Supermercadistas negociam preços com fornecedores para evitar repasse aos consumidores

Fim da deflação: IPCA avança e supermercados do Rio registram alta em março

Alta de perecíveis e impacto dos combustíveis marcam mudança no cenário de preços no Rio

10/04/2026

Economia
Supermercadistas negociam preços com fornecedores para evitar repasse aos consumidores

A curva de deflação observada desde meados de 2025 foi interrompida com o aumento do preço de itens básicos da cesta de compras nos supermercados do Rio de Janeiro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No balanço de março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil, subiu 0,88%. O resultado ficou acima do projetado pelo mercado, que esperava uma elevação de 0,7% no mês. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice soma alta de 4,14%.

Já especificamente o varejo supermercadista do Rio de Janeiro registrou alta de 1,90% no terceiro mês do ano, patamar ligeiramente inferior à média nacional, de 1,94%, após iniciar 2026 com queda nos meses de janeiro e fevereiro.

Perecíveis apresentam alta, influenciados pelo preço dos combustíveis
Segundo o IBGE, todos os nove grupos pesquisados apresentaram variação positiva em março. O principal responsável por pressionar a inflação no Brasil foi o grupo Transportes (+1,64%), seguido por Alimentação e Bebidas (+1,56%), Despesas Pessoais (+0,65%), Artigos de Residência (+0,51%), Vestuário (+0,46%), Saúde e Cuidados Pessoais (+0,42%), Habitação (+0,22%), Comunicação (+0,19%) e Educação (+0,19%).

No segmento de Alimentação no Domicílio, que concentra os alimentos e bebidas vendidos no varejo supermercadista, o Rio de Janeiro registrou a quarta menor inflação entre os entes federativos pesquisados, com alta de 1,90%, atrás de Espírito Santo e São Paulo (+1,81%) e Porto Alegre (+1,48%).

Dos alimentos e bebidas vendidos nos supermercados do Rio, as principais altas de março foram: cenoura (+42,50%); cebola (+28,33%); tomate (+25,36%); leite longa vida (+10,56%); feijão (+8,96%); batata inglesa (+8,72%); alcatra (+8,23%); e ovo (+6,53%).

Já entre as quedas, se destacam: maçã (-10,33%); açúcar (-4,50%); alho (-3,83%); frango inteiro (-2,96%); pão francês (-2,51%); e café (-2,08%).

Resultado acende alerta para o varejo supermercadista fluminense
A interrupção da sequência de deflação reflete, em grande parte, o impacto do aumento dos combustíveis, pressionados por fatores externos que afetam o setor de energia global. O varejo supermercadista precisa estar atento a movimentos geopolíticos que influenciam diretamente a cadeia de abastecimento.

Com o cenário de tensão envolvendo países como Estados Unidos e Irã, além dos conflitos mais recentes no Oriente Médio, o momento exige acompanhamento constante. Aproveitar oportunidades passa por análise estratégica e negociação com parceiros e fornecedores, buscando mitigar impactos e evitar repasses excessivos que afetem tanto o desempenho das lojas quanto o bolso do consumidor.