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"Se coloque no papel do seu consumidor, porque você também é", a arte de vender a experiência
Storytelling, elevator speech... no dia a dia do varejista, muitas expressões são cunhadas e reproduzidas com frequência. Porém, uma coisa permanece essencial: a venda real. Nesse contexto, uma pergunta fica no ar: como vender em um mundo com cada vez mais empreendedores e concorrentes. As respostas para esse e outros questionamentos sobre a arte de comercializar foram detalhadas na manhã desta quinta-feira (14), na Plenária do Rio Innovation Week, no Galpão Kobra, na palestra "Antes de existir pitch, já existia venda: os bastidores da mente Polishop | Farani Stage". Camila Farani, maior investidora anjo mulher da América Latina, e João Appolinario, fundador da Polishop, empresa que virou sinônimo de varejo multicanal no Brasil, compartilham insights para inovar, criar demanda e construir uma marca forte, com foco em um mesmo fim, a experimentação como fator de diferenciação, para vender não apenas para consumidores, mas para todo ecossistema. Experiência e benefício como produtos: o produto é um meio para um fim João Appolinario enfatizou uma percepção extremamente relevante para todo varejista que busca a diferenciação da concorrência. O foco principal da venda não deve ser no produto, mas no que ele oferece ao consumidor. O produto é apenas um meio para realizar uma satisfação, portanto, a experiência é fundamental: "Eu acredito no produto, mas não só no produto em si, e sim naquilo que ele entrega. Ou seja, todo mundo que está empreendendo, no fim das contas, está vendendo alguma coisa, seja um produto ou um serviço. E as pessoas não querem comprar o produto em si, elas querem o benefício que aquele produto entrega. Mesmo quando se trata de serviço. Ninguém procura um médico porque quer ir ao médico, a pessoa quer resolver um problema, curar alguma dor". "Então, não foque no produto, foque no benefício. E qual é a melhor forma de focar no benefício? Demonstrando. Demonstração é tudo. Eu nunca quis apenas vendedores trabalhando comigo, eu quero demonstradores. Seja um bom demonstrador daquilo que você faz. E, para isso, você precisa conhecer bem o que está fazendo, entender profundamente o produto ou serviço que está oferecendo. Às vezes, as pessoas querem vender um produto só por ele ser um produto. Mas eu não acredito que alguém acorde de manhã querendo comprar uma centrífuga. Isso não acontece. A pessoa acorda querendo tomar um suco. A centrífuga é apenas o meio. Então, não foque na centrífuga, foque no suco. Mostre que existe uma forma de tomar um suco de maneira rápida, fácil, com mais qualidade, extraindo mais nutrientes e vitaminas das frutas. Quando a demonstração é bem realizada, a venda não precisa ser feita, porque o desejo já foi criado. O cliente vai querer comprar", prosseguiu o fundador da PoliShop. Appolinario concluiu: "Por isso, é muito importante que a pessoa conheça bem o que está vendendo. Eu vejo pessoas que têm um negócio, mas não conhecem profundamente a própria empresa, o produto ou o serviço. E esse é o primeiro passo para o negócio não dar certo. As pessoas precisam entender o valor da sua empresa, entender que o seu produto tem mais valor do que o que é cobrado dele". "O que eu quero é um serviço. Às vezes se pensa: 'Eu não vendo porque não uso o canal adequado'. E eu costumo dizer: 'você está vendo errado'. Não é isso ou aquilo. A questão é que esse negócio ainda não resolve uma dor que seja suficientemente relevante", pontuou Camila Farani. Comunique de forma igual e clara em todos os canais O fundador da PoliShop também destacou uma estratégia que tem sido utilizada de forma equivocada por diversos negócios, a diferenciação de cobranças por canais variados: "Multicanal é vender em vários canais. Ominichannel é a mesma coisa, porém, ele tem que ter sempre os mesmos produtos, os mesmos preços, um alinhamento, porque aí você não cria correntes entre seu próprio negócio. Se você tiver um preço diferente, que é muito comum, diferente no e-commerce, na loja física, e então você tem uma concorrência com você mesmo. Então, o Omnichannel, o verdadeiro, é quando você tem um alinhamento dos preços, produtos e ofertas. Ou seja, tudo tem que ser o mesmo, porque seu cliente estará tomando apenas a decisão de qual canal ele quer comprar, do