Painel APAS no Retail Talks

Supermercados vivem corrida por eficiência, personalização e inovação no varejo abastecedor

Debate com a APAS no São Paulo Innovation Week mostra como algoritmos, inteligência de consumo e automação já impactam vendas e decisões estratégicas

13/05/2026

Por dentro da asserj
Painel APAS no Retail Talks

O varejo supermercadista atravessa um momento de transformação acelerada, impulsionado pelo avanço da tecnologia, pelas mudanças no comportamento de compra e pela necessidade crescente de inovação. É nesse contexto que acontece, entre os dias 13 e 15 de maio, a primeira edição do São Paulo Innovation Week (SPIW), evento que chega à capital paulista após quatro edições de sucesso no Rio de Janeiro. Com foco em conteúdo estratégico, experiências imersivas e networking, o festival reúne lideranças e especialistas para debater os caminhos do varejo, do consumo e da inovação aplicada aos negócios.

Realizado no Mercado Livre Arena Pacaembu e na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), o SPIW conta com cerca de 24 painéis, 1,5 mil palestrantes, mil startups, 150 expositores e expectativa de receber 30 mil pessoas em uma área de 50 mil m². A iniciativa é promovida pelo Estadão e Base Eventos, com parceria da ASSERJ.

Entre os destaques da programação está o palco Retail Talks, dedicado a discussões sobre varejo, inteligência artificial, retail media, experiência do cliente, hiperpersonalização, comportamento de consumo e inovação no setor abastecedor. A proposta é apresentar tendências que já impactam o mercado na prática e mostrar como tecnologia, dados e relacionamento estão redefinindo a jornada do consumidor dentro e fora das lojas.

Abrindo a programação do palco, Eduardo Ariel Grunewald, diretor de serviços aos supermercados e relações institucionais da Associação Paulista de Supermercados (APAS), e Rodrigo Silva Mariano, diretor de gestão e governança corporativa da entidade, apresentaram o painel “Da Gôndola ao Algoritmo: as Tendências do Supermercado Paulista”. A palestra trouxe reflexões sobre como inteligência artificial, análise de dados e novos hábitos de consumo estão transformando o varejo abastecedor em São Paulo e ampliando a necessidade de decisões mais estratégicas e conectadas ao comportamento do cliente.

Durante o debate, os executivos destacaram que o consumidor atual está mais atento à saúde, à praticidade e à personalização da experiência de compra. O crescimento da procura por produtos naturais, funcionais, proteicos e com apelo de bem-estar vem exigindo um novo posicionamento das redes supermercadistas, tanto na composição do mix quanto nas estratégias de comunicação e fidelização.

"Dentre as oportunidades, comentamos sobre o entendimento do comportamento do consumidor nesse momento que ele está preocupado com a saúde, procurando produtos saudáveis, naturais, funcionais, vitaminas e proteicos e buscando menos carboidratos, arroz, macarrão e menos bebida alcoólica", disse Eduardo Ariel, ao mostrar como os supermercados podem utilizar dados e inteligência de consumo para criar ofertas hiper direcionadas, tanto no ambiente físico quanto no e-commerce.

Outro ponto abordado foi o uso crescente da inteligência artificial em áreas estratégicas do varejo, desde campanhas de retail media e produção de conteúdo até negociações comerciais e precificação. Os especialistas explicaram como algoritmos e agentes inteligentes já conseguem cruzar dados de comportamento, estoque, sazonalidade, margem e sensibilidade de preços para apoiar compradores na tomada de decisão, tornando negociações mais assertivas e competitivas. A apresentação também trouxe comparações com mercados internacionais, especialmente Estados Unidos e China, destacando tendências ligadas à automação, personalização e uso avançado de dados para ganho de eficiência operacional e aumento de rentabilidade.

"Em algumas ações, nós estamos inclusive mais avançados do que os norte-americanos, assim como aprendemos com o mercado chinês, assim como tem algumas novidades que eles podem trazer para o Brasil e tropicalizar", destacou Eduardo Ariel. Para os profissionais do setor supermercadista, o painel reforçou que o futuro do varejo passa pela capacidade de equilibrar tecnologia, inteligência de dados e experiência do consumidor, sem perder a conexão humana. Mais do que acompanhar tendências, o desafio agora é transformar inovação em resultado prático dentro das operações.