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O novo consumidor e o impacto direto nas decisões do varejo supermercadista
O comportamento do consumidor vive uma transformação silenciosa, porém profunda. Após anos marcados por instabilidade econômica, excesso de estímulos digitais e mudanças no padrão de renda, o processo de compra passou a ser mais racional, seletivo e intencional. Em 2026, preço segue relevante, mas já não atua sozinho. Confiança, conveniência e alinhamento de valores se consolidam como fatores decisivos, redesenhando estratégias no varejo supermercadista. Para quem empreende no setor, especialmente pequenos e médios supermercadistas, compreender essas mudanças deixou de ser diferencial e passou a ser requisito para manter competitividade, fidelizar clientes e sustentar margens em um cenário cada vez mais pressionado. Segundo André Miceli, coordenador do MBA de Marketing e Negócios Digitais da Fundação Getulio Vargas (FGV), o consumidor está mais atento e menos impulsivo. “O que observamos é um consumidor que aprendeu a filtrar estímulos. Ele não reage mais apenas a promoções agressivas, mas à percepção de valor, coerência e confiança que a marca transmite ao longo de toda a jornada”, analisa. Consumo intencional transforma confiança em ativo estratégico Dados do relatório Consumer Outlook 2026, da NielsenIQ, indicam que o consumo impulsivo está em queda e que a cautela passou a ser um comportamento permanente. Cada decisão de compra é avaliada com base em utilidade real, transparência e clareza de comunicação. No varejo supermercadista, isso se traduz em maior atenção à origem dos produtos, práticas sustentáveis, consistência de preços e qualidade no atendimento, tanto no ambiente físico quanto nos canais digitais. Para Miceli, a confiança deixa de ser um discurso institucional e passa a ser construída no detalhe operacional. “A confiança não nasce de campanhas, mas da repetição de boas experiências. Quando o consumidor encontra o mesmo padrão de preço, atendimento e informação em todos os canais, ele reduz a fricção da escolha e aumenta a fidelidade”, destaca. Simplicidade se consolida como o novo premium O excesso de opções, ofertas e canais gerou um consumidor sobrecarregado. Em resposta, a simplicidade se transforma em um dos principais diferenciais competitivos para 2026. No varejo supermercadista, jornadas mais curtas, comunicação objetiva e processos de compra ágeis passam a ter mais peso do que sortimentos excessivamente amplos ou mensagens complexas. Organizar o mix, destacar produtos estratégicos e facilitar o pagamento não apenas melhoram a experiência, como impactam diretamente a conversão. “Simplicidade hoje é sinônimo de respeito ao tempo do consumidor. Quem consegue reduzir etapas, ruídos e dúvidas ganha preferência, mesmo sem ser o mais barato”, explica Miceli. Produtos com propósito ganham espaço nas gôndolas A decisão de compra passa, cada vez mais, por critérios éticos, ambientais e sociais, mas com foco em benefícios reais e mensuráveis. O consumidor quer entender o que está comprando, de quem está comprando e por que aquele produto faz sentido para sua rotina. Esse movimento favorece o varejo supermercadista que investe em transparência, comunicação clara de rótulos, produtos funcionais e fornecedores locais. Pequenos e médios negócios ganham protagonismo justamente pela proximidade com o consumidor e pela capacidade de contar histórias reais. “Propósito sem entrega virou ruído. O consumidor percebe rapidamente quando o discurso não se sustenta na prática. No varejo, propósito se manifesta em sortimento coerente, menos desperdício e escolhas mais responsáveis”, reforça Miceli. Inteligência artificial torna a personalização acessível A inteligência artificial deixou de ser exclusividade de grandes redes e passa a integrar a rotina de pequenos supermercadistas. Em 2026, a principal aplicação da IA no varejo será a personalização: entender padrões de compra, prever demandas e oferecer comunicações mais relevantes. Ferramentas de automação, chatbots e análise de dados permitem segmentar ofertas, otimizar estoques e melhorar a experiência sem perder o toque humano. “A tecnologia não substitui o relacionamento, ela o potencializa. O uso inteligente de dados permite falar com o cliente certo, no momento certo, com uma proposta mais relevante”, avalia Miceli. Bem-estar e alimentação funcional impulsionam novas oportunidades O cuidado com a saúde física e mental se tornou prioridade e influencia diretamente o carrinho de compras. Cresce a busca por alimentos com rótulos claros, ingredientes naturais, opções prontas mais equilibradas e embalagens sustentáveis. Para o varejo supermercadista, o tema do bem-estar representa uma oportunidade estratégica de posicionamento, seja por meio da curadoria de produtos, da organização das gôndolas ou da produção de conteúdo educativo. “Bem-estar deixou de ser um nicho e passou a ser um valor transversal. O varejo que consegue traduzir isso em escolhas práticas e acessíveis constrói relevância de longo prazo”, conclui Miceli.
