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Comportamento & tendência
3 maneiras dos supermercados aumentarem a fidelidade do cliente por meio da experiência na loja
Em um cenário de consumo cada vez mais seletivo, a experiência dentro da loja voltou a ocupar papel central na estratégia do varejo supermercadista. Dados recentes mostram que 88% dos consumidores preferem fazer compras de supermercado presencialmente, reforçando a importância de ambientes atrativos, funcionais e capazes de gerar conexão emocional com o shopper. Para Nicole Hudson, diretora de canais alternativos da KeHE Distributors, esse movimento exige uma mudança clara de mentalidade por parte dos varejistas. “Os consumidores não vão às lojas apenas para repor itens. Eles esperam experiências envolventes, convenientes e memoráveis. Quem entende isso consegue não só atrair, mas fidelizar”, afirma. Com mais de 20 anos de experiência no setor, Hudson aponta três pilares essenciais para transformar a loja física em uma alavanca de fidelização: curadoria de sortimento, uso inteligente da tecnologia e renovação do ambiente de compra. Sortimento estratégico: variedade que gera conexão A ampliação e qualificação da seleção de produtos é um dos primeiros caminhos para fortalecer o vínculo com o consumidor. Produtos locais, artesanais, naturais e orgânicos ganham relevância ao oferecer não apenas qualidade, mas também propósito e identificação. “Os clientes querem se conectar com produtos que tenham história, que representem a comunidade e transmitam valores. Isso cria um sentimento de pertencimento que nenhuma promoção isolada consegue gerar”, destaca Hudson. Segundo a Associação da Indústria Alimentícia (FMI), 83% dos varejistas veem os produtos locais como um diferencial competitivo, e 58% consideram essa estratégia altamente bem-sucedida. A lógica também se aplica às marcas próprias, que ganham espaço como ferramenta de fidelização e margem. Metade dos consumidores afirma comprar mais marcas próprias do que nunca, impulsionados pela percepção de custo-benefício e qualidade equivalente às marcas tradicionais. Além disso, tendências como sabores internacionais e culinárias regionais têm atraído especialmente as gerações mais jovens. “Oferecer produtos internacionais ao lado de opções nacionais permite que o consumidor explore novos sabores sem sair de um ambiente familiar”, explica a executiva. Tecnologia como aliada da personalização e da conveniência Outro fator decisivo para a fidelização é o uso da tecnologia para tornar a jornada de compra mais fluida e personalizada. Pesquisas da Deloitte indicam que sete em cada dez executivos do varejo esperam implementar soluções de inteligência artificial para personalizar ofertas e melhorar a experiência do consumidor. “Tecnologia não é só inovação é conveniência. Listas inteligentes, autoatendimento e ofertas personalizadas tornam a compra mais simples e relevante”, afirma Hudson. Dados da PYMNTS mostram que 66% dos consumidores preferem caixas de autoatendimento, enquanto sistemas de gestão de estoque mais eficientes ajudam a reduzir rupturas, um dos principais fatores de insatisfação no varejo supermercadista. Mesmo ferramentas tradicionais, como cupons, ganham nova vida com o apoio da tecnologia. “Quando combinamos dados, personalização e promoções inteligentes, conseguimos gerar valor real para o cliente e para o negócio”, completa. Ambiente de loja: quando o layout conta uma história A experiência também passa pelo espaço físico. Displays interativos, degustações e demonstrações culinárias estão entre as estratégias mais citadas por executivos do varejo para engajar consumidores em 2025. No entanto, Hudson reforça que nenhuma ativação funciona sem uma equipe bem treinada. “O atendimento é o elo entre o produto e a experiência. Funcionários que conhecem o sortimento transformam a visita à loja em algo memorável”, diz. Planogramas bem estruturados, corredores intuitivos e merchandising estratégico são peças-chave nesse processo. “Um bom planograma precisa funcionar como uma boa narrativa: clara, lógica e envolvente”, compara. Pontas de gôndola e refrigeradores bem posicionados, com produtos de alta demanda e compra por impulso, ajudam a acelerar decisões e aumentam o ticket médio. Colaboração como motor da fidelização Para Nicole Hudson, o futuro da fidelização passa pela colaboração entre varejo supermercadista e distribuidores. “Quando trabalhamos juntos, conseguimos inovar, acompanhar as mudanças de comportamento do consumidor e otimizar a operação. A fidelidade é construída todos os dias, na soma de pequenas experiências bem executadas.” Com sortimento relevante, tecnologia aplicada de forma estratégica e ambientes de loja bem planejados, o varejo supermercadista transforma a experiência presencial em um ativo competitivo e a fidelização deixa de ser consequência para se tornar estratégia.
