qualidade. Graça diz que ele permite aprendizado contínuo, feedback estruturado para as equipes e maior transparência no controle sanitário. "Em países com sistemas sanitários mais maduros, esses registros costumam ser o primeiro item analisado durante uma fiscalização. A inspeção aprofundada só ocorre quando há indícios de falhas graves ou reincidentes". 5 - Organização e disponibilidade da documentação obrigatória Flávio Graça aponta também que manter toda a documentação organizada e facilmente acessível é fundamental. Durante a fiscalização — normalmente sob pressão — a dificuldade em localizar documentos pode resultar em autuações evitáveis, mesmo quando as exigências estão cumpridas. Entre os documentos essenciais estão: ⦁ Alvará de funcionamento ⦁ Licença sanitária vigente ⦁ Certificado de potabilidade da água ⦁ Certificado de higienização dos reservatórios ⦁ Certificado de controle de pragas e vetores, com ordens de serviço atualizadas ⦁ Certificado de coleta de resíduos por empresa licenciada ⦁ Planilhas de controle de temperatura dos equipamentos ⦁ Manual de Boas Práticas No município do Rio de Janeiro, destacam-se ainda: ⦁ Certificado de capacitação no Curso Oficial de Higiene na Manipulação de Alimentos (IVISA/ASSERJ) para todos os colaboradores ⦁ Anotação de Responsabilidade Técnica para estabelecimentos enquadrados no REPA (SIM-RIO) “A ausência de documentos é uma das principais causas de autuação. Não basta executar corretamente, é preciso comprovar”, reforça Graça. 6 - Postura profissional diante da fiscalização Para Graça, a fiscalização sanitária deve ser entendida como a etapa final de validação das medidas preventivas, funcionando como uma auditoria técnica e, muitas vezes, como uma consultoria externa. De acordo com ele, os colaboradores devem estar orientados a receber os fiscais de forma tranquila, colaborativa e respeitosa. É possível esclarecer dúvidas, solicitar orientações e, quando necessário, requerer prazos para adequações — especialmente em casos que envolvam obras ou aquisição de equipamentos, desde que haja justificativa técnica. "Demonstrar boa-fé, organização, sinalização adequada e transparência contribui para uma avaliação mais equilibrada. Afinal, o supermercado é um “organismo vivo”, sujeito a variações operacionais. Passar por uma fiscalização sanitária em uma estrutura complexa como a de um supermercado sem nenhuma não conformidade é um grande desafio. Por isso, o esforço precisa ser contínuo, metódico e incorporado à rotina operacional”, aponta o consultor. Para o varejo supermercadista, estar preparado para a fiscalização vai além do cumprimento legal. Trata-se de garantir continuidade operacional, evitar prejuízos financeiros, reduzir riscos reputacionais e fortalecer a confiança de clientes e parceiros comerciais. “Quem entende a Vigilância Sanitária como aliada da gestão e da qualidade sai na frente — com mais credibilidade, menos riscos e maior sustentabilidade no mercado”, finaliza Graça.