08/01/2026
Comportamento & tendência
PwC Brasil: saúde e bem-estar impulsionam o varejo supermercadista em 2026
Após um 2025 marcado por cautela, o varejo brasileiro deve encontrar novas oportunidades de crescimento em 2026, impulsionado por grandes eventos, avanços tecnológicos e pela busca por maior eficiência operacional. A avaliação é de Luciana Medeiros, sócia da PwC Brasil e líder da área de Varejo e Consumo, em entrevista ao Brazil Economy. Segundo a executiva, o último ano foi desafiador para o setor, principalmente em razão dos juros elevados, da inflação resistente e de um consumidor mais seletivo. “O varejo brasileiro operou em 2025 dentro de um cenário de otimismo cauteloso. O consumidor esteve mais atento ao orçamento, o que exigiu das empresas uma gestão ainda mais disciplinada e estratégica”, afirmou. Entre os segmentos que mais se destacaram, Luciana apontou saúde e bem-estar, impulsionados pela cultura wellness e por inovações como os medicamentos para emagrecimento. “Saúde e bem-estar seguem como vetores importantes de crescimento, com impactos diretos no varejo supermercadista, no setor farmacêutico e na indústria de produtos embalados”, explicou. Outro ponto de atenção destacado pela executiva é a escassez de mão de obra qualificada, que passou a figurar como um dos principais desafios do setor. “Mesmo com os ganhos de eficiência proporcionados pela tecnologia, o capital humano segue sendo essencial. Em nossa pesquisa global com CEOs, a falta de mão de obra apareceu pela primeira vez como o principal obstáculo ao crescimento do setor de consumo no Brasil”, ressaltou ao Brazil Economy. Para 2026, a expectativa é de um ambiente ainda complexo, mas com espaço para avanços. “O varejo terá novas avenidas de crescimento em 2026, especialmente para empresas que conseguirem equilibrar expansão, rentabilidade, inovação e eficiência operacional. Será um ano de desafios, com a reforma tributária, tensões globais, eleições e grandes eventos, como a Copa do Mundo, que tradicionalmente movimentam o consumo”, disse. Segundo Luciana, além da expansão física tradicional, os executivos devem olhar para novos horizontes, como retail media, monetização de dados, serviços financeiros, soluções B2B e parcerias estratégicas. No campo operacional, temas como inteligência artificial, automação, otimização de capital e disciplina de custos devem ganhar ainda mais relevância nas agendas corporativas. A executiva também destacou que, apesar do avanço do digital e dos marketplaces, a loja física continua central no varejo brasileiro. “A loja física não perde importância. Ela se transforma em um novo centro de gravidade do varejo, assumindo funções logísticas, sensoriais e de relacionamento, integradas a uma jornada verdadeiramente omnichannel”, afirmou. Por fim, Luciana Medeiros ressaltou o papel crescente da inteligência artificial no setor. “A IA tende a deixar de ser um diferencial competitivo para se tornar parte do cotidiano do varejo. Já observamos ganhos claros em gestão de estoques, prevenção de perdas e personalização da jornada de compra. Mais da metade dos brasileiros demonstra familiaridade com a IA generativa no planejamento de compras, o que impacta diretamente o comportamento do consumidor”, concluiu.
