
Inflação desacelera em abril, mas alta dos alimentos mantém alerta nos supermercados do Rio

Após a desaceleração observada em abril, a inflação voltou a registrar alta no Brasil, puxada principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos e bebidas, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de o avanço do IPCA no mês ter sido menor do que o registrado em março, o resultado mantém o sinal de alerta para o orçamento das famílias e para o varejo supermercadista.
No balanço de abril, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil, subiu 0,67%. Apesar da alta, o resultado representa uma desaceleração em relação a março, quando os preços avançaram 0,88%. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice registra elevação de 4,39%.
Já especificamente no varejo supermercadista do Rio de Janeiro, a inflação da alimentação no domicílio teve alta de 1,30% no quarto mês do ano, patamar ligeiramente inferior à média nacional, de 1,64%. O resultado reforça a retomada do avanço dos preços no setor, após quedas registradas em janeiro e fevereiro e do início da recuperação em março.
Grupo de alimentos e bebidas puxa inflação de abril
Segundo o IBGE, todos os nove grupos pesquisados apresentaram variação positiva em abril. O principal responsável por pressionar a inflação no Brasil foi o grupo Alimentação e bebida que subiu 1,34% em abril, com alta acumulada de 3,44% no primeiro quadrimestre de 2026. O segmento é seguido por Saúde e cuidados pessoais (+1,16%), Artigos de residência (+0,65%), Habitação (+0,63%), Comunicação (+0,57%), Vestuário (+0,52), Despesas pessoais (+0,35%), Educação (+0,06%) e Transportes (%0,06%).
No setor de Alimentação no Domicílio, que concentra os alimentos e bebidas vendidos no varejo supermercadista, o Rio de Janeiro registrou a oitava menor inflação entre os entes federativos pesquisados, com alta de 1,30%, a frente somente de Fortaleza (CE) (0,92%) e Salvador (BA) (1,07).
Dos alimentos e bebidas vendidos nos supermercados do Rio, as principais altas de abril foram: cenoura (+25,03%); melão (+14,7%) cebola (+13,85%); leite longa vida (+12,51%); batata inglesa (+9,53%) e acém (+6,72).
Já entre as quedas, se destacam: mamão (-7,04), limão (-5,87%); maçã (-5,13%); tomate (-3,90%); banana d'água (-3,32) e batata-doce (-2,51).
Inflação segue em alta, mas apresenta desaceleração
O valor dos alimentos segue pressionando a inflação, como demonstrado em abril. Mas, apesar de o grupo concentrar parte relevante da alta dos preços no mês, houve desaceleração em relação a março, quando a elevação foi de 0,88%. Entre os principais impactos estão produtos bastante presentes na mesa dos brasileiros, em um cenário marcado pela redução da oferta de alguns itens e pelo aumento dos custos logísticos.
“O avanço dos preços também reflete os impactos do cenário internacional sobre os combustíveis e a cadeia logística. Tensões geopolíticas envolvendo países como Estados Unidos e Irã acabam pressionando o setor de energia e gerando efeitos em toda a cadeia de abastecimento. Diante desse contexto, o supermercadista precisa reforçar o monitoramento do mercado, ampliar o diálogo com fornecedores e buscar alternativas para reduzir impactos operacionais”, destaca o presidente da ASSERJ, Fábio Queiróz.
Além dos alimentos, os reflexos da instabilidade internacional também atingem os fretes de produtos importados e o setor de embalagens, impactados pelo aumento das matérias-primas e pelas dificuldades logísticas. Apesar das especulações sobre possível escassez no mercado, o abastecimento segue normalizado. Ainda assim, supermercadistas já relatam aumento de até 60% no custo das embalagens em alguns casos.