12 de January, 2026
Atualidades
NRF: dia 1 aponta maturidade do varejo global e cobra resultados reais da tecnologia
O primeiro dia da NRF 2026 marcou uma virada clara no discurso do varejo global. Longe da euforia tecnológica que dominou edições anteriores, o maior evento mundial do setor começou com uma mensagem direta: a tecnologia deixou de ser promessa e passou a ser obrigação operacional. Juarez Leão, CEO do Leão Group, avalia que o tom do evento foi de ajuste fino, maturidade e cobrança. “Foi um dia com menos brilho e mais responsabilidade. Não vimos anúncios mirabolantes ou apostas futuristas. O que apareceu foi um varejo mais consciente, que entende que tecnologia sozinha não resolve nada”, afirmou. Um dos pontos mais recorrentes nas discussões do primeiro dia foi a consolidação da inteligência artificial como parte da infraestrutura básica dos negócios. Para Juarez Leão, ficou evidente que a pergunta já não é mais se as empresas usam IA, mas como ela está sendo aplicada. “A inteligência artificial deixou de ser vantagem competitiva. Ela virou o novo básico bem-feito. A cobrança agora é sobre impacto mensurável, escala e adoção interna por quem realmente decide”, disse o executivo. Cases apresentados por gigantes como Walmart, LVMH, Home Depot e grandes plataformas de pagamento e dados reforçaram essa leitura. A lógica comum foi clara: menos projetos-piloto dispersos, mais casos de uso bem definidos; menos discurso tecnológico, mais impacto direto na operação. “O foco migrou da inovação como vitrine para a inovação como sistema nervoso do negócio”, resumiu Juarez. O humano como novo luxo Se a tecnologia amadureceu, o elemento humano ganhou ainda mais protagonismo. O conceito de human premium atravessou diferentes painéis e setores, do varejo físico ao luxo. “Em um mundo saturado de automação, o que diferencia as marcas não é o quanto elas automatizam, mas o quanto conseguem preservar e potencializar o humano”, destacou Juarez Leão. Segundo ele, isso se manifesta em lojas físicas com experiências mais sensoriais e menos apressadas, em jornadas digitais mais contextuais e silenciosas, e no luxo, onde a tecnologia existe, mas não se impõe. Uma das frases mais emblemáticas do dia, dita por um executivo da LVMH, sintetizou essa visão: “A tecnologia precisa estar em todo lugar, mas visível em lugar nenhum.” Para Juarez, “IA boa é aquela que desaparece para o cliente, enquanto fortalece o vendedor, o criativo e o decisor”. Agentic Commerce: da transação à relação Outro tema que apareceu com mais maturidade foi o Agentic Commerce. Diferente de anos anteriores, o conceito foi tratado sem exageros ou promessas irreais. “Não se trata de criar robôs que compram por nós. Trata-se de construir camadas inteligentes que compreendam intenção, contexto e momento”, explicou Juarez Leão. Quando bem aplicado, segundo ele, o agente orienta o consumidor, reduz ruído, elimina decisões irrelevantes e cria continuidade na relação. “Quando mal aplicado, vira fricção tecnológica. Quando bem feito, vira confiança”, afirmou. Dados sem governança passam a ser risco A confiança também ocupou espaço central nas discussões do primeiro dia. Com a IA participando cada vez mais das decisões estratégicas, dados sem governança deixaram de ser um ativo e passaram a representar risco. “Transparência, explicabilidade, segurança e responsabilidade deixaram de ser apenas pauta de compliance. Viraram critérios reais de escolha para consumidores e investidores”, avaliou Juarez. Segundo ele, a lógica do mercado mudou: “A era do ‘confia em mim’ acabou. Agora é ‘me prova’”. Consumo pressionado exige precisão O cenário econômico analisado durante o evento trouxe alertas importantes. Embora o consumo nos Estados Unidos siga forte, ele está concentrado em uma parcela menor da população, fortemente alavancada por ativos financeiros. Ao mesmo tempo, a base do consumo convive com pressão de custos, endividamento e incertezas. “Tarifas, imigração, energia e IA formam um ambiente volátil que impacta diretamente preço, margem e planejamento”, disse Juarez Leão. “Nesse contexto, crescer sem precisão é um risco. O varejo vai precisar ser mais cirúrgico: menos volume cego e mais rentabilidade consciente.” O que se consolida e o que perde força Após um dia intenso de conteúdo, algumas tendências ficaram claras, segundo o CEO do Leão Group. Ganham força: IA como infraestrutura operacional Experiência humana como diferencial competitivo Agentic Commerce orientado por contexto Governança de dados como pilar estratégico Tecnologia aplicada à decisão, não ao espetáculo Começam a perder espaço: Projetos piloto infinitos sem escala “IA para tudo” sem retorno claro Automação que afasta o cliente Tecnologia apresentada sem impacto mensurável Uma NRF menos brilhante e mais relevante Para Juarez Leão, o primeiro dia da NRF 2026 não empolga pelo brilho, mas pela maturidade. “O varejo global parece ter entendido que tecnologia não salva estratégia mal pensada. Ela apenas amplifica o que já existe, para o bem ou para o mal”, concluiu. Segundo ele, o verdadeiro Next Now não está no próximo software. “Está em decidir melhor, executar melhor e respeitar mais o cliente. E isso, definitivamente, não é hype.”
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