08/01/2026
Atualidades
Anvisa determina recolhimento de lote de molho de tomate após identificação de vidro
*Atualizado às 14h40 Posicionamento da empresa A ASSERJ entrou em contato com a Mastromauro Granoro, que, nesta quinta-feira, dia 9 de janeiro, teve o lote LM283 do molho de tomate Passata de Pomodoro Di Puglia, da marca Mastromauro Granoro, recolhido a pedido da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após a identificação de pedaços de vidro no produto. A empresa informou que realizou o recolhimento preventivo de um lote da Passata de Tomate Di Puglia Granoro Dedicato, em embalagens de 500 gramas, lote HP1LM283, após a suspeita de possível presença de fragmentos de vidro. Segundo a empresa, a ocorrência ainda está em fase de verificação pelas autoridades sanitárias italianas, que já foram notificadas. “O produto envolvido corresponde ao lote HP1LM283, com prazo mínimo de validade até 31 de dezembro de 2026. No Brasil, de acordo com a fabricante, apenas pequenas quantidades desse lote foram comercializadas, e o distribuidor local já foi informado e iniciou o recolhimento do item do mercado, seguindo os protocolos de segurança e controle”, informou a empresa em comunicado. Saiba mais sobre o caso A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, por meio de resolução, o recolhimento do lote LM283 do molho de tomate Passata de Pomodoro Di Puglia, da marca Mastromauro Granoro, após a identificação de pedaços de vidro no produto. A medida integra um conjunto de ações sanitárias que incluem a suspensão da comercialização, distribuição, importação, divulgação e consumo do lote afetado. De acordo com a Anvisa, a decisão foi tomada após um alerta emitido pelo RASFF (Sistema Europeu de Alerta Rápido para Alimentos e Rações), que apontou risco grave à segurança alimentar no produto importado para o Brasil. A agência destaca que a determinação se restringe exclusivamente ao lote LM283. A ASSERJ orienta que todos os estabelecimentos tomem as providências cabíveis, realizando a imediata retirada do produto das gôndolas, a verificação de estoques, a segregação do lote envolvido e o correto registro do produto, cumprindo integralmente os protocolos de recolhimento, a fim de garantir a segurança dos consumidores e a conformidade com as normas sanitárias vigentes. “O sistema europeu RASFF é essencial para a rápida identificação e comunicação de riscos graves à segurança de alimentos exportados da Europa para outros países. Sua atuação protege a saúde pública, evita a disseminação de produtos inseguros e reforça o controle sanitário no comércio internacional. No Brasil, segue a orientação para o recolhimento dos lotes afetados pelos estabelecimentos, a fim de evitar sanções por órgãos reguladores”, explica o consultor técnico de Segurança Alimentar da ASSERJ, Flávio Graça. Vamos, juntos, garantir a segurança dos nossos consumidores.
08/01/2026
Atualidades
Cenário atual da Venezuela e os impactos no varejo supermercadista
Já foi o tempo que uma crise geopolítica na Venezuela parecia distante da rotina do varejo supermercadista fluminense. Esse tipo de tensão, cada vez mais, encontra caminhos diretos até o dia a dia das empresas e dos consumidores, especialmente por meio dos preços de energia, do dólar e do custo de vida. Afinal, somos um mercado global altamente conectado, portanto, conflitos em regiões estratégicas geram gatilhos de instabilidade. No caso da Venezuela, o alerta se acende por se tratar de um país inserido em uma região-chave para o mercado de petróleo. Mesmo que não haja impacto imediato na oferta, o simples risco já é suficiente para pressionar preços no mercado internacional, afetando, principalmente, os custos com transporte e logística. Para Adriana Ricci, especialista em investimentos, fundadora, gestora e head de Operações da SHS Investimentos, o efeito começa antes mesmo de qualquer ruptura concreta. “Hoje, o mercado reage muito à expectativa. Basta o receio de desabastecimento ou de escalada do conflito para o preço do petróleo subir, ainda que nada tenha acontecido de fato”, explica. Impacto direto ainda é neutro para o varejo Na avaliação de quem está na ponta da operação, o efeito imediato da crise venezuelana sobre o varejo supermercadista fluminense ainda não é percebido. Segundo João