que é mais confortável naquele momento. O cliente que vai resolver e não vai ser prejudicado pagando um pouco mais caro porque ele foi em um determinado canal. Isso não faz sentido. O consumidor não vê sentido nisso. Se coloque no papel do seu consumidor, porque você também é". Inovação não é só tecnologia Appolinario ainda frisou a necessidade de observar a inovação como algo muito mais amplo do que somente tecnologia: "Muita gente acha que inovação tem a ver apenas com tecnologia. Mas inovação é questionar aquilo que já existe. Eu insisto muito nisso, porque é isso que realmente importa. Muitas pessoas saem em busca de inovação sem ter ideia de que podem inovar com coisas que estão bem próximas delas". Aprenda a lidar com falhas Por fim, o fundador da PoliShop enfatizou que para alcançar o sucesso do seu negócio, falhas devem ser encaradas como parte do processo e lições para o futuro: "A primeira coisa que eu acho sobre ser empreendedor é que você realmente precisa se desprender de várias coisas. Ou seja, é necessário focar no dia a dia e entender que isso faz parte do processo. Você precisa ter um propósito, e esse propósito é essencial para o empreendedor, ele está à frente de tudo. Eu sempre gosto de destacar que as pessoas, muitas vezes, buscam uma resposta imediata, mas não é assim que funciona. É importante que a pessoa se conscientize de que é o dia a dia que faz a diferença naquilo que você faz. E esse dia a dia é cheio de altos e baixos, então é fundamental estar preparado para isso, para não se frustrar. A frustração pode surgir se você estiver com expectativas diferentes da realidade do que é ser empreendedor".
14/08/2025
Até 2027, quem conseguir unir imaginação, propósito e capacidade de execução vai liderar o jogo
Na segunda palestra desta quinta-feira (14), no palco Conecta Varejo do Rio Innovation Week, a head of business & operations da WGSN, Priscila Seripieri, apresentou um panorama aprofundado do que deve moldar o mercado nos próximos anos. Com projeções baseadas em dados, estudos e exemplos concretos, ela alertou: o sucesso no varejo dependerá cada vez mais da capacidade de adaptação rápida e da compreensão das mudanças sociais e tecnológicas. “A WGSN é hoje a maior empresa de tendências do mundo. Nasceu no mercado de moda, mas entendemos que mapear moda é mapear comportamento de consumo. O jeito que a gente se veste revela hábitos, valores e escolhas. Hoje, olhamos para todas as categorias — beleza, tecnologia, alimentos e bebidas, e-sports, interiores — sempre antecipando comportamentos de dois a cinco anos no futuro”, explicou. Segundo Priscila, o varejo está migrando de uma “era da informação” para uma “era da imaginação”. “Informação já não é escassa. O desafio agora é: o que fazer com tanta informação? É aí que entra a criatividade para transformar dados em experiências e soluções que conectem com as pessoas”, afirmou. Essa transição é mapeada pela metodologia STEP da WGSN, que analisa seis pilares: sociedade, tecnologia, meio ambiente, política, indústria e criatividade. No campo social, ela destacou uma mudança de mentalidade que une coletividade e individualidade. “Não é mais um ou outro, mas sim uma coexistência. As marcas precisam pensar em estratégias que unam responsabilidade coletiva e respeito às individualidades. Isso significa produtos e campanhas que falem de pertencimento, mas também de personalização”, disse. Essa tendência abre espaço para novas funções no varejo, como estrategistas de comunidades, designers de experiência inclusiva e especialistas em narrativas de marca. Na indústria, o destaque é o equilíbrio entre proteção e conexão. “O consumidor quer se sentir seguro, mas também quer se conectar. Isso vale para o ambiente físico e online. As empresas precisam criar ecossistemas que transmitam confiança, mas que sejam abertos ao relacionamento humano”, explicou. O movimento favorece o surgimento de especialistas em segurança digital humanizada, consultores de ecossistemas omnichannel e curadores de experiências híbridas. Outro ponto central abordado foi o design de produtos. Priscila reforçou que qualidade e simplicidade devem guiar a criação de soluções: “Consumidores valorizam produtos bem feitos, intuitivos e duráveis. A simplicidade aumenta a usabilidade e fortalece a percepção de valor da marca.” Essa abordagem conecta-se ao movimento do direito