13/01/2026
Atualidades
NRF 2º dia: a tecnologia deixa de ser protagonista e a liderança volta ao centro
O segundo dia da NRF 2026 foi menos barulhento do que muitos esperavam — e justamente por isso, muito mais revelador. Se o primeiro dia marcou o fim definitivo do discurso tecnológico inflado, o segundo trouxe à tona um debate mais profundo e, talvez, mais incômodo: decisão, identidade e responsabilidade. Não se falou menos de tecnologia. Falou-se melhor. E, principalmente, falou-se do que fazer com ela — e do que não fazer. A sensação dominante ao final do dia foi clara: a era em que bastava adotar tecnologia para parecer moderno ficou para trás. Agora, a tecnologia cobra posicionamento, critério e liderança. “A tecnologia já chegou para todos. O diferencial não está mais no acesso, mas na capacidade de decidir com clareza o que faz sentido para o negócio e o que é apenas distração cara”, analisa Juarez Leão, CEO do Leão Group. A pergunta deixou de ser “o que a IA faz” e passou a ser “quem decide” Uma mudança de tom atravessou praticamente todos os painéis. O debate saiu do campo das possibilidades da inteligência artificial e migrou para a governança das escolhas. IA, dados, agentic commerce, computer vision, personalização e GEO já estão disponíveis. O desafio agora é a curadoria estratégica. “O varejo começa a entender que adotar tudo é, na prática, não decidir nada. Liderar hoje é saber dizer ‘sim’ com propósito e ‘não’ com convicção”, destacou Juarez Leão. A fala mais honesta do dia não veio de uma big tech, mas de um varejista tradicional: “a tecnologia só vale a pena quando melhora claramente a operação, a experiência e a decisão. Se não, é distração cara”. A frase resumiu o espírito do segundo dia da NRF. Marca voltou a ser assunto sério — não campanha O painel de Ryan Reynolds foi um dos mais emblemáticos do dia. Não apenas pelo carisma, mas pela clareza com que tratou a construção de marca em um ambiente saturado de mensagens. A lógica apresentada foi direta: marcas fortes não nascem de campanhas perfeitas, mas de leitura cultural, velocidade de resposta e investimento emocional real. “O caso do Wrexham AFC mostra algo fundamental para qualquer setor, inclusive o varejo supermercadista: pertencimento gera defesa espontânea. E isso nenhuma verba de mídia compra”, observa Juarez Leão. Nesse contexto, marca deixa de ser estética e passa a operar como um sistema vivo, que conecta cultura, experiência e identidade de forma contínua. O luxo mostrou como inovar sem perder a alma A conversa entre Ralph Lauren e Microsoft foi uma das mais sofisticadas do evento. Não pela tecnologia em si, mas pela maturidade estratégica. A adoção de IA pela marca partiu de uma pergunta essencial: isso preserva ou dilui nossa herança? “O que mais chama atenção é a coragem de não acelerar vendas a qualquer custo. A IA foi usada para orientar, inspirar e reforçar identidade, não para substituir o humano. Isso é liderança criativa aplicada à tecnologia”, avalia o CEO do Leão Group. A principal lição foi clara: tecnologia sem visão criativa não gera valor, apenas acelera decisões ruins. IA boa é a que quase ninguém vê Outro ponto recorrente ao longo do dia foi a valorização da IA aplicada ao bastidor. Aquela que não vira campanha, mas transforma a qualidade da decisão. Casos como Macy’s e Boot Barn mostraram ganhos concretos em sortimento, leitura de tráfego, conversão, redução de rupturas e preparo dos times. “A pergunta ‘so what?’ precisa acompanhar qualquer projeto de IA. O que muda, de fato, depois que essa tecnologia entra? Se não houver resposta clara, o projeto nasce errado”, reforça Juarez Leão. O varejo começa a reconhecer que dados ruins amplificados por IA geram decisões ruins em escala e isso custa caro. A loja física não voltou. Ela foi ressignificada Os debates sobre o varejo urbano de Nova York deixaram claro que a loja física não perdeu relevância, mas mudou de papel. Ela deixou de ser apenas ponto de venda para se tornar espaço cultural, social, sensorial e, cada vez mais, mídia viva. “O físico virou resposta direta à fadiga digital. Em um mundo mediado por telas, tocar, provar e permanecer virou diferencial competitivo”, pontua o executivo. A loja agora precisa justificar sua existência. E estoque, sozinho, já não é suficiente. O que o segundo dia realmente deixou claro? Ao final do Dia 2 da NRF 2026, algumas certezas se consolidaram. O varejo que emerge é mais exigente, menos tolerante a discurso vazio e menos encantado com novidade pela novidade. Cresce a importância de lideranças com critério, marcas com identidade clara e operações capazes de sustentar a promessa feita ao cliente. “Tudo o que é adotado por medo de ficar para trás perde espaço. O que avança é o que nasce de convicção estratégica”, resume Juarez Leão. Uma conclusão necessária O segundo dia da NRF 2026 não foi confortável — e isso é um excelente sinal. Ele deixou claro que não basta adotar tecnologia nem repetir discursos sobre inovação. O varejo entrou em uma fase em que decidir mal custa caro, e adiar decisões estruturais custa ainda mais. "O verdadeiro Next Now não está no próximo software ou na próxima buzzword. Está na capacidade dos líderes de filtrar ruído, escolher com clareza e sustentar identidade, mesmo quando a tecnologia permite fazer tudo", destaca Juarez Leão.