Marcio, diretor comercial do Princesa Supermercados, não há, ao menos por enquanto, expectativa concreta de impacto para o setor. “Hoje, a nossa visão é neutra. A Venezuela não é um parceiro relevante na cadeia de alimentos. Eles não exportam alimentos; o principal produto é o petróleo. No varejo supermercadista sul-americano, trabalhamos muito mais com países como Argentina, Chile, Peru e Colômbia. Em termos de alimentos, não temos relação comercial com a Venezuela e, no caso do Princesa, não enxergamos impacto direto neste momento”, afirma. Ainda assim, João Marcio ressalta que crises de repercussão global tendem a gerar efeitos indiretos, especialmente quando envolvem energia. “Claro que uma crise que ganha escala mundial sempre pode trazer algum tipo de reflexo, como sobretaxas, riscos de escassez ou aumento de custos. O petróleo acaba impactando toda a cadeia produtiva. Mas, por enquanto, não vemos isso nem como um problema, nem como uma oportunidade. Seguimos acompanhando.” Combustível mais caro pressiona logística e operação Conforme já mencionado acima por João Márcio, no varejo supermercadista, a elevação do petróleo afeta diretamente os custos de transporte, distribuição e abastecimento das lojas. “Quando o preço do petróleo sobe, o impacto chega de forma simples de entender: o combustível fica mais caro e, com isso, encarece o transporte de alimentos, medicamentos e mercadorias em geral. Esse aumento acaba sendo repassado gradualmente e aparece na prateleira do supermercado”, afirma Noah Barrett, gerente de portfólio da Janus Henderson Investors. Esse efeito em cadeia pressiona margens, dificulta negociações com fornecedores e reduz a previsibilidade de custos — um ponto sensível para redes que operam com volumes elevados, logística intensa e margens historicamente apertadas. Dólar mais forte encarece insumos e importações Além do petróleo, a tensão geopolítica costuma impactar o câmbio. Em momentos de instabilidade, investidores globais buscam ativos considerados mais seguros, como o dólar, o que provoca valorização da moeda americana frente ao real. “Quando o mundo entra em estado de alerta, o dinheiro busca proteção. Esse movimento fortalece o dólar e pressiona países emergentes como o Brasil, mesmo que não participem diretamente do conflito”, explica Adriana Ricci. Para o varejo supermercadista, o dólar mais alto significa aumento no custo de produtos importados, insumos industriais, embalagens, tecnologia, equipamentos e até fertilizantes, que influenciam o preço final dos alimentos. Reflexos diretos no consumo e no planejamento do setor Com a combinação de combustível e dólar mais caros, o impacto chega ao consumidor final. O aumento de preços tende a reduzir o poder de compra das famílias, que passam a priorizar itens essenciais e adiar decisões de consumo. “Em cenários de maior incerteza, o consumidor fica mais cauteloso. Isso afeta o giro de determinadas categorias e exige ainda mais atenção do varejo na gestão de sortimento, estoques e promoções”, observa a especialista. Do lado das empresas, o ambiente também se torna mais conservador. Investimentos são reavaliados, contratações podem desacelerar e o planejamento precisa ser ajustado para lidar com maior volatilidade. Um efeito dominó que exige atenção estratégica Adriana Ricci compara o impacto econômico a um efeito em cadeia. “É como um acidente em uma rodovia importante. Mesmo quem está longe do local sente o trânsito travar quilômetros à frente. Na economia global, os conflitos funcionam da mesma forma: primeiro o petróleo oscila, depois o dólar, em seguida os preços internos e, quando o consumidor percebe, o orçamento já está mais apertado.” Para o B2B supermercadista, o cenário reforça a importância de acompanhar indicadores macroeconômicos, avaliar custos logísticos, revisar contratos e manter flexibilidade na operação. Em um ambiente global cada vez mais instável, antecipação e planejamento se tornam diferenciais competitivos. Não deixe de acompanhar o desenrolar dos acontecimentos e sempre estar atento em se antecipar em termos de planejamento e negociações.
07/01/2026
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Guanabara amplia equipe e fortalece sua operação no varejo supermercadista
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