de consertar, que garante autonomia ao consumidor para reparar produtos, prolongando sua vida útil e consolidando confiança na marca. No campo da criatividade, Priscila defendeu o poder da brincadeira como estratégia de engajamento: “Em tempos caóticos, o adulto busca momentos lúdicos para suavizar a rotina. Marcas que conseguem trazer esse elemento de forma inteligente criam vínculos emocionais mais fortes.” Ela citou como exemplo um despertador inspirado no jogo Mario, que transforma o simples ato de acordar em uma experiência divertida. “Isso é soft power cultural: conectar moda, beleza, gastronomia, esportes e entretenimento numa mesma narrativa que inspira e diverte.” Priscila também destacou a importância do storytelling como ferramenta estratégica. “Marcas que contam histórias criam conexões emocionais profundas, transformando clientes em defensores da marca. Contar histórias que reflitam os valores da empresa, tragam autenticidade e despertem memórias é uma maneira poderosa de gerar engajamento e aumentar vendas”, disse. Além disso, a especialista chamou atenção para a transformação do que representa status no consumo moderno. “Hoje, símbolos de status não estão ligados apenas a bens de luxo, mas também a valores como sustentabilidade, personalização e bem-estar. A nostalgia será um motor de decisão de compra, pois resgata emoções positivas e um senso de pertencimento”, afirmou. Ela aconselha que as empresas incorporem referências afetivas em produtos e campanhas, criando conexões significativas com o consumidor. Priscila também lembrou que toda tendência gera uma contratendência. “Se você olha para algo e pensa: ‘Isso não é novo’, é ótimo. Significa que já existe, mas ainda é pequeno. Nosso trabalho é mostrar quando ele vai se tornar relevante de verdade.” Para empresas que buscam vender mais nesse cenário, a executiva deixou provocações práticas: coexistir com a tecnologia sem perder a dimensão humana, investir em flexibilidade cultural, preservar narrativas, ampliar o ciclo de vida dos produtos, e unir design simples, storytelling e nostalgia em suas estratégias. “Até 2027, quem conseguir unir imaginação, propósito e capacidade de execução vai liderar o jogo”, concluiu.
14/08/2025
Conecta
Live Commerce: descubra a arte de vender em qualquer tela
O terceiro dia de programação do palco Conecta Varejo começou com a trilha “Talento que Muda o Jogo | A arte de vender histórias em qualquer tela”, um bate-papo que mergulhou no universo do live commerce — modelo de vendas ao vivo que vem revolucionando o e-commerce e criando novas profissões. As apresentadoras Babi, Flávia Bonato e Andréa Bueno, com longa trajetória no Shoptime, compartilharam bastidores e estratégias que mostram como empresas podem transformar transmissões em resultados concretos. Com experiência somada de décadas em vendas televisivas, elas acompanharam de perto a transição de um formato tradicional para o ambiente digital. Flávia destacou que o sucesso do Shoptime tinha dois pilares fundamentais: conhecer profundamente o produto e ambientá-lo de forma realista. “Não era só vender uma batedeira, era fazer uma receita ao vivo, mostrar o uso na prática e ouvir histórias de clientes que contavam como aquilo mudou a rotina deles. Criamos um vínculo de amizade e confiança”, disse. Para ela, a pandemia foi o ponto de virada que consolidou o hábito de comprar online: “As pessoas entenderam que podiam comprar de casa e receber rápido. O que antes era resistência virou hábito, e isso abriu um espaço enorme para o live commerce crescer.” A conversa avançou para as novas tendências, com destaque para a diferença entre influenciadores, criadores de conteúdo UGC e live sellers. Flávia explicou que os influenciadores têm a função de inspirar, mostrando produtos no contexto de seu estilo de vida, mas sem compromisso direto com a venda. Já os criadores de conteúdo UGC (User Generated Content) produzem vídeos autênticos, muitas vezes com poucos seguidores, que as marcas compram e impulsionam. O papel do live seller, no entanto, é outro: “O live seller não apenas mostra o produto. Ele estuda, testa, explica, cria conexão e acompanha métricas. É uma profissão nova, mas que já é vital para o e-commerce que quer converter mais.” A adaptação do discurso e do formato para cada canal também foi um ponto de destaque. Andréa lembrou que vender “em