13/01/2026
Indústria em cena
CEO da Heineken deixa o cargo após seis anos à frente da companhia
O presidente-executivo da Heineken, Dolf van den Brink, anunciou sua renúncia após seis anos no comando da cervejaria holandesa. A saída, considerada inesperada, ocorre poucos meses depois da apresentação de um novo plano estratégico voltado à expansão do consumo de cerveja. Van den Brink assumiu a liderança da segunda maior fabricante de cervejas do mundo em junho de 2020, em meio à pandemia da Covid-19. Desde então, conduziu a empresa durante um dos períodos mais desafiadores de sua história recente, marcado por inflação elevada, aumento de custos, retração do consumo em determinados mercados e impacto negativo sobre vendas, margens e desempenho das ações. A decisão acontece em um cenário de pressão crescente de investidores por resultados mais consistentes. O plano estratégico anunciado recentemente buscava reposicionar a companhia diante das mudanças no comportamento do consumidor e da desaceleração em mercados considerados estratégicos. Em comunicado, a Heineken informou que dará início ao processo de busca por um novo CEO. "A posição é considerada central na gestão de um portfólio global que reúne marcas como Heineken, Tiger e Amstel, além de operações distribuídas por dezenas de países." A mudança no comando inaugura um novo ciclo para a companhia, que agora terá o desafio de retomar volumes, reconquistar a confiança do mercado e sustentar o crescimento em um ambiente global ainda pressionado por custos, concorrência acirrada e transformações nos hábitos de consumo.
13/01/2026
Comportamento & tendência
2º dia de NRF: executar é o novo inovar. Leia a análise de Fábio Queiróz, presidente da ASSERJ e ALAS
O segundo dia da NRF 2026 confirmou uma mudança definitiva no discurso e prática do varejo global: a tecnologia deixou de ser narrativa aspiracional e passou a ser cobrada por resultado real, mensurável e aplicado ao dia a dia das operações. Das estratégias de brand building de Ryan Reynolds às discussões profundas sobre inteligência artificial, people-first (pessoas em primeiro lugar) e transformação de modelos tradicionais, o que se vê em Nova York é um varejo mais pragmático, mais humano e menos tolerante a projetos que não entregam valor claro ao consumidor e à operação. Para Fábio Queiróz, presidente da ASSERJ e da ALAS, o grande fio condutor do dia foi a maturidade do setor. “A NRF deste ano mostra que o varejo entrou numa fase adulta. Não se trata mais de testar tecnologia por curiosidade, mas de entender como ela resolve problemas concretos de margem, gente, sortimento e experiência. Quem não consegue conectar inovação com execução fica para trás”, afirmou. Ao longo da manhã, temas como autenticidade de marca, turnaround de negócios tradicionais e a convivência entre herança e inovação dominaram o palco. A apresentação de Fran Horowitz, CEO da Abercrombie & Fitch, foi um dos pontos altos do dia ao detalhar como uma marca considerada irrelevante conseguiu 11 trimestres consecutivos de crescimento ao ouvir profundamente o consumidor, empoderar equipes e tomar decisões difíceis, inclusive sobre o que parar de fazer. “O caso da Abercrombie é um alerta direto para o varejo supermercadista: escutar o cliente e a loja genuinamente é mais transformador do que qualquer dashboard sofisticado”, destacou Queiróz. No campo da tecnologia, a discussão evoluiu claramente para aplicações em escala. Exemplos como Macy’s, Kroger e Sam’s Club mostraram como a inteligência artificial já está integrada a decisões de merchandising, gestão de pessoas, planejamento de demanda e experiência do cliente. “A grande virada é entender que IA não substitui gente no varejo supermercadista, ela potencializa. Quem usa tecnologia para empoderar o time de loja e melhorar a execução ganha produtividade e consistência”, avaliou o executivo. À tarde, o foco se voltou para comportamento do consumidor e construção de marcas duradouras. As discussões sobre Gen Z, loyalty (fidelidade), marcas próprias e, principalmente, o impacto de tendências como medicamentos GLP-1 no consumo alimentar reforçaram a necessidade de adaptação rápida de sortimento, tamanhos de embalagem e estratégias de categoria. Para Queiróz, esse ponto é crítico: “Estamos falando de mudanças estruturais no padrão de consumo. O varejo supermercadista e a indústria precisam agir juntos, com dados. Redesenhar categorias inteiras não é mais ajuste fino, é reposicionamento”. O encerramento do dia consolidou uma mensagem clara: o varejo do futuro será menos sobre tecnologia pela tecnologia e mais sobre decisões difíceis, bem executadas, com pessoas no centro e dados como suporte. “O segundo dia da NRF deixa claro que o jogo agora é de consistência. Não vence quem faz mais barulho, mas quem entrega melhor, todos os dias, na loja física, no digital e na relação com o consumidor”, concluiu Fábio Queiróz.
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