qualquer tela” significa entender que públicos diferentes exigem abordagens diferentes. “Na TV, o foco era a companhia; no Instagram ou TikTok, é velocidade. No YouTube, é conteúdo planejado e visualmente atraente. Não dá para repetir o mesmo formato em todas as plataformas.” Para ela, ajustar a linguagem e o ritmo à audiência de cada canal é determinante para aumentar a conversão. Após o encerramento do Shoptime em 2023, Babi migrou para o aplicativo da Americanas, onde comandava lives diárias em um formato mais rápido, com cenário reduzido e abordagem direta. Essa experiência mostrou a importância de adaptar não apenas o discurso, mas também a postura, a vestimenta e até o tom de voz conforme o produto e o público. “Em uma live de supermercado, você é mais despojada, dinâmica e cria urgência. Já numa live de beleza, o ritmo é mais calmo, a apresentação é elegante e o foco é no detalhe, como mostrar a textura de um creme na pele”, contou. Essa flexibilidade foi tão valiosa que levou as três a criarem sua própria empresa, voltada não apenas para atuar como live sellers profissionais, mas também para treinar lojistas e equipes de vendas. “Muitos empresários querem que seus próprios vendedores façam lives, mas sem técnica o resultado não vem. A gente ensina desde a montagem do cenário até a condução diante da câmera para fechar vendas”, explicou Babi. Hoje, o live commerce está cada vez mais acessível, com plataformas como Shopee, Americanas e TikTok Shop permitindo que qualquer pessoa transmita de casa. Para as especialistas, empresas que desejam aproveitar essa tendência precisam investir em três frentes: treinamento para formar live sellers capacitados, estratégia de conteúdo adaptada a cada plataforma e interatividade constante com o público. Como resume Flávia, “não basta ligar a câmera e mostrar o produto. É preciso contar histórias, criar desejo e, principalmente, saber conduzir a conversa para a venda. Esse é o futuro — e ele já está acontecendo.” Supermercadistas, vocês já pensaram em apostar nesse formato?
14/08/2025
"Sucesso não tem segredo: gastar a sola de sapato e continuar aprendendo", uma aula de inspiração com Camila Farani
O varejo supermercadista conhece bem essa máxima: não existe ideia pequena quando há propósito, visão e coragem. E o palco do Conecta Varejo / Rio Innovation Week viveu um momento de uma verdadeira aula de inspiração sobre buscar sonhos e alcançar objetivos com a palestra "Da sala de aula ao pitch: como transformar ideias em negócios", com participação de Camila Farani, a maior investidora anjo mulher da América Latina, Beatriz Galvão, CEO da Openi, e Paula Esteban, diretora de ensino do IBMEC, como mediadora. "As vezes pensamos em desistir sim, mas sem dúvida nenhuma, no final do dia, quando você entende que está contribuindo para fazer a diferença, vale a pena. Siga o seu legado, porque, no fim, você tem que entender o seguinte: a sua paixão. Pegue a sua paixão, pegue a interseção com esse tamanho de mercado e pegue uma outra interseção, que é aquilo que você está vivendo no momento, para conseguir efetivamente chegar onde você quer. Você pode ter alcance de meta ou não, ter menos ou ter mais, no final do dia o que importa é conseguir, cada vez mais, impactar essas pessoas, mas de forma que eu também consiga me colocar", destacou Camila Farani em sua fala de abertura. Beatriz Galvão pontuou: "Meu pai abriu um escritório no ano que eu nasci. Então eu cresci vendo todo o desenvolvimento do negócio, todos os desafios que existiam em você empreender no Brasil, e quem é empreendedor sabe que não é nem um pouco fácil tirar o negócio do papel. Então eu sempre vi dentro de casa o que era empreender de uma forma muito prática e pensando numa economia real. Eu acabei seguindo uma trajetória um pouco diferente, fui fazer engenharia química, pensando em ter uma carreira corporativa mais tradicional, e acabei me conectando com um negócio de impacto. Eu, antes da Open, tive alguns negócios de empreendedores no social. E aí, durante a pandemia, eu tive uma virada na minha trajetória, que foi o que fez eu construir a Open. A ideia era otimizar negócios tão tradicionais, como escritório de contabilidade, uma administradora de imóveis, uma corretora de seguros, que sabemos que tem ainda muita oportunidade para se transformar no Brasil. E a partir daí entendemos que poderíamos montar um produto, porque não estávamos só resolvendo uma dor interna, mas sim uma dor de mercado". O segredo? Aposte em você e siga se desenvolvendo Na sequência, Camila Farani frisou a importância fundamental de, sempre, seguir buscando novos conhecimentos e desenvolvimento de habilidades: "Só fazer um paralelo. A cada 10 pessoas no Brasil, 8 querem empreender. Vivemos um momento histórico no Brasil, onde se tinha muito empreendedorismo por necessidade. O que isso quer dizer? Isso quer dizer que as pessoas abriam o negócio porque elas precisavam sobreviver. A minha mãe era uma empreendedora por necessidade. Então, nessa época, 70% desse tipo de negócio aberto no Brasil eram por necessidade. Ao longo do tempo, por conta da academia, da educação e, obviamente, todo um ecossistema de políticas públicas e outros incentivos, isso mudou. Mesmo assim, a verdade é a seguinte, você não vai ter tanta escola pra você empreender aquele empreendimento do dia a dia, apesar de você ter boas escolas. O aprendizado precisa ser contínuo. Sem dúvida nenhuma, não pode se parar nunca de aprender. É o que chamamos de 'long life learning'. Não parem nunca. Não tem fórmula, não tem segredo. São duas coisas: gastar a sola de sapato e continuar aprendendo. O empreendedorismo, antes de mais nada, ele é atitude. Mas eu não acho que ele é nato. Eu não sou uma empreendedora nata. Eu não nasci para isso. Sabe qual era o meu sonho? Ser juíza. O empreendedorismo é uma habilidade que você pode e deve desenvolver. Se você trabalha dentro de uma empresa, você é um empreendedor ou empreendedora. Você lida com pessoas, faz negociações, pensa como pode crescer, como aumentar o faturamento, qual o indicador de desempenho, reuniões. Um dos meus maiores gatilhos foi quando eu entendi que eu poderia ganhar um dinheiro. Eu fiz uma proposta pra minha mãe, que eu busquei uma meta de aumento de faturamento. Não bati a meta, mas cheguei perto. Aquilo ali foi me gerando uma impressão de que eu podia fazer a diferença". "Eu sempre observo os quatro T's, porque é a minha tese que eu construí. Então, primeiro, é a tecnologia, o produto. Se o produto é robusto e suficiente, se efetivamente aquela linha de código é proprietária, se ela não é, se você tem uma software house, se você está construindo internamente. Às vezes, isso não precisa estar pronto, mas é preciso entender na mentalidade da pessoa que está à frente, do time que está à frente, se isso, de fato, é uma estratégia de crescimento. Segundo, é o time. Na verdade, o time é o mais importante de tudo. É ele que vai fazer a diferença, que vai analisar o nível de complementariedade e, no fim do dia, é ele que vai puxar a carroça. E eu olho de uma forma muito profunda para quatro coisas dentro do time: inteligência emocional; inteligência espiritual, que é a sua capacidade de ser humilde; inteligência técnica, ou seja, o nível de tecnicidade que você tem; e inteligência física. O empreendedor ele vai ter muita pressão, você precisa ser resistente à pressão e frustração. Terceiro T, tração. Quanto o seu negócio está tracionado, se o seu negócio é novo ainda, o que você imagina que é tração? E não adianta você falar que seu negócio está validado. Você validou com quantas? Por que você validou? A validação é eterna, porque a resposta não está com você, a resposta está nos teus clientes, nos teus futuros clientes. E o quarto T é o tamanho de mercado, ou seja, esse tamanho de mercado faz sentido suficiente para que eu, como investidora coloque o meu capital que fui trabalhando durante a minha vida?", prosseguiu Camila Farani. Beatriz Galvão encerrou: "No final do dia o investidor é seu sócio. Mas eu acho que tem um ponto quando falamos do lado da startup, do empreendedor, que é uma preparação emocional para aguentar o fluxo da rodada. A rodada é algo que consome muito tempo do founder, ou desgasta muito. Você precisa ficar totalmente, ou quase que totalmente dedicado para isso. É algo que você não controla, então você não sabe como vai ser uma reunião. E quanto mais necessidade de caixa você tem, normalmente mais sofrido é emocionalmente para o empreendedor que está do outro lado e que precisa captar aquele dinheiro. Então essa estabilidade emocional, ter apoio e entender que é um processo, eu acho que é uma preparação muito importante. É fundamental".
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